A carioca Flávia Saraiva transformou o Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, em palco de festa rubro-negra ao dominar o último dia do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística. Com rotinas cheias de personalidade, a atleta do Flamengo levou o ouro na trave e no solo e saiu da capital federal como o principal nome feminino da competição.
O desempenho coloca a ginasta de 1,45 m no centro das atenções rumo ao Mundial de outubro, na Holanda. Seu 13,833 no solo iguala a nota que rendeu o título mundial à japonesa Sugihara Aiko no ano passado, sinal de que Flávia embarcará para a Europa como candidata real ao pódio.
Domínio na trave abre caminho para o primeiro ouro
Flávia iniciou a manhã de domingo na trave, aparelho no qual exibe a habitual combinação de acrobacias de alta dificuldade com execução limpa. A nota 13,866 não apenas foi a mais alta da final, como também deixou margem confortável sobre a concorrência. A prata foi para Gabriela Barbosa, do Pinheiros, que fechou com 13,266, enquanto Gabriela Vieira, companheira de clube de Flávia, assegurou o bronze com 13,100.
Detalhes da série campeã
- Entrada com flic-flac + layout, mantendo articulação sem ajustes visíveis.
- Conexão sissone + salto grupado, conquistando décimos de bonificação.
- Saída duplo mortal grupado, cravada, que arrancou aplausos do público.
Show no solo embala torcida ao som de Luiz Gonzaga e Ney Matogrosso
Horas depois, Flávia voltou ao tablado para a final do solo. A rotina mesclou “Asa Branca”, clássico de Luiz Gonzaga, e “Homem com H”, sucesso eternizado por Ney Matogrosso, demonstrando a veia artística da carioca. O 13,833 confirmou o segundo ouro do dia e selou um pódio 100% flamenguista: Júlia Coutinho ficou com a prata (13,266) ao se apresentar ao som de “Maria, Maria”, enquanto Hellen Silva completou com o bronze (13,200).
Pontuação comparada ao cenário internacional
A nota obtida por Flávia equipara-se ao índice que valeu o ouro mundial em 2025, reforçando sua consistência técnica. Caso mantenha a precisão nos giros e a altura nos mortais, a brasileira entra no circuito de 2026 entre as oito melhores do ranking provisório divulgado pela Federação Internacional.
Finais masculinas: Nory, Caio e Yuri também sobem ao topo
O domingo reservou decisões equilibradas nos aparelhos masculinos. Na barra fixa, Arthur Nory e Diogo Paes, ambos do Pinheiros, empataram com 13,966. O critério de desempate — melhor execução — premiou Nory, campeão olímpico em 2016, que volta a conquistar um ouro nacional após séries focadas em amplitude nos Kovacs e esticamento nas largadas. Patrick Correia completou o pódio com 13,666.
Caio Souza confirma favoritismo nas paralelas
Um dia após vencer nas argolas, Caio Souza, do Minas Tênis Clube, foi praticamente irretocável nas barras paralelas. A nota 13,966 consolidou a hegemonia do ginasta fluminense no aparelho neste ciclo. Dreick Goulart, do Grêmio Náutico União, faturou a prata (13,133), e Johnny Oshiro, da Agith, levou o bronze (12,466) — resultado que se somou ao ouro que ele já havia conquistado no cavalo.
Salto consagra segundo ouro de Yuri Guimarães
Yuri Guimarães, outro representante da Agith, encerrou o evento com o título no salto. A média 14,133, obtida após um Dragulescu de boa altura e um duplo carpado com passo mínimo na saída, rendeu ao atleta o segundo ouro individual no torneio (o primeiro veio no solo, no sábado). João Perdigão, do Pinheiros, garantiu a prata, e Christian Dorneles, também da equipe paulista, ficou com o bronze.
Panorama final do Campeonato Brasileiro 2026
Encerrada a competição, o quadro de medalhas reflete a força dos principais clubes do país. O Flamengo dominou entre as mulheres, enquanto o Pinheiros manteve presença constante nas finais masculinas. Minas Tênis e Agith, por sua vez, provaram possuir elencos capazes de disputar títulos em aparelhos específicos.
Principais campeões por aparelho
- Trave: Flávia Saraiva (Flamengo) — 13,866
- Solo feminino: Flávia Saraiva (Flamengo) — 13,833
- Barra fixa: Arthur Nory (Pinheiros) — 13,966
- Barras paralelas: Caio Souza (Minas Tênis) — 13,966
- Salto masculino: Yuri Guimarães (Agith) — 14,133
Próximos passos até o Mundial da Holanda
Com o Brasileiro encerrado, a Confederação Brasileira de Ginástica inicia a reta final de preparação visando o Mundial de 18 a 25 de outubro, em Roterdã. Os resultados em Brasília servem de parâmetro para a convocação definitiva, que deve ser divulgada nas próximas semanas. A expectativa recai sobretudo sobre Flávia Saraiva, cuja performance empolgou comissão técnica e torcida.
O que falta para a equipe feminina
- Refinar a série de barras assimétricas, histórico ponto fraco do conjunto nacional.
- Aumentar o grau de dificuldade no salto para ganhar décimos decisivos na classificação por equipes.
- Manter a consistência apresentada na trave, aparelho que costuma desempatar finais olímpicas.
Masculino aposta na constância
Entre os homens, a comissão técnica avalia que a façanha de Arthur Nory na barra fixa devolve ao Brasil chance real de final global. Já Caio Souza e Yuri Guimarães apontam equilíbrio em aparelhos que tradicionalmente distribuem pontuação alta na somatória classificatória.
Torcida brasiliense aprova retorno do evento
Reaberto ao público após reformas, o Ginásio Nilson Nelson recebeu três dias de arquibancadas cheias, um contraste positivo com edições anteriores realizadas sem bilheteria em função da pandemia. A Confederação estuda manter Brasília no calendário fixo, intercalando a sede com centros de treinamento em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Números de público
- Sexta-feira (7): 4.100 ingressos
- Sábado (8): 5.600 ingressos
- Domingo (9): 6.200 ingressos
A presença maciça confirma o apelo popular de nomes como Flávia Saraiva e Arthur Nory, que se tornaram rostos familiares após participações olímpicas e alto engajamento nas redes sociais. Faltando pouco mais de dois anos para os Jogos de Los Angeles, o Brasileiro de 2026 oferece, portanto, um retrato empolgante da nova fase da ginástica nacional.