
Resumo da Notícia
- Vasco venceu o Boca Juniors por 1 a 0 na Bombonera, com gol de cabeça de Adson aos 24 minutos do primeiro tempo.
- Mesmo com Andrés Gómez expulso no segundo tempo, o time segurou a pressão do Boca, que acertou a trave duas vezes.
- Foi a primeira vitória do Vasco na Bombonera; na volta, dia 20/10 no Maracanã, o Cruzmaltino joga pelo empate para ir à final.
O Vasco escreveu uma das páginas mais marcantes de sua história recente na noite desta terça-feira (13). Em plena Bombonera, em Buenos Aires, o time carioca venceu o Boca Juniors por 1 a 0, no jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana, com gol de Adson no primeiro tempo. Mesmo com um jogador a menos durante boa parte da etapa final, após a expulsão de Andrés Gómez, o Cruzmaltino resistiu à pressão argentina e saiu da Argentina com a vantagem de jogar pelo empate na partida de volta.
O resultado tem peso histórico. Segundo a Placar, o Vasco se tornou o oitavo clube brasileiro a vencer o Boca Juniors dentro da Bombonera, encerrando uma sequência de dez jogos sem derrota dos argentinos contra brasileiros atuando em casa. De acordo com o Diário 24 Horas, foi também a primeira vitória vascaína sobre o Boca em partidas oficiais: até então, o único triunfo no confronto havia sido em um amistoso disputado em 1951. Nos quatro encontros anteriores por competições oficiais, entre Libertadores e Mercosul, o retrospecto era de dois empates e duas derrotas.
Primeiro tempo de personalidade
Quem esperava um Vasco acuado pelo ambiente da Bombonera se surpreendeu. Segundo o Lance!, a equipe comandada por Pedro Emanuel apresentou uma proposta de jogo bem definida, trocou passes com organização e não se intimidou nem com a pressão da torcida nem com as decisões contestadas da arbitragem nos minutos iniciais.
O Boca tentou impor o ritmo com cruzamentos e bolas levantadas na área, mas a primeira grande chance foi brasileira: Bruno Duarte finalizou cruzado da entrada da área e exigiu boa defesa do goleiro Montero. Aos 24 minutos, veio o gol. De acordo com o No Ataque, Andrés Gómez acertou um cruzamento na medida pelo lado esquerdo, e Adson, mesmo com a baixa estatura, subiu alto, se antecipou à marcação e cabeceou no ângulo, sem chances para o goleiro argentino.
A presença de Adson entre os titulares, aliás, teve uma explicação curiosa. Segundo o Diário 24 Horas, o atacante só começou jogando porque Facundo Colidio não pode atuar no mata-mata da Sul-Americana, já que foi inscrito na competição pelo River Plate, arquirrival do Boca. O destino quis que o substituto decidisse o jogo justamente contra o time de La Boca.
Bem postado, o Vasco foi para o intervalo em vantagem e sem ver o adversário acertar o gol nas finalizações tentadas na primeira etapa. A reclamação vascaína ficou por conta de uma entrada de Delgado sobre Gómez logo no início, punida apenas com cartão amarelo pelo árbitro chileno Piero Maza, sem que o VAR chamasse a revisão.
Expulsão muda o jogo
O Boca voltou mais agressivo para o segundo tempo, mas a primeira chance de ampliar foi do Vasco: após tabela em velocidade com Adson, Paulo Henrique invadiu a área, ficou cara a cara com Montero e finalizou para fora. A resposta argentina veio em um cruzamento de Blanco que ganhou efeito, enganou Léo Jardim e acertou a trave.
Aos 18 minutos, o lance que mudou o cenário da partida. Segundo a Rede 98, Andrés Gómez, o autor da assistência do gol, tentou atrapalhar uma cobrança de falta do Boca, trocou empurrões com um adversário e, ao afastar o árbitro Piero Maza durante a confusão, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. De acordo com a TMC, foi uma expulsão polêmica, construída em segundos: o primeiro amarelo pela falta e o segundo pela reclamação com contato no juiz. Gómez, que fazia uma de suas melhores partidas com a camisa cruzmaltina, está suspenso para o jogo de volta.
Com um a menos, Pedro Emanuel fechou a equipe e o Vasco montou uma resistência que durou até o apito final. O Boca se lançou ao ataque, empilhou cruzamentos e carimbou o travessão aos 26 minutos, em um chute forte de Ascacibar — a segunda bola na trave dos argentinos na noite. Segundo os números da Conmebol compilados pela VAVEL, os donos da casa terminaram o jogo com 61% de posse de bola e 18 finalizações, contra nove do Vasco. Ainda assim, Léo Jardim foi pouco exigido: de acordo com a Placar, o goleiro precisou fazer apenas uma defesa em toda a partida, reflexo da organização defensiva cruzmaltina.
Um empate separa o Vasco da final
Com a vitória por 1 a 0, o Vasco joga pelo empate no jogo de volta, marcado para a próxima terça-feira (20), às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. Se perder por um gol de diferença, a vaga será decidida nos pênaltis; o Boca só avança no tempo normal se vencer por dois ou mais gols. Segundo a Gazeta Esportiva, o Cruzmaltino está a um empate de alcançar a decisão da Sul-Americana, torneio que o clube busca conquistar de forma inédita.
Antes da decisão, porém, o Vasco volta suas atenções ao Campeonato Brasileiro, onde enfrenta o São Paulo no sábado (17), no Morumbi. O Brasileirão, aliás, vive uma semana movimentada: na rodada mais recente, o Bragantino venceu o Cruzeiro por 4 a 2 e o Athletico-PR goleou a Chapecoense por 4 a 1, resultados que mostram a força dos brasileiros em 2026 — a mesma força que o Vasco exibiu em Buenos Aires.
Do outro lado da chave da Sul-Americana, o adversário da final começa a sair nesta quarta-feira (14), quando Atlético-MG e Montevideo City Torque se enfrentam na Arena MRV, em Belo Horizonte. Quem passar encara o vencedor de Vasco e Boca na decisão.
A noite de terça-feira também entrou para a história por outro detalhe: o Boca Juniors perdeu uma invencibilidade de 17 partidas, segundo o Diário 24 Horas. Para o torcedor vascaíno que viajou a Buenos Aires e fez festa nas arquibancadas da Bombonera, o placar mínimo teve gosto de noite gigante. Agora, a missão é transformar a vantagem em classificação diante da torcida, no Maracanã. E o futebol brasileiro segue rendendo histórias nesta temporada, dentro e fora do país — como a expulsão de Vini Jr no clássico entre Real Madrid e Villarreal, que movimentou o noticiário europeu.
