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Temporais deixam 310 mil clientes sem energia no Sul do Brasil

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Resumo da Notícia

  • Os temporais que atingiram o Sul do Brasil entre a noite de sábado (3) e a manhã de domingo (4) deixaram cerca de 310 mil clientes sem energia elétrica, segundo o correiodopovo.com.br.
  • No Paraná, a Copel registrava 308,7 mil desligamentos às 8h de domingo, com o Sudoeste concentrando 91,6 mil ocorrências e ventos de 140 km/h em Nova Prata do Iguaçu.
  • Em Santa Catarina, rajadas de 70 km/h destelharam mais de 20 casas em Xanxerê, árvores bloquearam as SC-480 e SC-155 e cidades como Cerro Negro, Brunópolis, Frei Rogério e Ponte Serrada amanheceram com mais da metade dos imóveis sem luz.

Uma linha de instabilidade que avançou pelo Sul do Brasil entre a noite de sábado (3) e a manhã de domingo (4) deixou um rastro de estragos nos três estados do Sul e derrubou a energia de cerca de 310 mil clientes, segundo o correiodopovo.com.br. Ventos que superaram os 140 km/h em pontos do Paraná, quedas de árvores, destelhamentos, bloqueios de rodovias e prejuízos em propriedades rurais marcaram a passagem do sistema, que chegou acompanhado de chuva intensa e, em alguns pontos, granizo.

O Inmet chegou a emitir alerta vermelho de tempestade para mais de 140 cidades paranaenses, o nível máximo do instituto, com previsão de chuva superior a 100 milímetros ao longo do dia, rajadas acima de 100 km/h e risco de granizo. A frente fria associada à linha de instabilidade avançou do Sudoeste para o Nordeste do estado durante a madrugada, conforme boletins do Simepar e da Climatempo.

Paraná concentra o apagão

O Paraná foi de longe o estado mais atingido em número de interrupções de energia. Segundo boletim da Copel divulgado às 8h deste domingo (4), eram 308,7 mil unidades consumidoras sem luz em todo o estado. As equipes de eletricistas e de manutenção da companhia estão em campo desde a noite de sábado, trabalhando na recomposição da rede elétrica afetada pelos temporais e pelas fortes rajadas de vento que começaram a atingir diversas regiões do estado a partir das 22h30.

O Sudoeste concentra o maior número de casos: 91,6 mil desligamentos. Em Nova Prata do Iguaçu, foram registrados ventos de 140 km/h às 23h30, além de um acumulado de chuvas de 24,4 milímetros, de acordo com os dados repassados pela companhia.

Na região Oeste, são 64,8 mil ocorrências. Em Foz do Iguaçu, os desligamentos chegaram a atingir 28 mil unidades consumidoras por volta das 23h; com a atuação das equipes em campo, o número já havia caído para 4 mil na manhã de domingo. Nas regiões Noroeste e Norte são 52,3 mil e 52,6 mil interrupções, respectivamente — Londrina é o município com o maior número de unidades consumidoras desligadas, com 22,2 mil. Na região dos Campos Gerais e Centro-Sul, registram-se 42,1 mil desligamentos. Na capital, na Região Metropolitana e no Litoral, são 5,2 mil casos.

A Copel orienta que a população mantenha distância de locais com postes quebrados e fios caídos durante e após o temporal, e informa que os trabalhos prosseguem até a completa normalização do sistema elétrico.

Ventos de 140 km/h e chuva pesada

A força do vento impressionou até quem está acostumado com temporais no interior paranaense. Além dos 140 km/h registrados em Nova Prata do Iguaçu, o Simepar apontou volumes expressivos de chuva nas primeiras horas do domingo: Cianorte acumulou 47,2 milímetros, Londrina 44,2 milímetros, Maringá 40,8 milímetros, Cascavel 39,2 milímetros e Palotina 39 milímetros. Em Guarapuava, os dados indicavam 23 milímetros na sede do município, com Laranjeiras do Sul chegando a 30,4 milímetros.

Na noite de sábado, um novo temporal atingiu Marechal Cândido Rondon e municípios da região Oeste. Moradores relataram em grupos de monitoramento do tempo chuvas, ventos fortes e falta de energia em localidades como Estrada Gaúcha, em Maripá; o km 41, em Toledo; a Linha Três Voltas, na divisa entre Marechal Cândido Rondon e Quatro Pontes; e a Linha Sanga Funda, em Quatro Pontes. Na Linha Três Voltas, o vento arrancou parte do telhado de uma propriedade rural, atingindo um chiqueirão de suínos e um barracão de máquinas agrícolas.

As precipitações na região variaram de 34 a 70 milímetros entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, segundo relatos de moradores.

Santa Catarina: casas destelhadas e rodovias bloqueadas

Em Santa Catarina, o forte temporal atingiu as cidades entre a noite de sábado (3) e a madrugada de domingo (4), provocando quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e bloqueios em rodovias. Os maiores transtornos foram registrados no Oeste catarinense.

Em Xanxerê, rajadas de vento de cerca de 70 km/h atingiram o município durante o temporal. Mais de 20 residências sofreram danos nos telhados e as famílias receberam lonas para proteger os imóveis. Na Linha Invernadinha, duas estruturas de galpões também desabaram durante o vendaval. Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros atenderam diversas ocorrências durante a madrugada, e não havia registro de feridos até o início da manhã.

A força do vento derrubou árvores e galhos em diferentes pontos do município, provocando bloqueios parciais ou totais em vias como a SC-480, a SC-155 e as linhas Invernadinha, Serrinha e Pesqueiro do Meio. Equipes trabalharam durante a madrugada para cortar a vegetação e liberar o tráfego.

Cidades catarinenses amanheceram sem energia: no começo da manhã de domingo, municípios como Cerro Negro, Brunópolis, Frei Rogério e Ponte Serrada ainda tinham mais da metade dos imóveis sem luz.

O mesmo sistema que derrubou as redes também escancarou uma cena curiosa em Porto União: a Igreja de Pedra de São Miguel da Serra ficou totalmente em evidência depois que o vento derrubou as árvores ao redor, revelando a construção centenária de basalto aos moradores e visitantes.

Alerta vermelho e a linha de instabilidade

O cenário já vinha sendo acompanhado pelos meteorologistas. Em boletim divulgado na noite de sábado, o Simepar informou que uma linha de instabilidade associada a uma frente fria avançaria pelo Sul do Brasil durante a madrugada e começaria a atuar sobre o Paraná, inicialmente nas regiões Oeste e Sudoeste. Ao longo da manhã, o sistema avançaria de sudoeste para nordeste, atingindo também as regiões centrais, Norte e Leste do estado, com risco elevado de tempestades, raios, rajadas fortes de vento e granizo.

O Inmet manteve o alerta vermelho — “grande perigo” — para 142 cidades paranaenses ao longo de todo o domingo, e avisos laranja e amarelo cobriram outras áreas do estado. O instituto alertou para grande risco de danos em construções, interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores, alagamentos, prejuízos em plantações e transtornos no transporte rodoviário.

Segundo a previsão do Simepar, as áreas de chuva mais intensa avançariam em direção ao Sudeste do Brasil ao longo da tarde, reduzindo gradualmente o risco de temporais no Paraná — mas a chuva ainda poderia persistir, principalmente no Norte e no Leste do estado.

Equipes em campo e a recomposição da rede

As concessionárias mobilizaram operações de emergência para enfrentar a escala dos danos. A Copel informou que eletricistas e técnicos de manutenção atuam desde a noite de sábado na recomposição da rede, priorizando a reconstrução da infraestrutura danificada e o restabelecimento do fornecimento. O Centro de Operações da companhia acompanha em tempo real as ocorrências no estado, em atuação conjunta com o Simepar, para assegurar a prontidão no atendimento.

Os trabalhos de recomposição são complexos: além de religar, as equipes precisam reconstruir trechos inteiros da rede onde postes foram quebrados e cabos rompidos pela força dos ventos. Em alguns pontos, a queda de árvores sobre a fiação dificulta o acesso das equipes, exigindo primeiro o trabalho de corte e remoção da vegetação.

Setembro já havia sido o mês mais chuvoso dos últimos 29 anos no Paraná, segundo o Simepar, com quatro eventos climáticos severos consecutivos. Ao longo do mês, a Copel substituiu 2.061 postes, seis torres de transmissão e 113 quilômetros de cabos rompidos. O temporal deste fim de semana soma-se a esse cenário de eventos meteorológicos cada vez mais intensos na região.

O que fazer após o temporal

Com milhares de clientes ainda sem luz e a rede sendo reconstruída, as concessionárias reforçam orientações de segurança: manter distância de fios caídos e postes quebrados, não tentar remover árvores da rede por conta própria e acompanhar os canais oficiais das empresas para informações sobre o restabelecimento. Em caso de fios caídos em via pública, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros.

O Sul do Brasil segue sob atenção para novos episódios de instabilidade, e a Defesa Civil orienta os moradores a manterem-se informados sobre os alertas meteorológicos. O episódio deste fim de semana entra para a sequência de temporais que têm testado a resiliência da infraestrutura elétrica na região — e reforçado a importância da poda preventiva de árvores próximas à rede e da manutenção contínua do sistema.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.