
Resumo da Notícia
- A Petrobras registrou produção própria recorde de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre de 2026, alta de 11,7% em um ano e de 5,3% sobre o trimestre anterior.
- O recorde foi puxado pelo pré-sal, que somou 2,96 milhões de boed, pelo avanço das plataformas P-78 e P-79 em Búzios e pelo topo de produção do FPSO Alexandre de Gusmão, em Mero.
- Com 2,83 milhões de barris diários só de petróleo, a companhia superou já em 2026 o pico que o seu planejamento previa apenas para 2028, e as exportações de petróleo e derivados também bateram recorde.
A Petrobras encerrou o terceiro trimestre de 2026 com a maior produção de petróleo e gás de sua história. Segundo o relatório de produção e vendas divulgado pela estatal nesta quarta-feira (28), a produção própria alcançou 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um avanço de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 5,3% frente ao segundo trimestre deste ano. O resultado supera o recorde anterior, de 3,33 milhões de boed, registrado no trimestre passado, e consolida uma sequência de marcas históricas que vem se repetindo ao longo de 2026.
O número chama atenção por outro motivo: ele ultrapassa, com dois anos de antecedência, o pico que a própria companhia desenhava para 2028. De acordo com o Portal Tela, a produção de petróleo no Brasil atingiu 2,83 milhões de barris por dia, alta de 12,4% na comparação anual, acima do pico de 2,7 milhões de barris diários que o planejamento previa alcançar somente em 2028. No consolidado de óleo e gás, o desempenho também ficou acima do teto de 3,4 milhões de boed projetado para aquele ano, o que, na prática, antecipa o ponto mais alto da curva de produção traçada pela empresa.
O motor do recorde é o pré-sal. De acordo com a Petrobras, a produção própria nas camadas ultraprofundas da Bacia de Santos somou 2,96 milhões de boed no trimestre, novo recorde, contra 2,78 milhões de boed no segundo trimestre. Somente a parcela de óleo do pré-sal chegou a 2,454 milhões de barris por dia, crescimento de 15,9% em um ano e de 6,7% sobre o trimestre anterior. Quando se somam os volumes dos parceiros nos campos operados pela estatal, a produção total operada bateu em 5,082 milhões de boed, também recorde, dos quais 4,46 milhões de boed vieram do pré-sal.
Entre os ativos que puxaram o resultado, a companhia destaca o aumento gradual da produção dos FPSOs P-78 e P-79, instalados no campo de Búzios, o maior do país. No campo de Mero, foi a vez do FPSO Alexandre de Gusmão, o quinto navio-plataforma do ativo, que atingiu em 25 de agosto a capacidade originalmente prevista em projeto, de 180 mil barris por dia, e, após um aditivo de ampliação aprovado pelos órgãos reguladores, registrou em 3 de setembro um novo pico de 190 mil barris por dia. Segundo a OilPrice, as plataformas de Mero produziram, em média, 760 mil barris por dia no trimestre, o que mantém o campo como o terceiro maior produtor do Brasil, atrás apenas de Búzios e Tupi.
Além das novas unidades, a Petrobras atribui o desempenho à operação mais eficiente das plataformas já instaladas. A empresa informou que o patamar de eficiência da produção foi o maior em oito anos, o melhor desde o quarto trimestre de 2018, reflexo da confiabilidade dos sistemas e do menor volume de perdas com paradas para manutenção. No trimestre, entraram em operação 12 novos poços produtores, seis na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos, e o Índice de Utilização do Gás Associado (IUGA) alcançou o recorde de 98,3%, acima dos 98,1% registrados no fim de 2025.
O avanço da produção também apareceu no comércio exterior. As exportações de petróleo e derivados somaram 1.251 mil barris por dia no terceiro trimestre, recorde histórico, segundo os dados compilados pela Visno Invest a partir do relatório da companhia. O saldo líquido das exportações, por outro lado, recuou 14,6% em relação ao trimestre anterior, para 918 mil barris por dia, porque as importações mais que dobraram no período, com alta de 114,1%, movimento que a estatal costuma associar à logística de abastecimento do mercado interno.
No refino e na comercialização, as vendas de derivados no mercado interno somaram 1.854 mil barris por dia, aumento de 6,4% sobre o segundo trimestre e de 2,8% em um ano. O destaque foi o diesel, cujas vendas cresceram 14,4% no trimestre, em um cenário em que o governo prorrogou o subsídio ao diesel por mais 30 dias para segurar o preço ao consumidor. O querosene de aviação também avançou, com alta de 9,9% nas vendas do período.
Para o mercado, o relatório de produção funciona como uma prévia do balanço financeiro do trimestre, que a Petrobras divulga nas próximas semanas, e alimenta a expectativa em torno dos dividendos da companhia. O tema ganhou peso extra nos últimos dias, depois de a forte queda das ações da Petrobras após a reeleição de Lula ter colocado a estatal no centro das atenções dos investidores. Com produção e exportações em recorde, a leitura predominante é a de que a geração de caixa tende a acompanhar o ritmo operacional, ainda que o cenário externo siga sujeito a oscilações como as do petróleo em queda no mercado internacional, diante de uma oferta global acima da demanda.
Com a meta de 2028 alcançada dois anos antes do previsto, a pergunta que fica para os próximos trimestres é se a Petrobras consegue sustentar o novo patamar. A resposta depende da continuidade do ramp-up em Búzios, da entrada de novos poços e da manutenção dos índices de eficiência que sustentaram o recorde. Por ora, os números do terceiro trimestre mostram uma companhia operando no limite mais alto de sua história — e com folga sobre o roteiro que ela mesma havia desenhado.
