Senado aprova lei da misoginia por unanimidade; Flávio vota a favor, mas aliado revela oposição privada.

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Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 26 de março de 2026

O Senado Federal aprovou na terça-feira (24) o PL 896/2023, que criminaliza a misoginia e a equipara ao crime de racismo, com 67 votos favoráveis — aprovação unânime. A proposta, relatada pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), prevê pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa, para quem praticar discriminação, desprezo ou violência contra mulheres. O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

A votação expôs uma divisão dentro do campo bolsonarista: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou a favor, mas um aliado revelou que o pré-candidato à presidência é contrário à proposta na prática.

O impasse de Flávio Bolsonaro

Na véspera da votação, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) alertou nas redes sociais que o PL — partido de Flávio — tentaria obstruir a aprovação. Ela citou os 11 senadores que, em outubro de 2025, apresentaram recurso para adiar a votação, entre eles o próprio Flávio, Magno Malta (PL-ES), Rogério Marinho (PL-RN) e Eduardo Girão (Novo-CE).

Na hora do voto, porém, Flávio mudou de posição e apoiou o projeto. Logo depois, o deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS), aliado do senador, revelou publicamente que Flávio é contra a criminalização da misoginia, mas votou a favor para “não perder votos das mulheres” em ano eleitoral.

O próprio Flávio confirmou indiretamente a versão: disse que a votação foi “uma grande armadilha do PT” contra ele e demonstrou preocupação com possíveis impactos da lei sobre a liberdade de expressão no ambiente digital, classificando o texto como “subjetivo”.

A reação da direita

Enquanto Flávio votava a favor, o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu nas redes sociais, chamando a lei de “antinatural e antimasculina” e prometendo trabalhar para “derrubar essa aberração”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também classificou a proposta como “aberração”.

O que muda com a lei

A aprovação inclui a misoginia na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), seguindo o mesmo caminho que o STF usou para equiparar a LGBTfobia ao crime de racismo. Com isso, atos de ódio ou aversão a mulheres passam a ser investigados e punidos com os mesmos instrumentos aplicados ao racismo — inclusive sem prazo de prescrição. A relatora Thronicke destacou que, em 2025, foram registradas quase 7 mil tentativas de feminicídio no Brasil.

Fontes: ND Mais, Revista Fórum, Gazeta do Povo, Congresso em Foco.

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.