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França e Alemanha propõem retaliação rápida contra países que prejudiquem a UE

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Resumo da Notícia

  • França e Alemanha propõem à Comissão Europeia um instrumento de resposta rápida contra países que prejudiquem o bloco
  • A China é o alvo mais provável, segundo a Reuters; a carta foi enviada a Ursula von der Leyen
  • A proposta mira práticas comerciais distorcivas, como dumping e subsídios estatais

França e Alemanha propuseram à União Europeia a criação de um novo instrumento de resposta rápida para retaliar países que prejudiquem o bloco econômico. A China é o alvo mais provável da medida, segundo a Reuters, que teve acesso à carta enviada pelos dois países à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, escreveram a von der Leyen na segunda-feira (5), dez dias antes de os líderes europeus discutirem os desequilíbrios comerciais com a China em uma cúpula em Bruxelas. No documento, os dois líderes afirmam que “práticas sistêmicas de distorção de mercado” colocam em risco a economia e a base industrial do bloco, exigindo ação urgente.

A Comissão Europeia informou que recebeu bem a carta e o documento com as propostas franco-alemãs, classificando-os como uma contribuição valiosa ao debate sobre riscos geoeconômicos e desequilíbrios globais — em linha com a postura de von der Leyen sobre competitividade.

Por que a China está na mira

A proposta não cita nominalmente nenhum país, mas os alvos estão claros nas entrelinhas. O texto destaca práticas como dumping, subsídios generalizados e restrição à conversibilidade cambial — distorções de mercado que, segundo líderes europeus, a China pratica de forma sistemática.

Autoridades alemãs afirmaram que a União Europeia precisa de uma ferramenta tão poderosa quanto as tarifas da Seção 301 aplicadas pelos Estados Unidos ou as restrições chinesas à exportação de minerais críticos — num mundo em que o comércio é cada vez mais usado como arma geopolítica.

O documento defende ainda que o bloco utilize seus instrumentos de defesa comercial de forma mais rápida e eficiente, com mais investigações e uma abordagem mais ampla, capaz de cobrir setores inteiros. Há, segundo o texto, necessidade urgente de medidas para lidar com importações de produtos químicos, PET e veículos híbridos.

O que seria o instrumento

Pela proposta, a nova ferramenta permitiria “reação decisiva e sistêmica — e medidas poderosas, até o corte imediato do acesso ao mercado interno, se necessário”, escreveram Macron e Merz na carta à Comissão. Ela poderia ser usada caso um parceiro comercial prejudique deliberadamente as condições de concorrência leal e distorça o mercado do bloco.

Segundo autoridades alemãs ouvidas pela imprensa, o instrumento funcionaria como uma “arma de segundo ataque”: seria acionado apenas em resposta a medidas coercitivas — como tarifas massivas, súbitas ou arbitrárias, ou proibições de exportação que representem ameaça substancial à economia. A ideia, dizem, é servir como dissuasão para levar Pequim a negociar formas de reequilibrar a relação comercial entre China e Europa.

A Câmara de Comércio da China junto à UE manifestou preocupação com a proposta, afirmando que um instrumento inspirado na Seção 301 americana poderia aumentar a incerteza e prejudicar a confiança mútua entre os parceiros.

Duas novas ferramentas na mesa

Além do mecanismo de resposta rápida, França e Alemanha pediram que a Comissão Europeia proponha o quanto antes dois novos instrumentos voltados à diversificação de parceiros e à segurança econômica do bloco — uma agenda que vem ganhando força em Bruxelas diante da dependência europeia de cadeias de suprimento concentradas.

O movimento reflete uma mudança de humor em Berlim. Segundo autoridades, os anúncios recentes de cortes massivos de empregos por empresas de peso — incluindo a montadora Volkswagen — ajudaram a convencer o governo alemão, tradicionalmente mais cauteloso com medidas protecionistas, a apoiar a iniciativa.

As restrições chinesas às exportações de terras-raras no ano passado também pesaram: os gargalos se espalharam pelas cadeias globais de suprimento e, segundo autoridades europeias, forçaram algumas fábricas ocidentais a reduzir a produção.

E os Estados Unidos?

Embora a China seja o foco mais provável, as autoridades alemãs ressaltaram que o instrumento não teria um alvo fixo — e poderia ser dirigido também aos Estados Unidos, caso a guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump volte a se intensificar. A mensagem é de que a Europa quer ter capacidade de resposta contra qualquer parceiro que use o comércio como instrumento de coerção.

O que isso significa para os mercados

A proposta franco-alemã chega num momento de tensão elevada no comércio global. Tarifas, sanções e disputas por minerais críticos já vêm movimentando os preços de commodities e ações ao redor do mundo — como se viu recentemente no mercado de energia, com o petróleo recuando diante do aumento da oferta e da liberação de reservas pelo G7.

Para o Brasil, que negocia acordos comerciais com a União Europeia e mantém a China como principal parceiro comercial, o desenrolar dessa disputa é acompanhado com atenção. Uma escalada entre Bruxelas e Pequim pode abrir oportunidades para exportadores brasileiros — mas também trazer volatilidade aos mercados e às cadeias de suprimento das quais o país depende.

Os próximos passos agora estão com a Comissão Europeia, que precisará transformar a proposta política em instrumentos jurídicos concretos — um processo que, em Bruxelas, costuma levar meses de negociação entre os 27 Estados-membros.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.