Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 5 de maio de 2026
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (5) o deputado estadual Thiago Rangel Lima (Avante) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa acusada de fraudar licitações e contratos de compra de materiais e serviços na Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (Seeduc). A operação é autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
O que a operação apura
Segundo a PF, o esquema atuava direcionando contratos de escolas estaduais para empresas previamente escolhidas e ligadas ao grupo criminoso. Os investigados podem responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A PF aponta que Rangel era um dos líderes do grupo.
Na mesma manhã, foram cumpridos sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana — municípios da região Norte Fluminense, berço político do deputado.
Quem é Thiago Rangel?
Eleito em 2022 para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) em seu primeiro mandato, Rangel é natural de Campos dos Goytacazes e tinha passagem como vereador no município antes de assumir o cargo estadual. Também ocupou os cargos de superintendente regional do Ipem-RJ e diretor de fiscalização do Detran-RJ. É filiado ao Avante.
Histórico da operação e a conexão com Bacellar.
A Operação Unha e Carne já havia prendido o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), em dezembro de 2025 — e novamente em março de 2026. O TSE determinou a cassação do mandato de Bacellar em março, após as prisões. Rangel e Bacellar são ambos originários de Campos dos Goytacazes.
As investigações da quarta fase partiram da análise de mídias apreendidas nas fases anteriores da operação.
Reação da Secretaria de Educação.
A Seeduc informou que está realizando revisão administrativa de todos os procedimentos de obras e manutenção nas escolas estaduais e passou a fixar um teto de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção. Obras acima desse valor passarão a ser executadas pela Empresa de Obras Públicas (Emop-RJ). A secretaria afirmou colaborar com o MP, o TCE e demais órgãos de controle.
A defesa de Rangel negou qualquer ilícito e afirmou que o deputado prestará esclarecimentos no processo.
Fontes: CNN Brasil, Agência Brasil, Estado de Minas, Brasil de Fato.