O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) distribuiu, nesta quinta-feira (20), o tempo que cada candidato à Presidência da República terá no rádio e na televisão entre 28 de agosto e 1º de outubro. A coligação encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com a maior parcela: 5 minutos e 31 segundos por dia, além de 433 inserções ao longo da programação das emissoras.
Na outra ponta, o Avante, de Augusto Cury, disporá de apenas 35 segundos diários e 47 inserções. Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) preencherão, respectivamente, 4 minutos e 20 segundos e 2 minutos e 2 segundos a cada bloco do horário eleitoral obrigatório, quadro que reproduz a força de cada legenda na Câmara dos Deputados.
Como ficou a divisão de tempo diário
- Coligação Brasil Pronto para Mais – Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 5 min 31 s
- PL – Flávio Bolsonaro: 4 min 20 s
- PSD – Ronaldo Caiado: 2 min 2 s
- Avante – Augusto Cury: 35 s
Rodízio de exibição
Por sorteio, o Avante abrirá a propaganda no primeiro dia. Em seguida virão PSD, PL e, por fim, a coligação de Lula. Nos dias posteriores, a sequência mudará em sistema de rodízio, garantindo equilíbrio na exposição inicial de cada programa.
Inserções ao longo da grade
Além dos blocos fixos — dois por dia, com 12 minutos e 30 segundos cada —, as campanhas contam com inserções de 30 e 60 segundos distribuídas na programação comercial das emissoras. A fatia foi definida assim:
- Coligação Brasil Pronto para Mais: 433 inserções
- PL: 339 inserções
- PSD: 159 inserções
- Avante: 47 inserções
Critério de cálculo
A Constituição garante acesso gratuito ao rádio e à TV, mas o tamanho do espaço é proporcional ao peso que cada partido ou federação tem atualmente na Câmara dos Deputados. Cada legenda soma seu número de parlamentares; coligações ou federações somam os respectivos totais. Depois, aplica-se a divisão percentual sobre 10 minutos por bloco (os 5 minutos restantes são distribuídos de forma igualitária).
No caso de Lula, a aliança reúne: Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) com 81 deputados, Federação PSOL/Rede, PDT e PSB. O conjunto eleva a representação para 127 cadeiras, garantindo a dianteira nos minutos e inserções.
Flávio Bolsonaro, embora conte com o PL — bancada de 98 deputados —, optou por concorrer sem aliados formais; isso reduziu seu tempo em comparação ao petista. O PSD de Ronaldo Caiado soma 42 parlamentares, enquanto o Avante aparece com 7, o mínimo para acessar o horário gratuito. Demais pré-candidaturas não atingiram a cláusula de desempenho: 13 assentos na Câmara ou, alternativamente, 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal.
Por que o tempo importa
Desde a redemocratização, o horário eleitoral se consolidou como principal vitrine para candidaturas de menor visibilidade, sobretudo nas regiões com menor penetração de internet. Minutos disponíveis permitem ampliar a exposição de propostas e reforçar a identidade do candidato, enquanto as inserções — exibidas em diferentes horários — impactam públicos variados, do jornal matutino ao horário nobre.
Especialistas em marketing político lembram, no entanto, que o volume não garante, sozinho, vantagem nas urnas. Em 2018, por exemplo, Jair Bolsonaro conquistou o Palácio do Planalto com apenas 8 segundos de TV, impulsionado por redes sociais. Ainda assim, campanhas robustas insistem no argumento de que a televisão segue relevante para convencer o eleitor indeciso.
Estratégias em jogo
Aliados de Lula comemoram o resultado. Segundo integrantes do QG petista, o objetivo é usar parte do tempo para exibir peças curtas de contrastes entre a gestão do ex-presidente e a atual conjuntura econômica, além de humanizar o candidato em estados onde perdeu terreno em eleições passadas.
Já o PL pretende compensar a diferença apostando em inserções com recortes regionais e forte presença digital. A campanha de Flávio Bolsonaro prepara uma linha editorial que mistura agendas temáticas — segurança pública e economia liberal — com depoimentos de eleitores e parlamentares alinhados ao bolsonarismo.
No PSD, aliados de Caiado afirmam que a estratégia será “cirúrgica”: concentrar as mensagens em soluções para a alta de preços, tema no qual o governador goiano ganhou projeção ao anunciar cortes de impostos estaduais. O Avante, por sua vez, deve focar em propostas relacionadas à saúde mental, área de atuação do escritor Augusto Cury, buscando chamar atenção para um nicho ainda pouco explorado no debate nacional.
Calendário das eleições 2026
Conforme a legislação, o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, quando eleitores escolherão presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Caso nenhum presidenciável ultrapasse 50% dos votos válidos — excluídos brancos e nulos —, haverá segundo turno em 25 de outubro.
Próximas etapas do processo eleitoral
- 26 de agosto: início da propaganda eleitoral em vias públicas e internet;
- 28 de agosto: estreia do horário gratuito no rádio e TV;
- 1º de outubro: encerramento dos programas em rede;
- 2 e 3 de outubro: período de reflexão sem comícios nem alto-falantes;
- 4 de outubro: votação do primeiro turno;
- 25 de outubro: eventual segundo turno para presidente e governadores.
Com a divulgação dos tempos, as campanhas correm para finalizar roteiros e reservar estúdios. Equipes de produção calculam que cada minuto de TV, em média, exige de cinco a seis horas de gravação, além de pós-produção. A logística inclui deslocamento de candidatos, aprovação de peças pelo jurídico e envio ao pool de emissoras pelo sistema eletrônico do TSE, que checa metadados para evitar exibições fora do horário permitido.
Fiscalização e punições
Veiculação irregular, uso de material que configure propaganda negativa sem lastro em fatos ou violação de direitos autorais podem acarretar multa de até R$ 106 mil por exibição, cassação do tempo equivalente ou, em casos graves, eventual ação de investigação judicial eleitoral. O tribunal mantém plantão permanente durante a faixa noturna para julgar liminares que peçam suspensão imediata de peças consideradas ofensivas ou que disseminem desinformação.
Para cidadãos, a Justiça Eleitoral disponibiliza o aplicativo Pardal, canal oficial para denúncias de infrações. O envio de vídeos ou fotos facilita a apuração, e cada ocorrência gera protocolo com resposta obrigatória das zonas eleitorais em até cinco dias.
Rádio segue predominante no interior
Levantamento interno da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) mostra que, em municípios com menos de 50 mil habitantes, o rádio atinge 87% dos domicílios, superando a penetração da internet. Por isso, campanhas destinam parte significativa do orçamento à produção de spots sonoros adaptados aos sotaques regionais, recurso que busca aproximar o eleitor da mensagem.
Além disso, o horário eleitoral no rádio vai ao ar pela manhã (7h às 7h12 e 7h às 7h05 aos sábados) e ao meio-dia (12h às 12h12 e 12h às 12h05 nos sábados), coincidindo com momentos de deslocamento para o trabalho e intervalo de almoço, o que amplia a audiência de faixas populares.
TV impulsiona recall nas capitais
Na televisão, a força está na imagem. Estudo da Fundação Getulio Vargas revela que candidatos com mais de três minutos diários costumam ter aumento médio de 4 pontos percentuais na lembrança espontânea após duas semanas de exibição contínua. O efeito, porém, depende da qualidade de produção e da consistência do discurso.
Diante desse cenário, as quatro campanhas habilitadas calibram expectativas. Enquanto Lula dispõe de longa vitrine, adversários acreditam que a fragmentação do voto e a comunicação multiplataforma podem reduzir o peso do horário tradicional. Resta saber como o eleitor reagirá quando os jingles voltarem a tomar conta do noticiário a partir do fim de agosto.