Recuo de Trump sobre cobrança no Estreito de Ormuz mostra dificuldade para pôr fim à guerra com o Irã

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás em menos de 24 horas na ideia de cobrar um pedágio de 20% de todas as embarcações que cruzassem o Estreito de Ormuz, inclusive as de países aliados. A taxa havia sido anunciada na segunda-feira, 13 de julho de 2026, quando o governo americano restabeleceu um bloqueio naval contra navios iranianos.

Na terça-feira (14/07), Trump descartou completamente a medida e declarou que pretende negociar “acordos comerciais e de investimento” com parceiros do Golfo em troca de garantir passagem segura pelo estreito. A mudança de posição evidenciou o impasse para encerrar um conflito que já dura mais de quatro meses.

Memorando em colapso

Um memorando de entendimento firmado há cerca de um mês instituiu trégua temporária e abriu a possibilidade de conversas de paz. O entendimento fracassou às 10h16 (horário da costa leste dos EUA), 12h16 em Brasília, quando Trump anunciou na rede Truth Social a retomada do bloqueio e autorizou novos ataques a alvos dentro do Irã.

Teerã respondeu intensificando ofensivas contra aliados de Washington e contra navios comerciais, praticamente paralisando o tráfego em Ormuz. Embora os Estados Unidos tenham obtido vantagens militares — destruindo navios, aviões e posições iranianas —, o Irã ainda consegue ameaçar a principal rota de exportação de petróleo da região.

Contradição sobre pedágios

A proposta de pedágio não é inédita no discurso de Trump. Entretanto, há menos de um mês o secretário de Estado, Marco Rubio, havia criticado um plano semelhante de Teerã, alegando que “nenhum país pode cobrar taxas em via marítima internacional”.

O próprio memorando previa que o Irã se esforçaria para garantir a passagem segura de navios “sem cobrança de taxas” e prometia bilhões de dólares em investimentos, além do fim de sanções internacionais. Analistas avaliam que tais incentivos não foram suficientes para dissuadir o Irã de tentar ampliar seu controle sobre o estreito.

Pressões internas e externas

Segundo especialistas, Trump hesita em escalar o conflito por temer a alta no preço da energia e a impopularidade de uma guerra prolongada, mas também resiste a um acordo que considere inferior ao firmado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015. Na segunda-feira, após o anúncio do pedágio, o barril de petróleo subiu quase 10%, a maior alta diária em seis anos.

A estratégia de pressão, que anteriormente levou o Irã à mesa de negociações, pode ter perdido força. Entre os novos alvos citados por Trump está a montanha Kolang Gaz La, instalação nuclear fortemente protegida ao sul de Teerã; analistas divergem sobre o impacto que bombardeios poderiam ter no complexo subterrâneo.

Com a trégua desfeita, pontos centrais seguem sem solução: controle do Estreito de Ormuz, futuro do programa nuclear iraniano e influência regional de Teerã. À medida que a guerra se aproxima do quinto mês, o fim das hostilidades parece tão distante quanto nos primeiros dias do conflito.

Com informações de BBC News Brasil

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.