Escola bombardeada no sul do Irã vira memorial para mais de 100 crianças mortas

0

A antiga Shajareh Tayyebeh, em Minab, já não é sinônimo de recreio e carteira escolar. Desde o ataque de 28 de fevereiro, que matou mais de 100 alunos segundo autoridades iranianas, o prédio de dois andares virou palco de luto coletivo. Fotos das vítimas ocupam a passarela principal, substituindo desenhos infantis que antes adornavam o portão azul da entrada.

Enquanto familiares circulam entre imagens de aniversários interrompidos, o governo da província de Hormozgan anunciou que as ruínas serão transformadas em museu e memorial de guerra. A decisão busca preservar vestígios da ofensiva atribuída a mísseis norte-americanos, embora Washington até agora não tenha assumido a autoria.

Bombardeio no primeiro dia de conflito

O ataque ocorreu nas primeiras horas do confronto armado que Teerã atribui aos Estados Unidos e a Israel. Relatos locais apontam que o projétil atingiu uma das alas da escola enquanto as crianças chegavam para a aula. Investigações da Associated Press detectaram fragmentos compatíveis com armamento norte-americano, mas a Casa Branca, sob administração Trump, mantém silêncio oficial.

Ausência de responsabilização

Mesmo passados meses, o Pentágono não tornou público nenhum laudo. O vácuo de informações alimenta indignação entre parentes de vítimas e reforça a pressão internacional por transparência nas operações militares na região.

Estrutura congelada no tempo

A redação da AP teve acesso ao interior do edifício e descreveu carteiras soterradas por lajes, quadros-negros partidos ao meio e material escolar coberto de poeira. Nada foi removido desde a explosão, atendendo a apelos de moradores que querem preservar cada centímetro como registro histórico.

Portão intacto, dor permanente

Do lado de fora, ainda se vêem desenhos de lápis gigantes, mapas do Irã e retratos de cientistas persas. O contraste entre o colorido infantil e a destruição interna reforça o clima de luto: visitantes percorrem a entrada vendo, primeiro, fotos das crianças vivas; em seguida, os mesmos rostos emoldurados por faixas pretas.

Projeto de memorial e museu

Mohammad Ashouri Taziani, governador de Hormozgan, confirmou que arquitetos e historiadores foram convocados para criar um caminho expositivo que una sala de aula intacta, destroços do míssil e depoimentos de sobreviventes. Segundo ele, o espaço ganhará sinalização bilíngue (persa e inglês) para receber estrangeiros.

“Isto não voltará a ser escola”

Essa frase, repetida por professores que perderam alunos, virou mote do projeto. A ideia é transformar a tragédia em alerta permanente sobre os custos humanos da guerra, sobretudo para a população infantil.

Feridos de novo ataque chegam à cidade

Minab voltou ao noticiário na semana passada após nova ofensiva norte-americana na costa sul iraniana. Bombas atingiram um casamento em comunidade vizinha; parte dos feridos foi encaminhada ao hospital local, que já atende sobreviventes do ataque à escola.

Reativação do trauma

A chegada de vítimas adultas e infantis deste novo bombardeio reabriu feridas entre moradores que ainda enterram seus filhos. Psicólogos voluntários relatam aumento de crises de ansiedade e insônia.

Cemitério infantil ocupa quarteirão

A poucos quilômetros da escola, um setor inteiro do cemitério municipal recebeu gramado sintético para facilitar a manutenção das mais de cem sepulturas. Três corpos continuam desaparecidos, segundo líderes comunitários.

Rituais silenciosos

Familiares visitam os túmulos principalmente ao entardecer, quando o calor no sul do Irã ameniza. Mulheres caminham em fila, depositam doces tradicionais e brinquedos sobre as lápides. O choro é contido: a cultura local incentiva o pranto discreto em espaços públicos.

Pressão internacional por respostas

Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch solicitaram investigações independentes, citando possível violação do direito humanitário. Até o momento, nenhuma comissão externa obteve autorização formal para entrar em Minab, embora diplomatas europeus tenham feito visitas esporádicas.

Diplomacia travada

O governo iraniano condiciona negociações sobre a presença de observadores à admissão de responsabilidade por parte de Washington. Sem acordo, as famílias continuam à espera de reconhecimento oficial do que ocorreu naquele 28 de fevereiro.

Economia local afetada

A destruição da Shajareh Tayyebeh gerou também impacto financeiro. Comerciantes que vendiam material escolar registraram queda de 60% nas vendas, segundo a câmara de comércio de Minab. A própria prefeitura calcula prejuízo de US$ 3 milhões com a paralisação de aulas e realocação de estudantes em prédios improvisados.

Educação em contêineres

Até que novas salas sejam construídas em terreno afastado, alunos sobreviventes frequentam aulas em unidades móveis instaladas no pátio de uma mesquita. Professores relatam dificuldade de concentração dos menores, muitos dos quais perderam colegas ou irmãos no ataque.

Memória e resistência

A transformação da escola em museu tem cronograma apertado: o governo local prevê inauguração simbólica no próximo aniversário da tragédia. Para isso, arqueólogos urbanos catalogam cada fragmento de parede e pedaço de teto, na tentativa de conservar o cenário tal qual foi deixado pelas explosões.

Arte como catarse

Coletivos culturais organizam oficinas para que crianças desenhem lembranças dos colegas mortos. Os trabalhos deverão compor a exposição permanente, reforçando a narrativa de que, mesmo em ruínas, a escola continua a ensinar — agora sobre custo da guerra e valor da vida.

Share.
Avatar

Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.