A uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o custo de vida se consolidou como o principal campo de batalha da disputa presidencial. A pressão persistente sobre os preços — com destaque para os alimentos — domina o debate eleitoral e aparece com clareza nos levantamentos de intenção de voto, segundo apuração da Reuters publicada neste sábado (26).
A sensação de que o orçamento doméstico encolheu atravessa a campanha e opõe frontalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta um quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário na corrida pelo Planalto.
O que mostram as pesquisas
Levantamento da Quaest divulgado em setembro mostra que quase metade dos brasileiros considera que a situação econômica piorou nos últimos doze meses, enquanto somente 19% enxergam avanço. O quadro resume o desafio de Lula, de 80 anos, que pede paciência aos eleitores e apoia a campanha em indicadores como o desemprego em níveis historicamente baixos, o recuo da desigualdade e a desaceleração recente da inflação.
Há meses as pesquisas mostram uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — impedido de concorrer após condenação por tentativa de golpe de Estado. Os levantamentos sugerem que a economia está entre os principais motivos que explicam a dificuldade do presidente em conter o avanço do senador.
A estratégia de cada campanha
Flávio Bolsonaro transformou a percepção de que o salário já não rende como antes em um dos eixos centrais da campanha, comparando com frequência os preços praticados nos supermercados com os do período em que seu pai governava o país. O tema do carrinho de compras virou peça recorrente nas inserções do candidato do PL.
A equipe de Lula respondeu com um site batizado de Mercado da Mentira e com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral, na qual acusa o adversário de divulgar informações falsas sobre preços. Em uma peça de campanha recente, o presidente disse saber o que é não conseguir fechar as contas no fim do mês e prometeu que a inflação seguirá sob controle.
A resposta do governo na reta final
Diante do desgaste, o governo acelerou uma série de medidas na última semana. Entre elas, a edição de uma medida provisória sobre as bets na quinta-feira (25), uma nova etapa do programa Desenrola, voltado ao endividamento das famílias, e o reajuste de 15% no Bolsa Família.
Auxiliares do presidente relatam que uma reunião com um grupo de mulheres, há cerca de três semanas, pesou na decisão sobre o Bolsa Família: apesar de ações como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, persiste na população a sensação de alta do custo de vida. Combustíveis, endividamento e regulação das apostas completam a lista de temas que provocam desgaste no Palácio do Planalto.
Com o primeiro turno em 4 de outubro e o segundo turno previsto para 25 de outubro, a economia deve seguir no centro da disputa até a véspera da votação.
Fonte: Reuters (26/09/2026)