
Resumo da Notícia
- O Papa Leão XIV inicia nesta sexta-feira (6) sua primeira viagem à América Latina como pontífice, um roteiro de 6 a 17 de novembro por Uruguai, Argentina e Peru, com dez cidades e cerca de 31 mil quilômetros de deslocamentos.
- A ordem das etapas é Uruguai (6 a 8 de novembro, Montevidéu, Paysandú e Florida), Argentina (8 a 11, Buenos Aires, Córdoba e Luján) e Peru (11 a 17, Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa), onde Leão XIV viveu como missionário e bispo e do qual é cidadão.
- Segundo a Reuters, a jornada é uma das mais exigentes de um líder católico em décadas, com missas ao ar livre para milhões de fiéis, encontros com autoridades e vigílias com jovens em uma região onde a identidade católica diminui, mas a fé permanece forte.
O Papa Leão XIV começa nesta sexta-feira (6) a viagem mais simbólica do seu pontificado até aqui: a primeira visita à América Latina desde a eleição, em maio de 2025. Segundo a Reuters, o pontífice de 71 anos, o primeiro nascido nos Estados Unidos a comandar a Igreja Católica, percorrerá Uruguai, Argentina e Peru entre 6 e 17 de novembro, em uma jornada de cerca de 31 mil quilômetros que o Vaticano manteve integralmente conforme o programa original. De acordo com a ACI Digital, o avião papal parte do Aeroporto Internacional de Roma/Fiumicino às 7h desta sexta, com destino a Montevidéu, abrindo uma agenda que combina missas campais, encontros com autoridades, visitas a santuários marianos e reencontros pessoais com a terra onde ele construiu boa parte da própria trajetória sacerdotal.
Não se trata de um roteiro qualquer. A América Latina continua sendo o maior reduto católico do planeta, mas é também a região onde a identificação com a Igreja mais recua. Segundo a Reuters, uma pesquisa do instituto Pew de 2024, feita em seis dos países mais populosos da região, mostrou que em todos eles menos pessoas se declaram católicas do que há uma década — ainda que a crença em Deus siga profundamente enraizada. É nesse cenário de fé viva e pertencimento em transformação que Leão XIV desembarca, com a missão declarada de anunciar o Evangelho, promover a unidade e estar próximo dos mais pobres.
Uma jornada de dez cidades e agenda cheia
O programa divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé e reproduzido pela ACI Digital prevê dez cidades em três países: Montevidéu, Paysandú e Florida, no Uruguai; Buenos Aires, Córdoba e Luján, na Argentina; e Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa, no Peru. Segundo a Reuters, a logística inclui 12 voos e dois deslocamentos de helicóptero para alcançar comunidades andinas remotas, além de dezenas de compromissos públicos e privados, entre celebrações litúrgicas, discursos a líderes políticos e vigílias de oração com jovens nas três capitais. Para um pontífice de 71 anos, é um ritmo que a própria imprensa internacional classifica como um dos mais intensos já assumidos por um papa em décadas.
A atenção ao continente, aliás, vai além da agenda religiosa: nas mesmas semanas, a América Latina ocupa o centro da cobertura internacional em frentes bem diferentes, como mostrou o terremoto de magnitude 5,6 que deixou um ferido na Colômbia, com epicentro em Chaparral. A viagem papal adiciona a esse cenário um capítulo de enorme peso simbólico, capaz de mobilizar governos, multidões e comunidades inteiras por onde o roteiro passar.
Uruguai: anunciar a fé no país mais secular da região
A primeira etapa é a mais curta e, talvez, a mais desafiadora do ponto de vista pastoral. De 6 a 8 de novembro, Leão XIV permanece no Uruguai, país de forte tradição secular, onde a religião ocupa pouco espaço nas instituições e na vida pública. De acordo com o programa oficial, além da capital Montevidéu, o Papa visita Paysandú e Florida. Nesta última, no domingo (8), celebra missa às 10h30 na praça da Catedral Basílica de Florida, Santuário Nacional da Virgem dos Trinta e Três, a padroeira do país, conforme detalhou a ACI Digital.
O peso histórico da parada é grande: será a primeira visita de um papa ao Uruguai desde a viagem de São João Paulo II, em 1988. Segundo a Reuters, Leão XIV se tornará apenas o segundo pontífice a visitar Uruguai e Argentina, depois de João Paulo II no fim dos anos 1980 — um intervalo de quase quatro décadas sem a presença de um papa nos dois países do Rio da Prata.
Argentina: a terra de Francisco recebe o sucessor
Ainda no domingo (8), o Papa cruza para a Argentina, onde fica até o dia 11, com passagens por Buenos Aires, Córdoba e Luján. A etapa carrega uma carga emocional evidente: é a terra natal de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, que em 12 anos de pontificado nunca conseguiu visitar o próprio país. Segundo a Reuters, a presença de Leão XIV será inevitavelmente lida à luz dessa memória — o sucessor fazendo a viagem que o antecessor argentino não fez.
Em Luján, o pontífice peregrina ao santuário de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, imagem venerada que atrai milhões de peregrinos todos os anos. De acordo com a ACI Digital, a visita ao santuário é um dos pontos altos da etapa argentina, ao lado dos encontros com autoridades civis, representantes de outras comunidades cristãs e de outras religiões e responsáveis pelo mundo do trabalho, em Buenos Aires. Em Córdoba, uma das cidades do roteiro, paróquias inteiras se prepararam por meses para a passagem do Papa. A etapa se encerra na quarta-feira (11) com um gesto típico do estilo de Leão XIV: pela manhã, segundo o programa reproduzido pela ACI Digital, ele visita o Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires, antes de embarcar, às 14h, no voo que o leva a Lima.
Peru: o retorno à terra da missão e da cidadania
Se o Uruguai é o desafio e a Argentina é a homenagem, o Peru é o retorno para casa. De 11 a 17 de novembro, na etapa mais longa da viagem, Leão XIV visita Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa. Foi no Peru que Robert Prevost chegou como missionário em 1985, aos 30 anos, e onde serviu por cerca de duas décadas, até se tornar bispo de Chiclayo e, mais tarde, cidadão peruano — o primeiro papa em séculos a ter atuado como missionário no exterior, segundo a Reuters. Antes de ser chamado a Roma, em 2023, construiu no norte do país as relações que definiram seu ministério: comunidades que o viram distribuir alimentos em tempos de crise, levar ajuda após enchentes e caminhar ao lado de migrantes.
Os momentos mais pessoais da agenda estão justamente em Chiclayo, sua antiga diocese. De acordo com a ACI Digital, o Papa chega à cidade na sexta-feira (13) e, no sábado (14), preside o rito de coroação da Virgem Imaculada na Catedral de Santa Maria — a mesma catedral onde recebeu a ordenação episcopal. A programação peruana inclui ainda missas ao ar livre que devem reunir milhões de pessoas, a subida a Cusco, a mais de 3.300 metros de altitude, e a ida a Pucallpa, no coração da Amazônia peruana, para o encontro com missionários e comunidades locais. Segundo o Vaticano, conforme informou a Reuters, estão previstos também encontros reservados com sobreviventes de abusos cometidos por membros do clero, prática que Leão XIV tem repetido em suas viagens ao exterior.
O que esta viagem diz sobre o pontificado
Ao escolher a América Latina para a sua primeira grande jornada no continente onde viveu metade da vida sacerdotal, Leão XIV sinaliza onde pretende gastar energia: nas periferias, na unidade de sociedades divididas e numa Igreja que precisa se reaproximar dos fiéis que se afastam. A agenda pública se concentra até o dia 16, em Lima, e a viagem se encerra oficialmente no dia 17, com o retorno a Roma. Para acompanhar o pontificado que agora cruza o Atlântico rumo ao sul, vale rever a cobertura do RSO Notícias sobre o Papa Leão XIV e seguir, a partir desta sexta-feira, cada etapa de um roteiro que mistura diplomacia, devoção popular e uma inegável história pessoal.
