Carro-bomba mata venezuelano e fere 11 na Colômbia em meio a ofensiva do governo contra guerrilhas

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Uma explosão provocada por um carro-bomba na noite de segunda-feira (1º) em Los Patios, Norte de Santander, retomou o clima de terror nas cidades próximas à fronteira com a Venezuela. Segundo as autoridades, o ataque — atribuído à guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) — matou um venezuelano de 23 anos e deixou outras 11 pessoas feridas, entre elas dois policiais.

O atentado ocorreu horas depois de a Força Aérea colombiana bombardear um acampamento insurgente na Amazônia, onde, de acordo com o Exército, 20 combatentes perderam a vida. A coincidência temporal reforçou a sensação de escalada bélica no início do governo do presidente Abelardo de la Espriella, que prometeu “mão de ferro” contra qualquer organização armada.

Ataque noturno perto da fronteira venezuelana

O veículo, transformado artesanalmente para se parecer com um táxi, foi estacionado ao lado da delegacia central de Los Patios pouco antes da meia-noite. Moradores relataram primeiro um forte cheiro de gasolina e, em seguida, a detonação que quebrou janelas em um raio de 300 metros. O venezuelano morto caminhava pela calçada quando foi atingido pelos estilhaços; os feridos foram levados a hospitais de Cúcuta, capital regional.

A explosão, alimentada por cerca de 80 quilos de explosivos acionados à distância, deixou o carro em chamas por quase uma hora. Enquanto bombeiros faziam o rescaldo, dezenas de curiosos se aglomeraram na escuridão iluminada apenas pelas labaredas. “Víamos pedaços de muro espalhados como se fossem folhas de papel”, contou um morador a rádios locais.

Polícia aponta o ELN e descreve o modo de operação

Em entrevista à emissora Caracol, o coronel Jimmy Belalcázar, comandante da Polícia Metropolitana de Cúcuta, atribuiu o atentado ao ELN, grupo que há mais de seis décadas atua na região. O veículo usado na ação havia sido roubado dias antes e repintado. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens deixando o automóvel e seguindo em motocicleta.

A investigação crê que a explosão pretendia atingir diretamente a delegacia, costumeiro alvo de facções que enxergam a cidade como corredor estratégico para o tráfico de cocaína. Dos 11 feridos, dois são agentes que estavam no pátio interno da unidade: um deles teve a perna esquerda amputada; o outro sofreu cortes profundos provocados por fragmentos metálicos.

Bombardeio do Exército intensifica o embate

Horas antes da detonação em Los Patios, aviões da Força Aérea lançaram explosivos contra um acampamento identificado como base logística do ELN no departamento do Amazonas. Foi o terceiro bombardeio desse tipo em menos de um mês e o mais letal até agora, com 20 mortos confirmados pelo Ministério da Defesa.

Em comunicado, o ELN classificou a operação militar como “agressão injustificada” e prometeu retaliar. Analistas de segurança veem no ataque a Los Patios a primeira resposta. A região amazônica vinha sendo usada pela guerrilha para plantar coca e explorar ouro clandestinamente, segundo relatório de inteligência divulgado na semana passada.

Estratégia de “mão de ferro” do presidente Espriella

Desde que tomou posse em 7 de agosto, o direitista Abelardo de la Espriella adotou discurso de tolerância zero contra qualquer grupo armado e recebeu respaldo explícito do presidente norte-americano Donald Trump. Na rede social X, Espriella reforçou após o atentado: “Onde terroristas semearem medo, o Estado estará presente com toda a sua força”.

O governo contabiliza 38 guerrilheiros mortos nas primeiras semanas da nova gestão. Organizações de direitos humanos, porém, afirmam que entre as vítimas dos bombardeios há quatro menores de idade, fato que pode reacender o debate sobre proporcionalidade do uso da força e proteção de civis em zonas de conflito.

Conflito prolongado e múltiplas frentes de tensão

A Colômbia mantém, há mais de cinco décadas, um dos mais extensos conflitos armados do planeta. O país é o maior produtor mundial de cocaína, e o narcotráfico continua a financiar guerrilhas, dissidências e redes criminosas ligadas também à mineração ilegal. Após o acordo de paz de 2016, parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) depôs armas, mas surgiram facções dissidentes contrárias ao processo, como o Estado-Maior Central (EMC).

Em 6 de agosto, um dia antes da posse de Espriella, o EMC sequestrou um colombiano que integra a Legião Estrangeira do Exército francês, exigindo “garantias de segurança” para libertá-lo. No fim de semana, o grupo responsabilizou o presidente por qualquer tentativa de resgate militar que coloque o refém em risco e ameaçou “responder em todos os teatros de operações”.

Enquanto as Forças Armadas intensificam incursões aéreas e terrestres, relatos de ataques com drones, carros-bomba e armadilhas explosivas aumentam nos departamentos fronteiriços. As últimas eleições regionais foram marcadas por explosões nas proximidades de escolas e seções eleitorais, e candidatos de diferentes partidos abandonaram campanhas por falta de segurança.

Aliança regional contra o narcotráfico

Nas primeiras semanas do novo mandato, Bogotá oficializou a entrada no Escudo das Américas, coalizão liderada por Washington para combater o tráfico de drogas no continente. A adesão prevê troca de inteligência, treinamento de forças especiais e patrulhamento conjunto em rotas marítimas usadas por cartéis.

A parceria reforça a dimensão internacional do conflito colombiano: os Estados Unidos mantêm desde 2000 o Plano Colômbia, programa bilionário de apoio militar e econômico. Ao mesmo tempo, Caracas acusa Bogotá de “exportar violência” e permitir a presença de grupos armados na fronteira. O governo venezuelano, porém, não comentou oficialmente o atentado em Los Patios.

Perspectivas imediatas

Especialistas ouvidos pelos principais jornais do país preveem que tanto o ELN quanto as dissidências das Farc tentarão aumentar a pressão sobre instalações policiais e bases militares nos departamentos de Norte de Santander, Arauca e Cauca — regiões onde a presença do Estado ainda é limitada. A expectativa é de que Espriella responda com novos bombardeios e forças-tarefa terrestres, consolidando o ciclo de ação e reação que marcou as últimas semanas.

No cenário atual, poucas vozes apostam em retomada de negociações de paz a curto prazo. Se a senha da noite de segunda-feira era o som da explosão em Los Patios, a mensagem subsequente parece clara: o conflito colombiano entrou em nova fase de intensidade, e a população civil continua no centro do fogo cruzado.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.