
Resumo da Notícia
- No Angelus deste domingo (4/10), na Praça São Pedro, o papa Leão XIV pediu aos fiéis que intensifiquem a oração do Terço no mês de outubro, com atenção especial à Terra Santa e às vítimas inocentes da violência.
- “Rezemos o Terço para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra”, disse o Pontífice, lembrando também os 800 anos da morte de São Francisco de Assis e exortando à construção da concórdia entre os povos.
- O apelo dá sequência ao pedido feito por Leão XIV em 27 de setembro, no Santuário de Lourdes, na França, e foi reforçado na oração do Terço com 700 crianças nos Jardins Vaticanos em 1º de outubro.
O papa Leão XIV renovou neste domingo (4) o apelo pela paz no mundo. Ao final do Angelus, rezado diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, o Pontífice pediu que católicos intensifiquem a oração do Terço durante o mês de outubro, com atenção especial à Terra Santa e às vítimas inocentes da violência. “Rezemos o Terço para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra”, afirmou, segundo o Vatican News.
A data escolhida para o novo apelo não foi por acaso: outubro é tradicionalmente o mês dedicado ao Santo Rosário na Igreja Católica, e o dia 4 de outubro é dedicado a São Francisco de Assis. Ao comentar a liturgia deste 27º Domingo do Tempo Comum, Leão XIV recordou os 800 anos da morte do Pobrezinho de Assis e exortou: “Enquanto celebramos o ano jubilar franciscano, imploremos com perseverança o dom da paz e comprometamo-nos sinceramente a construir a concórdia entre os povos”. O santo italiano, que morreu em 3 de outubro de 1226, é uma das figuras mais associadas à mensagem de paz do catolicismo.
“Não podemos permanecer indiferentes”
O pedido do papa ocorre em um momento de múltiplos conflitos ao redor do mundo. Nas últimas semanas, Leão XIV tem manifestado preocupação com os sofrimentos provocados pelas guerras, mencionando em suas intervenções regiões como Gaza, a Ucrânia e o Irã. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também destacou recentemente que “em Gaza, na Ucrânia e no Irã, as pessoas estão sofrendo”, reforçando o apelo da Santa Sé pela volta aos valores humanos fundamentais.
Durante sua visita ao Santuário de Lourdes, na França, na semana passada, Leão XIV já havia defendido diante das autoridades que “a paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça”, citando as palavras de São João XXIII. O Pontífice afirmou que não se pode permanecer indiferente diante de sofrimentos que ferem a dignidade humana e pediu que ninguém se resigne à perspectiva da guerra como algo “inevitável”.
O apelo de Lourdes
O pedido deste domingo dá sequência a outro apelo feito pelo papa em 27 de setembro. Na ocasião, ao final da missa celebrada no parque do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, Leão XIV convidou todos os fiéis e as comunidades cristãs a rezar o Santo Rosário ao longo do mês de outubro, “com a intenção especial de que cessem as guerras e que a paz se estabeleça entre os povos em conflito”.
“Uma vez que me encontro neste local, gostaria de fazer um apelo que sinto ser especialmente importante. Foi aqui que a Imaculada Conceição apareceu a Santa Bernadette com o terço e, por assim dizer, guiou a sua oração”, disse o Pontífice na ocasião, segundo o Vatican News. A referência é à aparição mariana de 1858, quando a Virgem Maria teria se apresentado à jovem Bernadette Soubirous na Gruta de Massabielle segurando um longo rosário — imagem que o papa descreveu como “um convite perene à oração que transforma os corações e move o mundo”.
Naquele dia, Leão XIV ressaltou que a oração deve ser acompanhada por atitudes concretas: “Acompanhemos esta oração com ações concretas de penitência e misericórdia, com o compromisso de promover sempre o diálogo e a reconciliação. Que nossa Santíssima Mãe interceda por nós!”.
Terço com 700 crianças nos Jardins Vaticanos
O papa não se limitou às palavras. Na última quinta-feira (1º), abertura do Mês do Rosário, Leão XIV desceu até a Gruta de Lourdes, nos Jardins Vaticanos, para rezar o terço ao lado de cerca de 700 crianças e seus familiares — um encontro que reuniu aproximadamente 1.200 pessoas no total. O momento fez parte da iniciativa “Um milhão de crianças rezam o Terço pela paz”, promovida pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), à qual o Pontífice fez questão de aderir pessoalmente.
Pela primeira vez, a campanha não se concentra em uma única data: em 2026, ela se estende durante toda a primeira semana de outubro, de 1º a 7, permitindo que comunidades de diferentes países escolham o momento mais adequado para participar, unidas na mesma intenção. O encerramento coincide com a festa de Nossa Senhora do Rosário, celebrada em 7 de outubro.
Antes de iniciar a oração, o papa saudou as crianças com uma brincadeira — “Estou realmente feliz de estar com vocês. E vocês, estão felizes por terem vindo?” — e explicou que todos estavam reunidos para pedir a Jesus e Maria “um dom especial: a paz para todas as crianças do mundo, especialmente para aquelas que vivem onde há guerra, em tantos países da terra”, segundo a Canção Nova.
Cada criança recebeu um terço, abençoado pelo Pontífice, e as dezenas foram rezadas em cinco idiomas — italiano, árabe, alemão, espanhol e uma quinta língua — simbolizando a dimensão universal da oração. Entre um mistério e outro, foram apresentadas intenções específicas: as crianças da Ucrânia e todas as vítimas da guerra; as famílias da Síria, do Líbano e da Terra Santa, forçadas a abandonar suas casas; os cristãos perseguidos no Paquistão e em outros lugares; a reconciliação no Sudão do Sul; e as famílias de Cuba e da Venezuela, para que não percam a esperança.
“Nesta noite e nestes dias não somos só nós que estamos rezando. Em todo o mundo, um milhão de crianças reza conosco. Um milhão! Pensem nisso: cinquenta milhões de ‘Ave-Marias’ que sobem ao Céu de todas as partes e em todas as línguas da terra pedindo a paz, e que se unem como em uma única e grandíssima coroa do Rosário, para abraçar e unir entre si todos os continentes, as raças e as nações do planeta”, disse o papa.
O cardeal Kurt Koch, presidente da ACN, que acompanhou o encontro, destacou que a iniciativa oferece às crianças uma possibilidade simples e profunda: apresentar a Jesus, com Maria, os sofrimentos e as esperanças da humanidade.
Outubro, o mês do Rosário
A escolha de outubro para a mobilização segue uma tradição antiga da Igreja Católica. O mês é dedicado ao Santo Rosário desde o século XVI, e a festa de Nossa Senhora do Rosário, em 7 de outubro, recorda a Batalha de Lepanto, de 1571 — cuja vitória foi atribuída, pela tradição católica, à oração do Rosário feita por toda a Europa a pedido do papa São Pio V.
Ao longo da história, diversos papas convocaram os fiéis à oração do Terço em momentos de crise. Leão XIV, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, tem mantido a paz como um dos temas centrais do seu pontificado desde os primeiros dias, multiplicando apelos em Angelus, audiências e encontros internacionais.
O que disse o papa hoje
Além do apelo pelo Terço, Leão XIV recordou no Angelus deste domingo a realização de um encontro no Vaticano sobre os 10 anos da exortação apostólica Amoris laetitia, documento dedicado à família publicado pelo seu antecessor, o papa Francisco, em 2016. O gesto reforça a continuidade que o atual Pontífice tem buscado com o legado do papa argentino.
Para os fiéis brasileiros, o apelo do papa ganha uma ressonância especial: o Brasil é o país com o maior número de católicos do mundo, e o mês de outubro também é marcado por grandes expressões de fé no país, como o Círio de Nazaré, em Belém, e as celebrações de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em 12 de outubro.
A oração do Terço proposta pelo papa é uma devoção mariana composta pela meditação dos mistérios da vida de Cristo — gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos — intercalada pela recitação de dezenas de Ave-Marias. Simples e acessível, ela pode ser rezada individualmente, em família ou em comunidade, e é justamente essa capilaridade que a Santa Sé espera mobilizar ao longo de outubro: uma corrente de oração que atravesse fronteiras, idiomas e continentes, unida por uma única intenção — a paz.
