Jovem supera AVC grave após 18 meses sendo tratada apenas por “enxaqueca”

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São Paulo – Uma dor de cabeça persistente, classificada durante um ano e meio como enxaqueca, quase custou a vida da jornalista Tayla Sanchez. Hoje com 35 anos, ela tinha 25 quando, em setembro de 2016, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico causado por trombose venosa cerebral. O quadro evoluiu para convulsões, coma induzido e 20 dias de internação, 18 deles em unidade de terapia intensiva (UTI).

Dor ignorada

Entre março de 2015 e setembro de 2016, Tayla procurou diversos serviços de saúde relatando cefaleias fortes e frequentes. Em todas as consultas recebeu o mesmo diagnóstico: enxaqueca. Durante esse período, utilizava anticoncepcional hormonal combinado havia dez anos, um fator que, segundo especialistas, eleva o risco de trombose em mulheres jovens.

Exame adiado e agravamento

Quando o quadro se agravou, o hospital onde Tayla foi internada estava com o tomógrafo fora de serviço. O convênio médico também negou, inicialmente, a autorização para o exame em outra unidade. O atraso impediu o diagnóstico rápido da trombose venosa cerebral, situação em que um coágulo bloqueia a drenagem de sangue nos seios venosos do cérebro e aumenta perigosamente a pressão intracraniana.

“Morri e voltei”

Durante o coma, Tayla passou por cinco convulsões, duas intubações e chegou a ter as pupilas sem resposta, sinal de atividade neurológica crítica. Na sexta-feira em que um fisioterapeuta avisou à família que ela não resistiria ao fim de semana, a jovem estava sedada e entubada. Na segunda-feira seguinte, abriu os olhos. “Literalmente morri e voltei”, resume.

Tratamento e sequelas

O procedimento de base contra a trombose foi a anticoagulação plena, que impede o crescimento do coágulo até que o organismo o dissolva. Após despertar, Tayla perdeu os movimentos do lado direito e precisou reaprender a falar, andar, escrever e digitar. Parte da recuperação ocorreu graças à neuroplasticidade típica de pacientes jovens, explicam os neurocirurgiões Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), e Feres Chaddad, da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Fatores de risco

O AVC costuma ser associado a pessoas idosas e hipertensas, mas, alertam os médicos, o perfil mudou. Entre mulheres jovens, a trombose venosa cerebral relacionada a anticoncepcionais estrogênicos é cada vez mais recorrente, principalmente quando se somam tabagismo, obesidade, sedentarismo ou predisposições genéticas. Posteriormente, exames apontaram que Tayla tem uma tendência hereditária à hipercoagulação, condição que contraindica o uso de pílulas combinadas.

Sintoma de alerta

Dor de cabeça súbita, intensa e diferente do padrão habitual aparece em até 90% dos casos de trombose venosa cerebral. Se não melhora com analgésicos e vem acompanhada de náuseas, vômitos, confusão ou perda de força, requer investigação por imagem, destacam os especialistas. Uma tomografia com angiotomografia poderia ter identificado o coágulo de Tayla e antecipado o tratamento.

Vida após o AVC

Dez anos depois do episódio, Tayla segue em acompanhamento com hematologista, faz exames periódicos de coagulação e não voltou a usar anticoncepcional hormonal. A digitação — essencial para sua profissão — nunca retornou à velocidade anterior, mas ela retomou as atividades cotidianas e profissionais.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.