PF rejeita proposta de delação de Vorcaro, mas PGR mantém negociação em aberto.

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Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 26 de março de 2026

A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, considerando as informações fornecidas insuficientes e sem elementos novos para as investigações. Apesar disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu manter as negociações em aberto, dando ao empresário uma nova chance de apresentar uma proposta mais completa.

O que aconteceu?

A defesa de Vorcaro entregou a proposta de delação premiada à PF e à PGR no início de maio, após 45 dias de trabalho. Segundo fontes das investigações, os agentes federais confrontaram as declarações do banqueiro com as provas e indícios reunidos desde 2024 e concluíram que a proposta apresentava lacunas significativas e não acrescentava elementos novos ao que já havia sido apurado.

A PF comunicou a decisão ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura as denúncias de fraudes bilionárias contra o Sistema Financeiro Nacional. A rejeição, no entanto, não encerra definitivamente as tratativas.

A PGR, chefiada pelo procurador-geral Paulo Gonet, optou por continuar as negociações diretamente com a defesa do banqueiro, sem a participação da PF — o que é legalmente permitido. Segundo a avaliação do Ministério Público Federal, a proposta tem lacunas relevantes, mas também contém alguns pontos considerados importantes que podem auxiliar no avanço das investigações. Uma das preocupações da PGR é que um rompimento prematuro das negociações poderia indicar má-fé na condução do acordo.

Quem é Daniel Vorcaro e por que o caso importa?

Daniel Vorcaro, de 42 anos, é o principal acionista do Banco Master, instituição financeira liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Ele foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando tentava deixar o Brasil.

A investigação apura um esquema de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro — títulos que foram vendidos ao Banco de Brasília (BRB) sem avaliação técnica adequada. A PF estima que os recursos desviados podem chegar a R$ 12 bilhões, com ao menos 1,6 milhão de pessoas afetadas, incluindo aposentados e pensionistas que teriam contratos de empréstimos consignados “fantasmas” sem qualquer autorização.

Em 4 de março de 2026, Vorcaro foi preso novamente, desta vez de forma preventiva, por ordem do ministro André Mendonça, diante do “risco concreto de interferência nas investigações”. A maioria dos ministros da Segunda Turma do STF confirmou a prisão em 13 de março.

As fases da Operação Compliance Zero

A operação teve pelo menos cinco fases até maio de 2026:

  • 1ª fase (novembro/2025): Prisão de Vorcaro e mais seis investigados, incluindo o ex-CEO do Master, Augusto Ferreira Lima. Bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens e contas.
  • 2ª fase (janeiro/2026): buscas em endereços de Vorcaro; prisão temporária do cunhado Fabiano Campos Zettel, que tentava embarcar para Dubai. Bloqueio de R$ 5,7 bilhões determinado pelo STF.
  • 4ª fase (abril/2026): Foco na corrupção de agentes públicos. Prisão preventiva do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de receber R$ 146,5 milhões em propina de Vorcaro por meio de imóveis. A PF diz ter provas de que pelo menos R$ 74 milhões foram efetivamente pagos.
  • 5ª fase (maio/2026): Atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e outros investigados.

O que pode acontecer agora com a delação?

Se a PGR aceitar uma nova proposta de Vorcaro, o acordo precisará ser homologado pelo ministro André Mendonça — que, por lei, não pode participar da fase de negociação. Após a homologação, Vorcaro poderia usufruir de benefícios como redução de pena, em troca de revelar tudo o que sabe sobre o esquema, identificar outros envolvidos e devolver os valores obtidos com as fraudes.

A defesa de Vorcaro nega as acusações desde o início, afirmando que as investigações “se fundam em fatos inexistentes”.

Fontes: Agência Brasil, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, STF Notícias, JOTA.

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.