Kinshasa – A República Democrática do Congo (RDC) confirmou mais de 2.000 infecções por ebola, com 754 mortes, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (15) pelas autoridades de saúde do país.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) classificou a progressão como “sem precedentes”. De acordo com a entidade, o total de diagnósticos triplicou em menos de cinco semanas, enquanto o número de óbitos quintuplicou. O surto já corresponde a mais da metade dos registros acumulados durante a epidemia de 2018 a 2020, que durou quase dois anos.
Transmissão fora do radar
Na terça-feira (14), o diretor de operações de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), Chikwe Ihekweazu, informou que 80% dos novos pacientes não estavam em listas de contatos conhecidos, indicando “cadeias de transmissão desconhecidas”. Muitos dos infectados morreram antes de chegar a uma unidade de saúde.
Segundo estimativa da OMS, o número real de casos provocados pela cepa Bundibugyo pode ser de duas a quatro vezes maior que o total oficialmente notificado.
Alcance geográfico
Os casos confirmados já se espalham por cinco províncias congolesas, ampliando a área de preocupação das equipes humanitárias. A MSF pediu reforço imediato da resposta médica para conter novas contaminações.
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Vacinas e tratamentos
Não há vacinas nem terapias aprovadas para a variante Bundibugyo. Contudo, a OMS informou que o primeiro ensaio clínico com um antiviral específico começou na terça-feira (14). A agência também alertou que dispõe de menos da metade dos recursos financeiros necessários para enfrentar a emergência.
O surto de ebola na RDC segue sendo monitorado por autoridades nacionais, organizações humanitárias e pela OMS, que reforçam a necessidade de detecção precoce, isolamento rápido dos pacientes e rastreamento rigoroso de contatos para reduzir a propagação do vírus.
Com informações de G1