Petro pressiona governo de la Espriella por ação imediata após terremoto que matou 111 na Colômbia

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O ex-presidente colombiano Gustavo Petro cobrou, nesta segunda-feira (10/8), uma resposta “imediata e coordenada” do governo de Abelardo de la Espriella ao terremoto de magnitude 7,4 que sacudiu o país ao amanhecer, provocando 111 mortes, 87 feridos e estragos em várias regiões. Em mensagens nas redes, Petro exigiu mobilização completa da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) e atenção especial a crianças, idosos e pessoas com deficiência.

A pressão se soma ao clima político tenso desde a contestada eleição de la Espriella, alvo frequente de críticas de Petro. Após o tremor, o ex-mandatário publicou a frase enigmática “A terra grita e quem escuta?”, entendida como recado ao novo presidente. Enquanto isso, o Palácio de Nariño declarou estado de emergência e deslocou forças civis e militares para as áreas mais atingidas.

Pressão política em meio ao luto

Petro exigiu publicamente que a UNGRD apresente dados sobre a situação da hidrelétrica de Hidroituango, considerada estratégica para o abastecimento elétrico colombiano. Segundo ele, qualquer dano à barragem “representa risco nacional” e exige monitoramento permanente. O ex-chefe de Estado também solicitou atuação conjunta dos ministérios da Saúde, Defesa e Infraestrutura para agilizar resgates, montar alojamentos temporários e garantir a distribuição de água potável e alimentos.

Para Petro, não pode haver “territórios esquecidos nem cidadãos de segunda categoria” durante emergências. Ele afirmou ainda solidariedade às populações de San José del Palmar, Río Iró, Nóvita e Quibdó, no Chocó, além de famílias em Chaparral, Coello, Payandé, Ibagué, Pereira, Manizales, Armenia, Cali e Bogotá.

Balanço atualizado de vítimas e estragos

Em pronunciamento, o presidente Abelardo de la Espriella confirmou 111 mortos e 87 feridos. O relatório inicial aponta:

  • 37 casas totalmente destruídas;
  • 61 edifícios com colapso estrutural;
  • 18 centros de saúde fora de serviço;
  • 18 estradas com bloqueios ou rachaduras;
  • 1 aeroporto danificado.

A cidade de Pereira, no departamento de Risaralda, concentra o maior número de óbitos. Mortes também foram confirmadas nos departamentos de Valle del Cauca, Chocó, Caldas e Antioquia. O governo mobilizou helicópteros da Força Aérea para transportar feridos a hospitais de maior capacidade e distribuiu tendas para abrigar famílias desalojadas.

Como foi o terremoto de 7,4

O Serviço Geológico Colombiano (SGC) registrou o abalo às 7h34 (horário local), com epicentro a poucos quilômetros de San José del Palmar, departamento de Chocó, e profundidade estimada em 100 km. O USGS, agência norte-americana, confirmou magnitude 7,4 e profundidade de 107 km. Foi o sismo mais forte sentido na Colômbia em dez anos.

Ondas sísmicas se propagaram por parte do território nacional, fazendo prédios balançarem em Bogotá, Medellín, Cali, Pereira e Manizales. Minutos depois, réplicas menores foram relatadas pelo SGC, aumentando o receio de novos desabamentos.

Por que a profundidade importa

Especialistas explicam que tremores a grande profundidade costumam gerar ondas de impacto mais amplas, mas com energia parcialmente dissipada antes de chegar à superfície. Ainda assim, a magnitude elevada de 7,4 e a proximidade de centros urbanos explicam os danos extensos.

Regiões mais atingidas

O departamento de Risaralda, onde fica Pereira, relatou colapso de pontes e desmoronamento de encostas, dificultando o acesso terrestre. No Valle del Cauca, prédios antigos em Cali tiveram fachadas rachadas. Já em Chocó, epicentro do tremor, povoados como Río Iró e Nóvita registraram casas de madeira inteiramente no chão.

Na zona andina, Manizales reportou queda parcial da torre de uma igreja histórica. Em Bogotá, embora não haja vítimas, o tremor causou evacuação preventiva de edifícios comerciais. Técnicos municipais avaliam a estabilidade de colunas e sistemas elétricos.

Resposta governamental e gargalos

O gabinete de crise montado por la Espriella determinou liberação emergencial de verbas para reconstrução. A prioridade, segundo o Ministério da Saúde, é reativar 18 unidades de atendimento danificadas. No entanto, líderes locais reclamam de falta de pessoal treinado para operar maquinário pesado em áreas rurais.

Nesse cenário, a cobrança de Petro ganha eco em governadores e prefeitos que pedem mais helicópteros e equipes de busca. Organizações humanitárias relatam dificuldades para chegar a comunidades isoladas por deslizamentos nas estradas de Caldas e Antioquia.

Preocupação com Hidroituango

A maior usina hidrelétrica da Colômbia, situada no rio Cauca, é monitorada 24 horas por engenheiros da EPM. Até o momento, não foram detectadas fissuras na barragem, mas sensores acusaram vibrações acima do normal durante o sismo. Caso ocorram danos, regiões densamente povoadas a jusante correm risco de inundações.

Petro afirma que relatórios parciais não bastam e exige auditoria independente. A administração de la Espriella prometeu divulgar boletins técnicos diários sobre a estabilidade do empreendimento.

Assistência a grupos vulneráveis

As autoridades de Defesa Civil instalaram 40 abrigos temporários em escolas e ginásios. Equipes priorizam o registro de crianças desacompanhadas, idosos doentes e pessoas com deficiência motora. A Cruz Vermelha distribui kits de higiene, cobertores e água potável, enquanto o Exército monta cozinhas de campanha.

Entidades locais alertam para a escassez de medicamentos crônicos e pedem doações de insulina, anticonvulsivantes e antibióticos. O Ministério da Educação suspendeu aulas em 12 municípios para avaliar a segurança de prédios escolares.

Próximos passos

O presidente de la Espriella convocou reunião extraordinária com governadores e ministros para revisar o plano de reconstrução. Entre as primeiras ações estão o mapeamento de moradias em áreas de alto risco, liberação de linhas de crédito a microempresas afetadas e reforço de contenções em rodovias estratégicas.

Especialistas em geologia alertam para possíveis réplicas nos próximos dias, recomendando que a população mantenha rotas de evacuação livres e kits de emergência à mão. A comunidade científica também defende atualização do código de construção civil para reduzir vulnerabilidades em futuras ocorrências.

Enquanto o país enterra seus mortos, o embate político entre Petro e la Espriella promete esquentar o debate sobre a eficácia do sistema nacional de resposta a desastres. Para milhares de colombianos que perderam casas e entes queridos, porém, a urgência tem outra medida: reconstruir a vida antes que a terra volte a tremer.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.