
Resumo da Notícia
- A Fazenda Sossego, de 661 hectares em Juquiá, no Vale do Ribeira (SP), pertenceu a Pelé por quase quatro décadas e agora está à venda por cerca de R$ 35 milhões.
- Comprada pelo Rei do Futebol no final da década de 1960, a propriedade virou uma operação agropecuária completa: em 2010 chegou a reunir cerca de 1.400 animais, entre porcos, gado nelore e peixes de 18 tanques de piscicultura.
- Cercada de Mata Atlântica e recortada por recursos hídricos às margens do Rio Juquiá, a fazenda tem quase 30 suítes, campo de futebol particular, duas capelas e segue no mercado imobiliário após a morte do jogador, em 2022.
Longe dos estádios, dos flashes e das turnês internacionais, Edson Arantes do Nascimento encontrou no interior paulista um dos seus refúgios mais duradouros. No final da década de 1960, Pelé comprou uma propriedade de 661 hectares em Juquiá, na região do Vale do Ribeira, e a transformou em muito mais do que uma casa de campo: a Fazenda Sossego virou uma operação agropecuária de respeito, com centenas de hectares produtivos, criação de milhares de animais e uma estrutura de lazer à altura do maior jogador de futebol de todos os tempos, segundo o Terra.
O local pertenceu ao Rei do Futebol por cerca de 38 anos e, após sua morte, foi colocado no mercado imobiliário por aproximadamente R$ 35 milhões — o equivalente a cerca de US$ 6,1 milhões. O anúncio, veiculado por uma imobiliária especializada em propriedades rurais de alto padrão, mantém viva a memória de um capítulo pouco conhecido da vida de Pelé: o de fazendeiro.
Onde fica a Fazenda Sossego
A propriedade está localizada em Juquiá, município do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo — reportagens também situam a fazenda entre Juquiá e Registro, cidades vizinhas da região. Envolvida por áreas preservadas de Mata Atlântica e recortada por abundantes recursos hídricos, às margens do Rio Juquiá, a fazenda garantia ao Rei a privacidade e o isolamento ideais para descansar longe dos compromissos, de acordo com a CARAS.
O Vale do Ribeira é uma das regiões de maior riqueza natural do estado de São Paulo, com extensas áreas de floresta nativa e uma vocação histórica para a agricultura familiar e a produção rural. Foi nesse cenário que Pelé decidiu fincar raízes fora dos gramados — e onde o nome dele acabou se misturando à história local: em 1999, o jogador recebeu o título de cidadão honorário de Juquiá e, em 2005, um busto em sua homenagem foi inaugurado na cidade, conforme registrou o jornal regional V2R Notícias.
A compra no auge da carreira
A decisão de investir em terras nasceu ainda no início da trajetória de Pelé, por influência do pai, Dondinho. Segundo o canal Fatos Rurais, citado pela CARAS, ao assinar o primeiro contrato profissional com o Santos, na década de 1950, o jovem craque foi aconselhado a aplicar os ganhos em terras e imóveis — conselho que ele levou a sério pelo resto da vida.
A aquisição da fazenda em Juquiá aconteceu no final dos anos 1960, quando Pelé já era bicampeão mundial e caminhava para a conquista do tricampeonato no México, em 1970. O que começou como um refúgio para descansar entre uma temporada e outra foi ganhando, aos poucos, contornos de empreendimento rural. Inicialmente usada apenas como espaço de descanso, a propriedade foi transformada em uma operação produtiva ao longo das décadas, descreve o RD1.
O hábito de se isolar na propriedade para descansar entre os campeonatos funcionava para o ídolo como uma ferramenta de renovação de energias — um contraponto silencioso à rotina intensa de viagens, patrocinadores e compromissos com a camisa 10 da Seleção, que marcou gerações de brasileiros.
Uma operação agropecuária completa
Cerca de 370 hectares da área total eram voltados inteiramente para o agronegócio, com estradas internas, silos, currais e uma unidade leiteira com sistema mecânico de ordenha, conforme o levantamento do RD1. A propriedade abrigava pecuária de gado nelore, piscicultura em 18 tanques, suinocultura e lavouras de palmito e banana — uma diversificação típica das grandes fazendas do interior paulista.
Os números impressionam: em 2010, a fazenda chegou a ter cerca de 1.200 porcos e 200 cabeças de gado, totalizando aproximadamente 1.400 animais sob os cuidados da equipe da propriedade. A área da fazenda equivale a cerca de 980 campos de futebol — uma dimensão que ajuda a entender por que a administração do local exigia estrutura profissional e recursos expressivos de manutenção.
Além da produção, a fazenda contava com infraestrutura completa de apoio: edificações destinadas à acomodação de colaboradores e administradores, estradas internas em boas condições e toda a logística necessária para uma operação rural de grande porte. Era, na prática, uma empresa do campo com a assinatura do Rei.
Lazer à altura do Rei: quase 30 suítes e campo particular
A Fazenda Sossego também foi planejada para o descanso de Pelé, de familiares e de amigos. A residência principal, apelidada de Casa Rústica, tinha seis suítes, piscina e um salão para encontros. Somando as demais casas e apartamentos espalhados pela propriedade, o complexo oferecia quase 30 suítes para hóspedes, além de sauna, academia, salão de jogos, duas capelas e um lago com pedalinhos, detalha o RD1.
Outra reportagem, também do RD1, descreve quatro sedes, cerca de 20 dormitórios, três piscinas, salões de festas e de jogos e um campo de futebol com vestiário — onde Pelé costumava realizar partidas com convidados. Era o cenário perfeito para reunir amigos do futebol e da vida: depois de uma vida inteira decidindo jogos nos maiores estádios do planeta, o Rei relaxava em partidas descontraídas no próprio quintal, cercado de verde.
A combinação de produção rural séria com lazer de alto padrão fez da Fazenda Sossego um modelo de propriedade multifuncional — capaz de gerar renda no campo e, ao mesmo tempo, servir de porto seguro para uma das personalidades mais famosas do mundo.
A venda após a morte de Pelé
Pelé morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos. Após a morte do jogador, a Fazenda Sossego passou a integrar o conjunto de bens administrados pelos herdeiros e foi colocada à venda por aproximadamente R$ 35 milhões, valor que segue anunciado no mercado imobiliário, segundo o RD1.
De acordo com a CARAS, a propriedade rural atrai atenção especial no espólio justamente pela magnitude: são grandes faixas de Mata Atlântica preservada, estrutura agropecuária consolidada e uma sede equipada com áreas de lazer. Diante dos altos custos de manutenção, os responsáveis pela administração do patrimônio avaliam o destino do imóvel — e as alternativas em discussão incluem a venda para investidores do agronegócio ou a transformação da área em um espaço de conservação ambiental, preservando a natureza presente no terreno.
O fato de a fazenda ter permanecido associada ao nome de Pelé por quase quatro décadas — e de continuar sendo lembrada como “a fazenda do Rei” mesmo depois de deixar o patrimônio da família — mostra a força simbólica do lugar. Para Juquiá e para o Vale do Ribeira, a Fazenda Sossego é mais do que um imóvel rural: é parte da memória afetiva de uma região que conviveu de perto com o maior ídolo do futebol brasileiro.
Um capítulo pouco conhecido do Rei
Pelé passou a maior parte da vida sob os olhos do mundo. Estádios lotados, três Copas do Mundo, viagens internacionais e contratos publicitários marcaram a trajetória do eterno camisa 10. No Vale do Ribeira, porém, o cenário era outro: áreas verdes, animais, plantações, tanques de peixes e estruturas rurais compunham o dia a dia de um Pelé fazendeiro, dedicado à terra com a mesma disciplina que o consagrou nos gramados.
A história da Fazenda Sossego revela esse outro lado do Rei do Futebol — o homem que, longe dos holofotes, transformou 661 hectares de Mata Atlântica em um refúgio produtivo, gerador de empregos e de renda para a região. Agora, à venda por R$ 35 milhões, a propriedade aguarda um novo dono para escrever o próximo capítulo de uma história que começou no final dos anos 1960, quando o maior jogador de todos os tempos decidiu que também queria ser senhor das suas próprias terras.
