Terremotos expõem falhas em conjuntos habitacionais erguidos na era Chávez na Venezuela

0

Caracas – Os dois tremores que sacudiram a Venezuela na semana passada devastaram Catia La Mar, no estado de La Guaira, e colocaram o conjunto Urbanismo Hugo Chávez no epicentro da tragédia. Imagens de satélite analisadas pelo laboratório AI for Good, da Microsoft, indicam que cerca de um terço das quase 30 mil edificações da cidade sofreu danos.

Edifícios desabam e moradores perdem tudo

Grande parte dos mais de 190 prédios do Urbanismo Hugo Chávez ruiu. “Perdi todo o meu apartamento”, contou a moradora Yelsa Rojas, que ocupava o segundo andar do bloco apelidado de “Los Cocos” desde 2015. No momento dos abalos, ela estava em uma consulta médica. “Acreditamos que todos no segundo andar estejam mortos”, lamentou.

Engenheiros pressionam por auditoria

Enquanto equipes de resgate ainda buscam sobreviventes sob os escombros, arquitetos e engenheiros voluntários alertam que outras construções podem estar à beira do colapso. Fissuras profundas expõem materiais de baixa qualidade em diversos blocos do conjunto.

A vice-presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou a criação de uma comissão para avaliar os danos, sem informar quando as inspeções começarão. “É criminoso o governo não aceitar mais rapidamente a ajuda de engenheiros e universidades”, criticou Enrique Larrañaga, arquiteto e urbanista da Universidade Simón Bolívar.

Construções aceleradas e pouca fiscalização

Os complexos como o Urbanismo Hugo Chávez começaram a ser erguidos pouco antes das eleições de 2012, durante o governo Hugo Chávez (1999-2013), que prometia milhões de moradias populares. O presidente Nicolás Maduro manteve a meta. Profissionais do setor afirmam que, com a centralização do poder, controles de qualidade foram afrouxados e parte da mão de obra especializada se perdeu após a crise econômica de 2013.

As obras ficaram a cargo de órgãos estatais e construtoras de China, Turquia e Belarus sob supervisão militar, em processos pouco transparentes, segundo os especialistas.

Solo vulnerável amplia o risco

A fragilidade do terreno em La Guaira — formado por areia solta, cascalho e detritos entre montanhas e o mar — potencializa o efeito das ondas sísmicas, aumentando a vibração e o perigo de liquefação. Edifícios antigos que não foram adequados às normas atualizadas após o terremoto de 1967 estão entre os mais suscetíveis.

“Alguns países, como Japão, Nova Zelândia e Estados Unidos, reforçaram estruturas de concreto; outros não”, explicou David Cocke, ex-presidente do Earthquake Engineering Research Institute, ao comentar os colapsos “andar por andar” observados na Venezuela.

Moradores em abrigos provisórios

Rodríguez informou que acampamentos temporários estão sendo montados para as famílias desabrigadas e prometeu projetos de novas moradias em “prazo muito curto”. Enquanto isso, grupos de engenheiros civis, coordenados por profissionais como Glennys Gonzalez, oferecem avaliações gratuitas às comunidades. Relatórios preliminares apontam que protocolos básicos foram ignorados em vários prédios, mas ainda não há explicação definitiva para a resistência de algumas torres e o colapso total de outras.

As equipes de resgate permanecem no local, e especialistas insistem que uma auditoria ampla e imediata é essencial para evitar novas tragédias.

Com informações de G1

Share.
Avatar

Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.