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Azul reativa ATR 72-600 estocado desde 2023 e volta a voar

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Resumo da Notícia

  • O ATR 72-600 de matrícula PR-AQI da Azul voltou a transportar passageiros após mais de três anos estocado no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
  • A aeronave passou por voo de teste, traslado e pintura em setembro e foi levada a Viracopos, de onde partiu no sábado (3) o primeiro voo comercial, o AD-2741, com destino a Joinville (SC).
  • A reativação reforça a frota de turboélices da Azul, peça central da estratégia da companhia na aviação regional brasileira.

Um avião que passou mais de três anos parado no pátio de um aeroporto voltou a decolar com passageiros a bordo. O ATR 72-600 de matrícula PR-AQI, da Azul Linhas Aéreas, fez no sábado (3) seu primeiro voo comercial após um longo período fora de operação — e o retorno foi documentado em vídeo por entusiastas da aviação no Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, em Joinville (SC), segundo o AEROIN.

A aeronave havia sido estocada no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), em abril de 2023, e lá permaneceu até meados de setembro deste ano. Para um avião comercial, três anos e meio sem voar é uma eternidade: borrachas ressecam, sistemas precisam ser verificados, e a recertificação para transportar passageiros exige uma sequência rigorosa de procedimentos. O PR-AQI passou por todos eles — e voltou ao céu como se nunca tivesse saído.

A trajetória de volta do PR-AQI

O retorno do turboélice foi uma operação em etapas, acompanhada de perto por quem monitora o tráfego aéreo no Brasil. No dia 15 de setembro, o PR-AQI realizou um voo local de teste ainda na região de Belo Horizonte e, em seguida, um voo de translado até o Aeroporto de São José dos Campos (SP), onde passou por um processo de pintura — etapa que, além do aspecto visual, faz parte da preparação da aeronave para voltar à operação regular, segundo o AEROIN.

Na sexta-feira (2), o avião foi levado de São José dos Campos para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), a principal base operacional da Azul. E no dia seguinte, sábado (3), ele partiu de Viracopos para o primeiro transporte de passageiros: o voo AD-2741, com destino a Joinville, em Santa Catarina.

A chegada à mais populosa cidade catarinense foi registrada pelo canal “Plane Spotter Joinville” no YouTube. O vídeo mostra a chegada do ATR 72, um teste de motor realizado ainda no pátio, o taxiamento e a decolagem de volta — cenas que costumam atrair a atenção de quem acompanha a aviação regional de perto, já que a reativação de uma aeronave estocada há tanto tempo é um evento raro na rotina dos aeroportos.

Os voos do PR-AQI podem ser acompanhados em tempo real pelas plataformas de rastreamento de voos, que já exibem o turboélice de volta à programação da companhia.

O que é o ATR 72-600

O ATR 72-600 é um dos aviões regionais mais vendidos do mundo. Fabricado pela ATR — uma joint venture entre a europeia Airbus e a italiana Leonardo —, o modelo é um turboélice de alta asa projetado para rotas curtas e médias, com capacidade típica de 70 a 72 passageiros.

A versão 600 é a mais moderna da família ATR 72: traz cabine digital com telas de LCD, sistemas de navegação atualizados e motores Pratt & Whitney Canada PW127M, conhecidos pela eficiência no consumo de combustível em voos de curta distância. É justamente essa economia que faz do ATR 72 uma escolha recorrente para ligar cidades do interior a grandes centros — trechos em que um jato seria caro demais para operar e em que as pistas, muitas vezes mais curtas, pedem uma aeronave com boa performance de decolagem e pouso.

No Brasil, o ATR 72 virou sinônimo de aviação regional. Ele opera em dezenas de aeroportos que não comportariam aviões maiores e é o equipamento que mantém conectadas cidades de todos os portes, do interior paulista a comunidades da Amazônia.

A aposta da Azul na aviação regional

A Azul é a companhia brasileira que mais investe na aviação regional. Em abril de 2025, a empresa recebeu dois novos ATR 72-600 — o PR-YXE, batizado de “Somos Azul”, e o PR-YXF, que recebeu o nome de “Alvorada Azul” — e com essas entregas chegou à marca de 42 turboélices na frota, totalizando 225 aeronaves, informou a própria companhia à época.

As novas unidades vieram equipadas com a geração mais recente dos motores PW127XT, da Pratt & Whitney Canada, que prometem redução de até 20% nos custos de manutenção e de pelo menos 3% no consumo de combustível. “O ATR é uma peça estratégica para conectar o Brasil de ponta a ponta. Historicamente, onde voamos com uma aeronave deste modelo, conseguimos impulsionar a demanda e, após determinado período, passamos a operar com aviões maiores”, afirmou Abhi Shah, presidente da Azul, no anúncio.

A lógica é simples e a companhia repete há anos: o turboélice abre a rota, estimula a demanda na cidade atendida e, quando o movimento cresce, a empresa substitui o ATR por um Embraer ou um Airbus maior. É assim que a Azul construiu a maior malha aérea do país em número de cidades atendidas — e é por isso que cada aeronave regional conta.

A empresa também segue ampliando sua presença em rotas regionais e turísticas, como a nova ligação entre Confins e Aracati, no Ceará, e costuma reforçar a oferta em períodos de alta demanda, como nos voos extras programados para o Nordeste no verão.

Trazer um avião estocado de volta não é simples

Reativar uma aeronave que passou anos sem voar é um processo técnico complexo — e caro. Quando um avião fica estocado, ele não é simplesmente “estacionado”: passa por um programa de preservação que inclui a proteção dos motores, a vedação de entradas e saídas, a remoção ou proteção de componentes sensíveis e inspeções periódicas para verificar o estado da estrutura.

Na hora de voltar, o caminho é o inverso. A aeronave passa por inspeções detalhadas de toda a estrutura, dos sistemas hidráulicos, elétricos e de combustível, dos trens de pouso e dos motores. Peças com prazo de validade vencido precisam ser substituídas, e softwares e bancos de dados de navegação, atualizados. O voo de teste — como o realizado pelo PR-AQI em 15 de setembro — serve para validar que tudo funciona dentro dos parâmetros antes que passageiros embarquem.

A pintura, feita em São José dos Campos, também tem função além da estética: a camada de tinta protege a fuselagem contra a corrosão. E o traslado para Viracopos colocou a aeronave na base onde a Azul concentra a manutenção pesada da sua frota.

Todo esse esforço só se justifica quando a companhia enxerga demanda para a aeronave — o que indica que a Azul está vendo espaço para crescer na malha regional nos próximos meses.

O que o retorno significa na prática

Na prática, mais um ATR 72 voando significa mais assentos disponíveis em rotas regionais e mais flexibilidade para a Azul montar sua programação. Cidades atendidas por turboélices dependem dessas aeronaves para se conectar ao restante do país: sem elas, a alternativa costuma ser uma longa viagem de carro ou ônibus até um aeroporto maior.

Joinville, destino do primeiro voo do PR-AQI de volta à ativa, é um exemplo típico. A cidade catarinense recebe voos regulares da Azul e o ATR 72 é o equipamento ideal para a rota a partir de Viracopos — distância compatível com o alcance do turboélice e demanda adequada à capacidade de cerca de 70 assentos.

Para os passageiros, a volta do PR-AQI não muda nada no dia a dia: o avião passou por todas as verificações exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) antes de transportar pessoas. Para quem acompanha a aviação, porém, o retorno de uma aeronave estocada desde 2023 é um sinal de que a frota regional da Azul está ganhando reforço — e de que o céu do interior do Brasil deve ficar ainda mais azul nos próximos meses.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.