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Mercado projeta rali do Ibovespa após vitória da direita no 1º turno

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O Ibovespa deve abrir a semana em forte alta nesta segunda-feira (5/10), na primeira reação do mercado ao resultado do 1º turno das eleições presidenciais. O economista-chefe da Quantitas projeta uma disparada de 4% a 6% do principal índice da B3 no pregão de hoje, com o real 2% mais forte ante o dólar. A leitura é de que a votação acima do esperado do candidato da direita destravou um movimento de reprecificação dos ativos brasileiros que já vinha se desenhando nos últimos dias.

“Movimento dos últimos dias deve continuar, com alta do Ibovespa, apreciação do real e queda das taxas de juros de mercado”, avaliou Fernando Siqueira, head de research da Eleven, em análise divulgada após a apuração. A casa destaca que a votação de Flávio Bolsonaro (PL) ficou acima do indicado pela maioria das pesquisas — que apontavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levemente à frente — e que o resultado tende a ser bem recebido pelos investidores.

Ibovespa chega à segunda-feira perto do recorde do ano

O ponto de partida do rali projetado já é elevado. Na sexta-feira (2/10), último pregão antes da votação, o Ibovespa fechou em alta de 2,63%, aos 192.114,55 pontos — a quarta alta seguida e o maior nível de fechamento desde abril. Na semana, o índice acumulou valorização de 4,71%, com volume financeiro de cerca de R$ 31 bilhões na sexta.

Com esse fechamento, a distância para o recorde de 2026 caiu para apenas 3,29%: a máxima do ano segue nos 198.657,33 pontos registrados em 14 de abril. No acumulado de 2026, o Ibovespa já soma ganho de 19,23%, saindo dos 161.125,37 pontos do fim de 2025. No câmbio, o dólar comercial encerrou a sexta praticamente estável, em R$ 5,2165, com baixa de 0,07% no dia.

O bom humor da sexta foi turbinado ainda por um dado externo: o payroll americano mostrou a criação de apenas 29 mil vagas em setembro, bem abaixo das 85 mil esperadas, com o desemprego subindo a 4,2%. A leitura entre analistas foi de que o Federal Reserve pode manter os juros em outubro, o que aliviou a pressão sobre os mercados emergentes.

Por que o mercado reage assim ao resultado das urnas

Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somou 56,1 milhões de votos (47,04%) contra 53,8 milhões (45,15%) de Lula — a menor diferença da história entre os dois primeiros colocados, mas com o candidato do PL à frente, contrariando as pesquisas. O 2º turno está marcado para 25 de outubro.

Para o mercado, o que importa vai além do duelo presidencial. Agentes financeiros são críticos da política fiscal do atual governo e enxergam na possível eleição de Flávio uma chance maior de controle das contas públicas. A leitura ganhou força com o desempenho da direita também nas disputas para governadores e para o Senado: a Eleven avalia que o PL deve emergir como uma das maiores — senão a maior — forças do Legislativo, com projeção de 22 senadores eleitos contra cinco do PT.

“O mercado lê esse Congresso como mais chance de controle fiscal”, resume a análise que circula entre gestores nesta segunda. Nomes do núcleo mais combativo do bolsonarismo foram eleitos para o Senado, e apostas de Lula nas urnas naufragaram: as ex-ministras Simone Tebet, Marina Silva e Gleisi Hoffmann foram derrotadas nas disputas ao Senado.

O que dizem os analistas sobre o Ibovespa

As projeções para o pregão desta segunda variam de intensidade, mas convergem na direção:

  • Quantitas: alta de 4% a 6% do Ibovespa nesta segunda, com o real 2% mais forte frente ao dólar.
  • Eleven (Fernando Siqueira): continuidade do movimento dos últimos dias — alta do Ibovespa, apreciação do real e queda das taxas de juros de mercado. A casa destaca ainda que, mesmo no Nordeste, “a hegemonia do PT está em claro declínio”.
  • Gestores ouvidos pelo mercado: há quem projete alta de até 7% no Ibovespa e queda de 3% a 4% no dólar, com o índice podendo superar os 200 mil pontos. O ETF EWZ, que replica ações brasileiras em Nova York, chegou a subir cerca de 10% no after market.
  • Goldman Sachs: em análise sobre o ciclo eleitoral, o banco lembra que o MSCI Brazil acumulou altas de 4% a 7% em moeda local entre o primeiro e o segundo turno em 2006, 2018 e 2022 (a exceção foi 2014, com queda de cerca de 5%). O banco vê espaço para reprecificação sobretudo nas ações domésticas, small caps e papéis sensíveis aos juros — justamente o segmento que ficou para trás no ano, enquanto exportadoras de commodities sustentaram o índice.

No mercado de juros, o alívio já aparece nos preços: o juro real do IPCA+ 2040 caiu de 7,8% para 7,2% desde julho, refletindo a expectativa de menor risco fiscal adiante.

Riscos: nem tudo é céu de brigadeiro para o Ibovespa

Apesar do otimismo dominante, há vozes de cautela. Alguns analistas veem espaço para realização de lucros em vez de alta generalizada — afinal, o Ibovespa já subiu cerca de 10% desde as mínimas de meados de agosto e o noticiário eleitoral pode ter sido ao menos parcialmente precificado na sexta-feira.

O principal risco é o próprio segundo turno, em 25 de outubro: a diferença apertada entre os candidatos (menos de 2 pontos percentuais) mantém o cenário em aberto, e qualquer reviravolta nas próximas três semanas pode inverter o movimento. “O segundo turno ainda pode mudar o quadro”, alertam gestores mais cautelosos.

Há ainda fatores externos no radar. O petróleo Brent recua para cerca de US$ 101 (e o WTI para US$ 89,6), o que pode pesar sobre a Petrobras, um dos papéis de maior peso no índice. A China está fechada por feriado nesta segunda, o que reduz a referência para Vale e outras exportadoras.

O que observar nesta semana

A agenda econômica desta segunda ajuda a calibrar o movimento:

  • Boletim Focus, com as novas projeções do mercado para inflação, juros, PIB e câmbio;
  • PMIs de serviços e composto do Brasil, da zona do euro, do Reino Unido e dos EUA;
  • ISM de serviços americano, termômetro da atividade nos Estados Unidos.

A combinação entre o noticiário eleitoral e esses indicadores vai ditar se o rali projetado se confirma — e se tem fôlego para levar o Ibovespa de volta ao recorde do ano, ou até além dos 200 mil pontos, ainda antes do segundo turno.

Por EscobarFontes: Reuters, amadomundo.com, Broadcast/Investalk BB, Gazeta Mercantil, Rico Invest, 05/10/2026.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.