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Petróleo cai quase 2% com oferta acima do pré-guerra

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Resumo da Notícia

  • O Brent caiu 1,89% e fechou a US$ 100,32 por barril, e o WTI recuou 1,84%, a US$ 89,43, pressionados pelo aumento da oferta do Oriente Médio e pela liberação de reservas do G7.
  • Exportações do Oriente Médio superaram os níveis pré-guerra em quatro dos sete dias da última semana de setembro, mesmo sob a tensão em torno do Estreito de Ormuz.
  • O G7 vai liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo das reservas de emergência em quatro meses, com liberação antecipada de diesel nos primeiros 20 dias; analistas recebem a medida com ceticismo.

Os preços do petróleo fecharam em queda nesta segunda-feira (5), pressionados pelo aumento das exportações do Oriente Médio e pela decisão do G7 de liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo de reservas de emergência. O alívio na oferta trouxe algum respiro ao mercado, mesmo com as tensões geopolíticas na região ainda elevadas.

Os contratos futuros do Brent fecharam em queda de US$ 1,93, ou 1,89%, a US$ 100,32 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência americana, recuou US$ 1,68, ou 1,84%, para US$ 89,43 por barril, segundo a Reuters.

O movimento de baixa refletiu dois fatores principais: dados de embarque mostrando exportações do Oriente Médio acima dos níveis anteriores à guerra, e o compromisso assumido pelos países do G7 na sexta-feira de aumentar a oferta por meio da liberação de estoques estratégicos.

Exportações do Oriente Médio superam o pré-guerra

Dados de navegação divulgados nesta segunda-feira mostraram que as exportações de petróleo do Oriente Médio ultrapassaram os níveis pré-guerra em quatro dos sete dias da última semana de setembro. O dado surpreendeu o mercado, já que a região segue sob tensão, com ataques a navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.

A via navegável, que liga o Golfo Pérsico ao oceano aberto e por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, tem sido alvo de ameaças do Irã — que condiciona sua reabertura ao cumprimento de sete exigências pelos Estados Unidos (Irã diz que Estreito de Ormuz só reabre se EUA cumprirem 7 condições). Apesar do risco, os embarques seguem fluindo em volumes robustos.

“Embora os petroleiros ainda estejam em risco, a esperança é que, no fim das contas, mais petróleo chegue ao mercado”, avaliou Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, à Reuters.

G7 libera 100 milhões de barris

Na sexta-feira, os países do G7 concordaram em liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto das reservas de emergência ao longo dos próximos quatro meses, com uma liberação substancial e antecipada de diesel nos primeiros 20 dias. O grupo também se comprometeu a se abster de impor restrições à exportação de energia.

A decisão veio após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a União Europeia para reduzir estoques de emergência de diesel, em uma tentativa de aliviar os preços globais do combustível. Mais cedo, a Comissão Europeia disse “rejeitar totalmente” qualquer eventual proibição americana às exportações de diesel, segundo a porta-voz Anna-Kaisa Itkonen — possibilidade que circulou durante a semana entre autoridades dos EUA.

O analista do Price Futures Group, Phil Flynn, explica que os Estados Unidos exportam aproximadamente de 1,2 milhão a 1,5 milhão de barris por dia de diesel e, nos últimos meses, forneceram mais da metade das importações do derivado pela Europa. “A liberação de estoques pela Europa pode ganhar tempo. Ela não substitui uma refinaria em Houston, uma planta na Costa do Golfo ou barris que não conseguem passar pelo Estreito de Ormuz”, afirmou.

Ceticismo no mercado

Apesar do anúncio, parte dos analistas recebeu a medida do G7 com cautela. Pavel Molchanov, da Raymond James, disse que o mercado permaneceu cético, pois não está claro quanto do petróleo prometido no novo acordo viria dos volumes restantes da liberação de emergência de 400 milhões de barris coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE) e anunciada em março.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou na semana passada que os membros haviam liberado cerca de dois terços do acordo de 400 milhões de barris. Ou seja, uma parcela do novo compromisso pode ser apenas a continuidade de um programa já em andamento — o que limitaria o impacto adicional sobre a oferta.

Analistas do ING observaram que a ação reflete a crescente escassez no mercado de diesel à medida que se aproxima o inverno no Hemisfério Norte, período de maior consumo de combustíveis para aquecimento, além da ameaça de uma proibição de exportação de diesel pelos EUA.

O diesel no centro da estratégia

Um ponto central do acordo do G7 é o foco no diesel. O derivado enfrenta um mercado particularmente apertado na Europa, que depende fortemente das importações — e os EUA são o principal fornecedor. A liberação antecipada de diesel nos primeiros 20 dias do programa foi desenhada para aliviar rapidamente essa pressão antes do inverno.

A estratégia, porém, tem limites. Como apontam os analistas, estoques estratégicos são uma ferramenta temporária: ganham tempo para o mercado, mas não substituem a produção contínua. Se as tensões no Oriente Médio se agravarem — especialmente com o impasse em torno do Estreito de Ormuz —, o alívio pode ser de curta duração.

O que isso significa para o Brasil

Para o Brasil, a queda do petróleo traz um sinal misto. De um lado, cotações mais baixas tendem a aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis e sobre a inflação — um efeito bem-vindo em um ano de atenção redobrada com o custo de vida. De outro, a Petrobras, uma das maiores produtoras e exportadoras de petróleo do país, sente no caixa cada dólar a menos no barril.

O mercado brasileiro acompanha de perto o noticiário internacional de energia. Na semana passada, o Ibovespa e o dólar já haviam reagido às tensões em torno do petróleo, em um movimento que mostrou como a geopolítica do Oriente Médio segue capaz de influenciar os preços no Brasil.

A expectativa agora é pelo desenrolar de dois fatores: a efetividade da liberação das reservas do G7 nas próximas semanas e a evolução do impasse no Estreito de Ormuz. Se a oferta seguir robusta e as reservas entrarem de fato no mercado, o Brent pode se consolidar abaixo dos US$ 100. Mas qualquer escalada nas tensões entre Irã e Estados Unidos tem potencial para reverter rapidamente o cenário — e devolver a pressão aos preços da energia em todo o mundo.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.