Havana acusa EUA de usar crise energética para fomentar instabilidade em Cuba

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A cúpula do governo cubano atribui o agravamento da crise energética que mantém a ilha às escuras por até 20 horas a uma ofensiva coordenada pela Casa Branca. Na avaliação de diplomatas em Havana, Washington tenta provocar desordem interna a fim de legitimar futuras ações contra o país, repetindo o roteiro visto recentemente na Venezuela, onde forças norte-americanas prenderam Nicolás Maduro e alteraram o comando político.

O diagnóstico cubano aponta para um ciclo de asfixia econômica reforçado no segundo mandato de Donald Trump: corte do petróleo venezuelano que alimenta as usinas térmicas da ilha, ameaças de sanções a terceiros que se disponham a abastecer Havana e novas punições direcionadas a militares e estatais cubanas. O resultado tem sido apagões prolongados, queda na produção e protestos populares que, segundo as autoridades locais, são incentivados por campanhas dos Estados Unidos.

Crise energética e colapso econômico

Combustível venezuelano sob bloqueio

Desde o início do ano, o Departamento de Estado norte-americano ordenou a suspensão dos embarques de petróleo venezuelano para Cuba. Caracas respondia por parcela decisiva do suprimento da ilha, mas a mudança de poder no país vizinho, após a captura de Maduro e a posse de Delcy Rodríguez com apoio direto de Washington, esvaziou esse canal. O governo Trump ainda baixou decreto ameaçando tarifar nações que assumissem o papel de fornecedoras, ampliando o isolamento energético cubano.

Sistema elétrico precário e apagões

Cerca de 70% da geração cubana depende de usinas térmicas movidas a derivados de petróleo. Com o insumo represado, grupos geradores pararam e linhas de distribuição antigas, carentes de manutenção, entraram em colapso. Cidades inteiras registram cortes de luz que se estendem por quase um dia, afetando hospitais, transporte e a já combalida rede de alimentos refrigerados. Economistas locais estimam perdas ainda incalculáveis para a produção industrial e para o turismo, setores que sustentam as reservas de divisas.

Estratégia norte-americana segundo Havana

Embargo histórico mantém asfixia financeira

O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos em 1962 continua a ser o eixo da narrativa cubana. Há mais de três décadas, a Assembleia-Geral da ONU tenta aprovar resoluções que recomendam o fim das restrições, sempre barradas por Washington e aliados. Para Havana, o cerco financeiro impede a compra de peças, tecnologia e insumos básicos, perpetuando um quadro de subdesenvolvimento que se agrava sempre que novas sanções são adicionadas.

Novas sanções e discursos de Washington

Além do bloqueio, o atual governo norte-americano aplica punições pontuais a militares, empresas estatais e autoridades cubanas. O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes da ilha, acusa a cúpula local de desviar “bilhões de dólares” e responsabiliza o próprio governo pelos blecautes, falta de combustível e escassez de alimentos. Ele alega oferecer à população “uma nova Cuba” mediante abertura política alinhada a Washington. Para diplomatas cubanos ouvidos pela reportagem, trata-se de uma construção narrativa que antecede possíveis intervenções, do mesmo modo que ocorreu em Caracas.

Efeito nas ruas e temor de intervenção

Protestos internos ganham força

Com a oferta de serviços básicos comprometida, grupos de moradores tomaram as ruas de Havana, Santiago e outras cidades em busca de soluções imediatas. Embora as manifestações tenham motivações econômicas, o governo argumenta que agentes externos amplificam o descontentamento por meio de mídias sociais e canais de TV financiados por entidades norte-americanas. A retórica oficial tenta dissociar a gestão de Miguel Díaz-Canel do colapso e atribuir responsabilidade direta ao embargo e às sanções recentes.

Lições da Venezuela alimentam apreensão

A intervenção militar que resultou na prisão de Maduro serve de alerta permanente para Cuba e para outros países latino-americanos que mantêm relações tensas com Washington. A política externa conduzida por Rubio aproximou os Estados Unidos de governos de direita na região, reativando a disputa por influência que marcou a Guerra Fria. Analistas em Havana temem que a combinação de crise humanitária, protestos e desgaste econômico ofereça pretexto para ações semelhantes às registradas em Caracas.

Enquanto o impasse perdura, a população cubana vive sob racionamento de energia, transporte irregular e incertezas em relação ao abastecimento de alimentos. Fontes diplomáticas afirmam que Havana procura novos parceiros para garantir combustível, mas qualquer negociação esbarra na possibilidade de retaliação norte-americana. O tabuleiro latino-americano, reforçam os interlocutores, reposiciona a ilha mais uma vez no centro da disputa geopolítica entre Estados Unidos e governos que resistem à influência de Washington.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.