Resumo da Notícia

  • A Petrobras elevou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir de 1º de novembro, uma alta de R$ 0,45 por litro, para cerca de R$ 6,69.
  • É o terceiro reajuste mensal seguido do combustível; no ano, o QAV acumula alta de cerca de 84%, o equivalente a R$ 3,05 por litro sobre o preço de dezembro de 2025.
  • Segundo a Abear, o combustível saltou de cerca de 30% para mais de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, o que pressiona o preço das passagens.
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Voar no Brasil deve ficar mais caro nos próximos meses. A Petrobras elevou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir deste domingo (1º), um acréscimo de R$ 0,45 por litro em relação aos valores praticados em outubro. Com o reajuste, o litro do combustível passa de R$ 6,24 para cerca de R$ 6,69, segundo levantamento da revista eixos, e supera o pico que havia sido registrado em maio. No acumulado de 2026, a alta do QAV chega a aproximadamente 84%, o equivalente a R$ 3,05 por litro a mais do que o preço de dezembro de 2025.

O reajuste foi anunciado pela estatal e atinge diretamente o principal insumo da aviação comercial, usado por aviões e helicópteros em todo o país. Como a Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação, o movimento se espalha por praticamente toda a malha aérea brasileira, ainda que o mercado seja formalmente aberto e outras empresas possam produzir ou importar o combustível. Para as companhias aéreas, o aumento chega em um momento delicado: a proximidade da alta temporada de fim de ano, quando a demanda por voos cresce e as empresas têm menos espaço para absorver custos sem mexer nas tarifas.

Terceiro mês seguido de alta

O aumento de novembro é o terceiro consecutivo aplicado pela Petrobras ao QAV. Em outubro, o combustível já havia subido 11,76%, ou R$ 0,65 por litro, e em setembro a alta foi de 13,9%, de acordo com a série de reajustes mensais da estatal. Antes disso, agosto também registrou elevação, de 1,9%. O ano, porém, não foi só de aumentos: houve cortes de 9,4% em janeiro e de 0,5% em fevereiro, uma alta de 9,4% em março e reduções expressivas de 14,2% em junho e de 14,5% em julho, conforme o histórico reunido pela eixos.

A sequência recente, no entanto, apagou o alívio do meio do ano e empurrou o preço para o maior nível de 2026. Diferentemente de comunicados anteriores, a Petrobras não informou desta vez a variação acumulada do ano no anúncio do reajuste — o percentual de cerca de 84% foi calculado pela imprensa especializada a partir dos preços mensais divulgados pela própria companhia. A próxima revisão dos preços às distribuidoras está prevista para o início de dezembro, seguindo a periodicidade mensal dos contratos.

Tensões no exterior puxam o preço

Segundo a Petrobras, o reajuste reflete a elevação das cotações internacionais do querosene de aviação, em um cenário de intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e de redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em decorrência da guerra entre os dois países. O petróleo Brent, referência internacional usada na formação dos preços, acumula alta de 86% em 2026, depois de ter fechado 2025 cotado a US$ 60,85 o barril, segundo a eixos.

A estatal argumenta que a fórmula paramétrica prevista nos contratos com as distribuidoras amortece as oscilações de curto prazo: enquanto no exterior o preço do combustível às companhias aéreas pode ser revisto diariamente, no Brasil a atualização é mensal. Na avaliação da Petrobras, mesmo com os reajustes recentes, a variação acumulada do QAV no mercado brasileiro desde o início do conflito no Oriente Médio permanece abaixo da observada internacionalmente. Em setembro, a companhia também retomou o programa que permite às distribuidoras parcelar os reajustes do QAV em três parcelas mensais, uma tentativa de suavizar o impacto financeiro da escalada sobre a cadeia de distribuição.

O encarecimento do combustível acontece enquanto a estatal exibe números fortes em outras frentes: recentemente ,a Petrobras bateu recorde histórico de produção e superou a meta que previa apenas para 2028. Já o custo final do combustível para quem voa também carrega o peso dos tributos, tema que segue em debate no país, como mostrou a publicação da regra de alíquota de combustíveis no âmbito da reforma tributária e a aprovação, no Senado, de um corte de impostos sobre combustíveis.

Combustível já é quase metade do custo de voar

O combustível é, historicamente, um dos maiores custos de uma companhia aérea — e, em 2026, virou de longe o maior. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indicam que a participação do QAV nas despesas operacionais das empresas nacionais saltou de um patamar entre 30% e 32% para mais de 45% desde o agravamento das instabilidades no Oriente Médio. Na prática, quase metade de tudo o que uma companhia gasta para operar um voo hoje é querosene.

A pressão cresce sobre um setor que, em demanda, vai bem. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) repercutidos pela imprensa especializada, a aviação civil brasileira transportou 99,6 milhões de passageiros entre janeiro e setembro de 2026, um crescimento de 4,3% sobre o mesmo período do ano anterior, puxado principalmente pelos voos internacionais. É a combinação de demanda em alta e custo disparando que aperta as margens das empresas e começa a aparecer nas decisões de malha: em outubro, a Gol anunciou a suspensão de seis rotas internacionais e de pelo menos oito rotas domésticas, com efeitos previstos a partir de fevereiro de 2027.

Passagens devem sentir o efeito

Para o passageiro, a pergunta imediata é se a passagem vai subir na mesma proporção — e a resposta é que o repasse não é automático nem integral. O reajuste de 7,2% incide sobre o preço do combustível vendido às distribuidoras, que ainda carrega impostos e custos de distribuição até chegar aos tanques dos aviões. O valor final do bilhete depende também da demanda, da concorrência na rota, da antecedência da compra e da disponibilidade de assentos. Mesmo assim, com o combustível respondendo por mais de 45% dos custos, uma sequência de altas como a dos últimos três meses reduz drasticamente o espaço das companhias para promoções e tende a empurrar as tarifas para cima ao longo do tempo.

O movimento já vinha sendo sentido antes mesmo do reajuste de novembro: em outubro, ainda segundo dados do IPCA repercutidos pela imprensa, as passagens aéreas registraram alta de 9,66% no mês. Com a alta temporada de férias e festas de fim de ano se aproximando, o cenário é de bilhetes mais caros justamente no período de maior procura, o que pode levar parte dos viajantes a antecipar compras, trocar destinos ou migrar para o transporte rodoviário nas rotas mais curtas.

O que acompanhar

Os próximos capítulos dessa história passam, primeiro, pelo mercado internacional: se as cotações do QAV e do Brent mantiverem a trajetória de alta, a revisão de dezembro tende a trazer novo reajuste; uma acomodação dos preços lá fora, ao contrário, pode devolver parte do alívio visto em junho e julho. Vale observar também como as companhias aéreas vão reagir nas próximas semanas — ajustes de malha, mudanças em programas de fidelidade e o ritmo das promoções são os primeiros sinais de repasse ao consumidor.

Para o setor, o debate de fundo continua sendo o custo estrutural de voar no Brasil, que a Abear há anos aponta como superior ao de outros países justamente por causa do combustível. Com o QAV 84% mais caro do que em dezembro de 2025 e pesando quase metade dos custos das empresas, o reajuste de novembro deixa de ser apenas um número na planilha das distribuidoras: é uma pressão que atravessa toda a cadeia, do pátio do aeroporto ao preço da passagem que o brasileiro vai pagar para viajar no fim do ano.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.