Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 29 de maio de 2026
A Polícia Civil de São Paulo concluiu nesta sexta-feira (29) o relatório final da Operação Vérnix e indiciou formalmente a advogada e influenciadora Deolane Bezerra pelos crimes de integrar organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. O caso ganhou novo fôlego após a divulgação, na semana passada, de um áudio atribuído a um suposto integrante do crime organizado ameaçando uma ex-funcionária da família.
O que diz o áudio divulgado?
No dia 22 de maio, durante uma live do jornalista Paulo Mathias, a repórter Carla Albuquerque divulgou uma gravação que integra um processo judicial movido pela diarista Denise Rosane Bastos contra Deolane e seu filho Kayky Bezerra.
Segundo o relato de Denise, o caso começou após uma faxina realizada no apartamento de Kayky. Depois de sair do imóvel, ela teria recebido uma ligação do rapaz questionando o sumiço de uma quantia em dinheiro. A diarista nega qualquer envolvimento.
Na gravação tornada pública, um homem não identificado afirma que o valor pertence ao crime organizado e faz ameaças à ex-funcionária: “Nós não vamos para a polícia porque nós somos o crime, mas nós resolvemos do nosso jeito. Nós só queremos o dinheiro de volta.”
Denise afirma ainda que recebeu áudios da própria Deolane exigindo a devolução da quantia e que seguranças da influenciadora foram até sua residência revistar seu veículo. A diarista registrou boletim de ocorrência e entregou às autoridades um pen drive com as gravações — material que passou a integrar as investigações.
A ação judicial movida por Denise acusa Deolane e Kayky de calúnia e ameaça. O processo havia sido revelado em abril pela colunista Fábia Oliveira, do Metrópoles.
Operação Vérnix e o indiciamento.
A Operação Vérnix foi deflagrada em 21 de maio de 2026 e resultou na prisão de Deolane em Alphaville, São Paulo. A investigação, iniciada em 2019, apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo a Polícia Civil, o ponto central da investigação é a aproximação de Deolane com Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”, apontado pelas autoridades como intermediador financeiro da facção. Ele seria responsável por distribuir recursos para Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, líder histórico do PCC — que também foi incluído no relatório final.
De acordo com a apuração policial, o esquema funcionava por meio da abertura sucessiva de empresas que realizavam repasses financeiros sem origem declarada. Os laudos apontam ainda que Deolane atuou como representante legal de Everton de Souza em processos judiciais e como testemunha em casos nos quais ele figurava como vítima.
As investigações revelaram que os suspeitos permaneceram ativos mesmo após as primeiras prisões, abrindo novas empresas e utilizando criptomoedas para ocultar o patrimônio.
Além de Deolane, outras seis pessoas foram indiciadas, incluindo o próprio Everton de Souza.
Próximos passos:
Com o indiciamento concluído, o relatório segue para o Ministério Público, que decidirá se oferece ou não denúncia formal à Justiça. Caso os promotores concordem com as conclusões da polícia e o juiz aceite a acusação, Deolane se tornará ré em um processo criminal.
A polícia também solicitou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) o bloqueio de veículos apreendidos, a guarda judicial de joias e relógios de luxo, e o compartilhamento das provas com a Polícia Federal para apuração de possíveis crimes tributários.
Deolane Bezerra segue presa. Sua defesa ainda não se manifestou sobre o indiciamento desta sexta-feira.
Contexto: histórico de investigações
Esta não é a primeira vez que Deolane Bezerra enfrenta investigações criminais. Em setembro de 2024, ela foi presa na Operação Integração, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais. Na época, sua mãe, Solange Bezerra, também foi detida. A operação resultou no bloqueio de ativos avaliados em R$ 2,1 bilhões.
Fontes: Portal Tucumã, Pipoca Moderna, Metrópoles (coluna Fábia Oliveira), Jornal de Brasília, Correio 24 Horas, Gazeta Brasil.