Paris – A onda de calor que avança pelo continente europeu já resultou em cerca de mil mortes acima do esperado na França desde quarta-feira (24), informou a agência nacional de saúde pública. A maioria das vítimas tinha mais de 65 anos, e o número de óbitos em domicílio subiu, sobretudo na região de Paris.
De acordo com previsões meteorológicas, mais de 190 milhões de europeus enfrentariam neste domingo (28) temperaturas iguais ou superiores a 35°C. Cientistas afirmam que se trata do episódio de calor mais intenso já registrado na Europa.
Recordes sucessivos
No sábado (27), a Alemanha atingiu 41,5°C, novo recorde histórico, superando a marca registrada na véspera. O serviço meteorológico alemão não descarta que os termômetros possam chegar perto dos 42°C.
Na República Tcheca, a estação de Doksany, ao norte de Praga, marcou 40,8°C, com previsão de ultrapassar 41°C neste domingo. Na Suíça, Basileia chegou a 39°C, terceiro recorde consecutivo para junho. Já a Dinamarca registrou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país.
Sistemas de saúde e infraestrutura em alerta
A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, declarou ao jornal “La Tribune” que os efeitos do calor podem persistir por até dez dias mesmo após eventual queda nas temperaturas. Em entrevista à emissora BFM, ela alertou que “o episódio ainda não acabou”.
Na Espanha, 212 mortes foram atribuídas ao calor em apenas quatro dias. Hospitais de cidades como Paris e Viena registraram aumento de atendimentos de emergência, enquanto festivais, eventos ao ar livre e manifestações foram cancelados, adiados ou adaptados.
A infraestrutura também sente o impacto. O aquecimento das águas do Danúbio levou a usina nuclear de Paks, na Hungria, a reduzir a geração de eletricidade para manter os padrões de segurança. Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram regras de cancelamento diante do risco de deformação dos trilhos, e rachaduras apareceram em trechos de rodovias.
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Clima extremo e custos econômicos
Pesquisadores indicam que uma onda de calor dessa magnitude seria praticamente impossível sem o aquecimento global causado pela atividade humana. Um bloqueio atmosférico do tipo “ômega” mantém a massa de ar quente estacionada sobre a região, dificultando a chegada de frentes frias.
A economista Katharina Utermöhl, da seguradora Allianz, explicou à Deutsche Welle que temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade em 3% por grau adicional e elevam o consumo de energia em 1,2% por grau. Um estudo da companhia estima que, se a frequência de eventos extremos aumentar, a economia alemã pode acumular perdas de até US$ 131 bilhões entre 2026 e 2030.
Especialistas alertam que episódios como o atual tendem a ser mais frequentes, prolongados e intensos, reforçando a necessidade de adaptação de setores públicos e privados.
Com informações de G1