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Boi gordo bate recorde histórico de R$ 372,95 a arroba; milho, ao contrário, está em queda

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Resumo da Notícia

  • O boi gordo atingiu R$ 372,95 por arroba em 5 de outubro, recorde nominal do indicador Cepea/Esalq desde 1994, após 24 dias seguidos de alta e valorização de 7,8%.
  • A escalada reflete a retenção de gado nos confinamentos diante da incerteza sobre as tarifas da China, as exportações fortes de gado vivo e a demanda doméstica aquecida.
  • Na contramão, o milho está em queda: R$ 68,53 por saca, pressionado pela safra recorde de 144 milhões de toneladas projetada pela Conab — alívio para os custos de aves, suínos e ovos.

O boi gordo atingiu R$ 372,95 por arroba em 5 de outubro, o maior valor nominal já registrado pelo indicador Cepea/Esalq desde o início da série histórica, em 1994. A marca coroa uma sequência de 24 dias consecutivos de valorização, com alta acumulada de 7,8% no período.

A média de outubro, de R$ 369,8 por arroba, caminha para o terceiro mês seguido de ganhos. Os contratos futuros negociados na B3 já precificam a arroba em torno de R$ 400 a partir de novembro, e o bezerro acompanha o movimento: acima de R$ 520 por arroba, também está em patamar recorde.

Por que a arroba disparou

Segundo o pesquisador do Cepea Thiago Bernardino de Carvalho, a disparada tem três pilares. O primeiro é a incerteza sobre as tarifas impostas pela China à carne bovina brasileira, que levou confinadores a segurar o gado em vez de ofertá-lo ao mercado. O segundo é o ritmo forte das exportações de gado vivo. O terceiro é a demanda doméstica firme, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido — o desemprego caiu a 5,3% e o país bateu o recorde de 103,5 milhões de ocupados — em um ano eleitoral combinado à Copa do Mundo, cenário que tradicionalmente aquece o consumo de carne.

Com a oferta restrita, as escalas de abate dos frigoríficos estão curtas, entre 3 e 7 dias, o que dá sustentação adicional aos preços pagos ao produtor.

China impõe tarifa extra e exportações recuam

No front externo, a China passou a aplicar em outubro uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira. O efeito já apareceu nos embarques: as exportações de carne bovina do Brasil caíram 35,1% em setembro. Apesar do volume menor, o preço médio de exportação atingiu o recorde de US$ 6,28 por quilo.

Milho vai na contramão e está em queda

Enquanto a pecuária vive euforia, o milho segue trajetória oposta. A saca do cereal é negociada a R$ 68,53 na praça de Campinas (indicador Cepea), com queda de 1,6% na semana encerrada em 2 de outubro. Mensagens que circulam na internet falando em saca a “R$ 95” usam conteúdo reciclado de 2021 e não refletem o mercado atual.

A pressão baixista vem da oferta: a Conab projeta uma safra recorde de 144 milhões de toneladas, volume que deve manter os preços sob controle nos próximos meses. Nas praças regionais, as cotações estão ainda mais baixas: no Paraná, a saca gira em torno de R$ 55, e no Mato Grosso do Sul, em R$ 54,17. O movimento contrasta com o de outras commodities agrícolas: o açúcar atingiu a maior cotação em 19 meses, com as chuvas atrasando a moagem no Brasil.

Impacto no bolso do consumidor

Para o consumidor, a alta da carne já aparece na inflação. O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, com o grupo alimentação avançando 0,40% e o item carnes disparando 1,30%. Em 12 meses, a inflação acumulada está em 4,47%.

O ciclo pecuário ajuda a explicar a persistência da alta: com o bezerro valorizado, pecuaristas tendem a reter fêmeas para reprodução, o que enxuga ainda mais a oferta de animais para abate no curto prazo.

Milho barato alivia avicultura e suinocultura

Nem tudo é pressão inflacionária. O milho em queda barateia a ração e beneficia diretamente os produtores de frango, carne suína e ovos, que têm no cereal o principal componente do custo de produção. Com o insumo mais barato, esses segmentos ganham margem para segurar os preços das proteínas mais consumidas pelos brasileiros.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.