Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 6 de maio de 2026
Teresa Regina de Ávila e Silva, 63 anos, mãe do ativista e defensor de direitos humanos Thiago Ávila, morreu na tarde da terça-feira (5) em Brasília. Ela apresentava quadro grave de saúde há anos, segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal. O falecimento ocorreu enquanto o filho estava incomunicável, detido por Israel em razão de sua participação na Flotilha Global Sumud, interceptada por forças israelenses em águas internacionais perto da Grécia.
Quem é Thiago Ávila e como foi preso?
Thiago Ávila é ativista e defensor ambiental brasileiro, ligado a movimentos de solidariedade à Palestina. Integrou a segunda flotilha da Global Sumud — missão lançada com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar alimentos e itens básicos à população civil. A flotilha partiu de Barcelona em 12 de abril com 175 ativistas de dezenas de países.
Na noite de 30 de abril, forças israelenses interceptaram as embarcações em águas internacionais, a cerca de 700 milhas náuticas de Gaza. Ávila e o ativista palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram os únicos dois separados dos demais e levados à Israel. Os outros ativistas foram transferidos para a Grécia.
Detenção considerada ilegal; Brasil e Espanha protestam.
Israel acusou Ávila e Abu Keshek de “obstrução física violenta”, “atividades ilegais” e suposta ligação com terrorismo — acusações que ambos negaram. As advogadas do grupo de direitos Adalah, que atuou na defesa dos dois, afirmaram que Israel os acusou com base em provas sigilosas, sem acusação formal.
O Tribunal de Magistrados de Ashkelon prorrogou a detenção repetidas vezes. Os governos do Brasil e da Espanha emitiram declaração conjunta classificando a detenção como ilegal. O presidente Lula afirmou em nota que a situação era “injustificável” e exigiu a libertação imediata.
Em 9 de maio, Israel deportou Ávila e Abu Keshek. O Itamaraty confirmou que a embaixada brasileira em Tel Aviv conseguiu contato com o ativista.
O momento em que soube da morte da mãe
Em entrevista posterior ao Brasil 247, Ávila relatou que só soube da morte da mãe ao cruzar o deserto do Sinai em direção ao Egito, após sua libertação, enquanto ainda estava incomunicável com a família durante a detenção. “Descobri que perdi minha mãe quando atravessava o deserto para voltar para casa”, disse. Apesar do impacto emocional, afirmou que continuará atuando pela causa palestina.
Fontes: Agência Brasil, CNN Brasil, Brasil 247, Gazeta do Povo.