A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou nesta quarta-feira (15) que poderá interditar todos os corredores de exportação que favoreçam os Estados Unidos e seus aliados. O pronunciamento, divulgado pela agência estatal iraniana IRNA, veio depois de Teerã fechar o Estreito de Ormuz e de Washington restabelecer um bloqueio naval a portos iranianos.
No comunicado, a força de elite declarou que as “exportações regionais de energia serão compartilhadas por todos ou negadas a todos”.
Possível cerco em Bab el-Mandeb
Analistas avaliam que o Irã pode recorrer aos rebeldes houthis, no Iêmen, para interromper o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde circulam embarques de petróleo saudita e parte expressiva do comércio marítimo mundial.
Na segunda-feira (13), um alto dirigente houthi declarou estar pronto para fechar Bab el-Mandeb caso a Arábia Saudita mantenha ataques ao Iêmen, estimando que a medida poderia elevar o barril de petróleo a US$ 200. Horas depois, o grupo disparou mísseis contra território saudita, alegando represália a um bombardeio de Riade contra um aeroporto iemenita, o que rompeu uma trégua de quatro anos.
Desde outubro de 2023, quando começou a guerra em Gaza, os houthis já lançaram ofensivas contra navios no Mar Vermelho, dizendo mirar embarcações ligadas a Israel.
Ataques e contra-ataques
A mais recente ameaça ocorreu um dia após as Forças Armadas dos EUA iniciarem nova rodada de bombardeios para reduzir a capacidade iraniana de atacar a navegação no Estreito de Ormuz. Washington acusa Teerã de atingir sete navios comerciais na semana passada, resultando em quase uma dúzia de mortos, feridos ou desaparecidos.
O Comando Central norte-americano (Centcom) informou que, na noite de terça-feira (14), foram atingidos dezenas de alvos militares próximos a Ormuz e em áreas costeiras iranianas durante uma operação de sete horas. A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, afirmou que ao menos 30 civis morreram nos recentes ataques; o Exército do Irã relatou sete militares mortos na base de Bampur, no sudeste do país.
Reações regionais
Segundo a IRGC, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado “até o fim dos males dos Estados Unidos”. Antes da atual escalada, cerca de 20% do petróleo e gás transportados no mundo passava diariamente pelo canal.
A Guarda sustenta ter atingido instalações de comando, logística e combustível da 5ª Frota dos EUA no Bahrein, um centro logístico em Mina Abdullah, no Kuwait, e uma base americana em Azraq, na Jordânia. Já o governo jordaniano disse ter interceptado três mísseis balísticos que entraram em seu espaço aéreo na madrugada desta quarta-feira.
Imagem: Reuters
Em Kuwait City, a agência estatal noticiou que um incêndio em local alvo de ataque iraniano foi controlado, sem confirmar se se trata da mesma instalação mencionada pela IRGC.
Pressão de Washington
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou na terça-feira (14) bombardear usinas de energia e pontes iranianas “na próxima semana” caso Teerã não retome negociações. Ele declarou à Fox News que deixará “os alvos do setor energético para o final, mas, no fim, vamos atacá-los”.
Na segunda-feira (13), Trump sugeriu uma taxa de 20% sobre o transporte pelo Estreito de Ormuz, ideia criticada pela Organização Marítima Internacional da ONU e por outros atores do setor. No dia seguinte, recuou e afirmou que buscará acordos de investimento com países do Golfo.
Mercado do petróleo reage
Os preços do petróleo avançaram após subirem 2% na sessão de terça-feira, alcançando o maior patamar em um mês. O Brent fechou no valor mais alto desde 12 de junho, e o WTI, desde 15 de junho, com ambos os contratos mantendo a trajetória de alta no início das negociações desta quarta-feira.
As tensões retomadas na semana passada abalaram a trégua firmada em junho, depois de meses de confrontos que já deixaram milhares de mortos.
Com informações de CNN Brasil