A vice-presidente do Bank of America Erin Piacenti, de 32 anos, foi morta a facadas na região da Times Square, em Nova York, na tarde de segunda-feira (31). Segundo a Polícia de Nova York (NYPD), o crime não teve motivação aparente e é tratado como ataque aleatório. Minutos depois, a autora, identificada como Pamela Cisneros, 49, foi baleada e morreu no local após se recusar a soltar duas facas.
Piacenti, que chefiava a área de seleção de negócios e conflitos de interesse do banco, não resistiu aos ferimentos. Um homem de 68 anos também foi esfaqueado antes dela, mas sobreviveu. O caso reacendeu o debate sobre segurança pública em Manhattan, mesmo com a queda recente nos índices oficiais de criminalidade.
Ataque no coração de Manhattan
Testemunhas relataram que Pamela Cisneros caminhava por uma calçada próxima ao cruzamento da 7ª Avenida com a Rua 45, ponto turístico tomado por moradores e visitantes, quando sacou duas facas grandes de uma sacola de compras. Primeiro, golpeou o idoso, que aguardava para atravessar a rua, e em seguida avançou contra Erin Piacenti, que retornava do almoço ao escritório do Bank of America, localizado a poucos quarteirões dali.
Videos gravados por pedestres mostram a correria em meio aos luminosos da Times Square e a chegada de patrulhas em poucos minutos. O Serviço de Emergência Médica foi acionado às 13h47 (horário local). Piacenti recebeu atendimento inicial na calçada, mas entrou em parada cardiorrespiratória a caminho do hospital Bellevue, onde foi declarada morta.
Tentativa de contenção e disparos letais
Uso de taser antes do tiro
A comissária da NYPD, Jessica Tisch, afirmou que os policiais tentaram diálogo por cerca de três minutos, mantendo um cordão de isolamento com escudos balísticos. Como Cisneros ameaçava avançar, um agente disparou um taser. O choque não a derrubou; ao contrário, ela brandiu as facas e caminhou na direção dos oficiais. Dois disparos de arma de fogo foram feitos em seguida, atingindo o tórax da suspeita.
Investigação interna
A Divisão de Investigação da Força (Force Investigation Division) abriu inquérito para revisar a conduta dos policiais, procedimento padrão em casos de uso de força letal. As câmeras corporais dos agentes foram recolhidas e peritos analisam as imagens dos celulares de testemunhas.
Quem era a vítima
Natural de Nova York, Erin Piacenti formou-se em Direito pela Fordham Law School em 2021 ao lado do marido, Frank Piacenti, também advogado. Ela ingressou no Bank of America logo após a graduação e, em menos de três anos, tornou-se vice-presidente responsável por compliance na seleção de negócios globais. Em nota, o banco declarou estar “chocado e profundamente triste” e ressaltou que a executiva era “muito valorizada” pela equipe.
A Fordham University também se manifestou, descrevendo Piacenti como “profissional brilhante” e oferecendo apoio psicológico a colegas de turma que ainda residem na cidade.
Perfil da agressora
Pamela Cisneros era divorciada, mãe de três filhos e vivia no bairro do Queens. O irmão dela, Patrick Peralta, disse ao site local Gothamist que a família lida com o diagnóstico psiquiátrico de Pamela “há décadas”, mas nunca a considerou violenta. “Ela vinha tomando medicação e aparentava melhora”, relatou. O último contato teria ocorrido dois dias antes do crime, numa ligação em que Pamela afirmou estar “bem”.
Registros da corte indicam ocorrências antigas por pequenos furtos e uma internação involuntária em 2020, porém sem histórico recente de agressão física. A polícia apura se ela deixou de tomar remédios ou se houve alguma crise motivada por fatores externos.
Outros casos que abalaram o mundo corporativo
- Em 2025, um diretor da Blackstone foi morto a tiros no saguão de um prédio de luxo em Midtown; o atirador foi detido horas depois.
- Em dezembro de 2024, o então CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, morreu baleado ao sair de um hotel perto do Central Park; o suspeito, Luigi Mangione, foi preso dias depois.
- Em 2022, Daniel Enriquez, analista do Goldman Sachs, foi assassinado no metrô enquanto viajava do Brooklyn a Manhattan, também sem motivo aparente.
Embora as autoridades reforcem que se tratam de episódios isolados, a sequência de ataques contra profissionais do mercado financeiro reforça a sensação de vulnerabilidade em áreas consideradas seguras.
Números em queda, percepção em alta
No mês passado, a NYPD divulgou o menor índice de tiroteios e homicídios para os primeiros sete meses do ano desde 1995. Ainda assim, a Times Square, ícone do turismo mundial, tem registrado aumento de ocorrências envolvendo pessoas com transtornos mentais sem moradia fixa, segundo relatório municipal. A prefeitura mantém programas de abordagem de saúde mental nas ruas, mas enfrenta críticas por falta de leitos psiquiátricos.
Analistas em segurança urbana apontam que ataques aleatórios geram impacto desproporcional na opinião pública. “Quando a vítima é alguém conhecida ou que trabalha em uma grande corporação, o choque reverbera no mercado financeiro e na mídia global”, explica o criminólogo Anthony Rosario, da City University of New York.
Próximos passos do inquérito
A investigação busca esclarecer a rota de Cisneros até a Times Square e se houve algum gatilho imediato para o surto. As facas, do tipo chef de cozinha com 20 centímetros de lâmina, foram enviadas para perícia. Imagens de câmeras de trânsito e do metrô estão sendo rastreadas para mapear os movimentos dela nas horas que antecederam o crime.
O corpo de Erin Piacenti será velado em cerimônia privada nesta quinta-feira (3) em Manhattan. Funcionários do Bank of America poderão participar de um memorial interno, e a empresa oferece acompanhamento psicológico às equipes. Já a família de Pamela Cisneros tenta organizar o funeral enquanto coopera com as autoridades.
Sem sinal de conexão entre agressora e vítimas, a polícia mantém a classificação de “ataque aleatório”. A promotoria deve encerrar o processo criminal por morte da suspeita, mas o caso segue sob análise para possíveis recomendações de políticas públicas voltadas a saúde mental e patrulhamento em áreas turísticas.