Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) detiveram 10 mil pessoas em apenas cinco dias, na última semana de junho, enquanto o país sediava a Copa do Mundo de 2026. O número, apurado por Associated Press e “The New York Times” a partir de dados do Departamento de Segurança Interna (DHS), é o maior registrado em período equivalente desde o início das batidas ordenadas pelo presidente Donald Trump.
Até então, a média mensal de detenções em 2026 girava em torno de 30 mil casos. A ofensiva ocorreu longe dos estádios e dos grandes centros que receberam partidas, contrariando temores de que torcedores fossem alvo durante o torneio.
Mudança de estratégia
Fontes do governo informaram à Associated Press que, durante a Copa, o ICE recebeu orientação para conduzir ações pontuais e discretas a fim de cumprir metas sem impactar o evento esportivo. O deputado republicano Michael McCaul, presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara, confirmou ao site Politico que a presença dos agentes nas sedes tinha como foco “manter os jogos seguros”, não realizar deportações em massa.
A troca de comando no DHS também influenciou a abordagem. Após a demissão da ex-secretária Kristi Noem, seu sucessor, Markwayne Mullin, indicou preferência por operações menos expostas. Ele negou ordem explícita para evitar holofotes, mas admitiu que as ações deveriam ocorrer longe dos estádios.
Mortes recentes reacendem críticas
Apesar da tentativa de discrição, duas mortes envolvendo agentes do ICE recolocaram a agência em evidência. Na semana passada, um motorista mexicano foi baleado e morto durante abordagem em Houston, no Texas. Na segunda-feira, 13 de julho, um cidadão colombiano foi alvejado em Biddeford, no sul do Maine. Ambos os locais costumam registrar baixa atividade do ICE.
Após os episódios, agentes em todo o país receberam ordem para suspender abordagens a pessoas dentro de veículos, segundo Reuters e CNN. A deputada democrata Sydney Kamlager-Dove classificou os casos como “assassinatos” em publicação nas redes sociais e relembrou incidentes de hostilidade a delegações e árbitros no início do torneio.
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Contexto
Desde que reassumiu a presidência, em janeiro de 2025, Donald Trump reforçou a promessa de expulsar todos os imigrantes em situação irregular. As operações do ICE integram essa política, que ganhou intensidade mesmo durante o período em que o país recebia visitantes de todo o mundo para a Copa.
Ainda assim, o volume recorde de detenções passou quase despercebido pelo público internacional, concentrado nos jogos disputados nos Estados Unidos, Canadá e México.
Com informações de G1