Produtores do tradicional Parmigiano Reggiano enfrentam aumento de custos e queda na oferta de leite devido às temperaturas acima de 40 °C registradas neste verão no norte da Itália. O aquecimento prolongado força fazendas e armazéns a investir em sistemas extras de resfriamento para proteger vacas e as rodas de queijo que envelhecem por até três anos.
Menos leite, mais gastos
Segundo Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano e proprietário de uma fazenda fundada por sua família em 1895 nos arredores de Parma, o calor extremo faz com que as vacas fiquem mais tempo deitadas, se alimentem menos e produzam até 10 % menos leite. O leite, ao lado de sal e coalho, é um dos únicos três ingredientes permitidos na receita do queijo.
A produção de Parmigiano Reggiano é limitada a cinco províncias — a maior parte na Emília-Romanha — e exige que o gado seja alimentado exclusivamente com capim e feno locais. “Se não chove, o capim não cresce, o feno não existe e não há leite”, resumiu Bertinelli.
Ventiladores, nebulizadores e aspersores instalados nos estábulos ajudam a reduzir a temperatura, mas ampliam o consumo de energia. Os dispositivos, mantidos ligados 24 horas por dia, pressionam o orçamento das propriedades.
Pressão também sobre os armazéns
As rodas de queijo amadurecem em depósitos climatizados por no mínimo 12 meses. Nos dois armazéns operados pela Magazzini Generali delle Tagliate (MGT), do banco Credito Emiliano, em Reggio Emilia e Modena, estão estocadas mais de 500 mil peças avaliadas em mais de 300 milhões de euros. O diretor da MGT, Giancarlo Ravanetti, informou que, durante os picos de calor de 2026, o consumo diário de energia subiu cerca de 30 %. Para reduzir gastos futuros, a empresa reforçou isolamento térmico, modernizou sistemas de refrigeração e ampliou a geração de energia renovável.
No interior dos depósitos — popularmente apelidados de “Banco do Parmigiano” — cada roda passa por inspeções semanais. Especialistas utilizam pequenos martelos para detectar imperfeições e aparelhos de raio X para localizar possíveis fissuras.
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Impacto econômico
A cadeia do Parmigiano Reggiano movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e emprega milhares de pessoas. Em 2025, mais da metade das vendas foi destinada ao exterior, com os Estados Unidos liderando as importações. O grupo alimentício GranTerre, que faturou 1,87 bilhão de euros no ano passado, monitora de perto os gastos adicionais. “Se os eventos climáticos extremos ficarem mais longos e intensos, haverá reflexos na quantidade e na qualidade do leite e, sobretudo, no custo final”, afirmou o diretor internacional de vendas, Paolo Ganzerli.
“O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos. Não queremos ser a última geração a consumi-lo”, reforçou Ganzerli.
Com informações de G1