A deputada federal Carol de Toni (PL-SC) registrou uma evolução patrimonial que chamou atenção ao oficializar sua intenção de concorrer ao Senado por Santa Catarina em 2026. A declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta R$ 1,4 milhão em bens, valor praticamente duas vezes superior aos R$ 651 mil informados há quatro anos, quando ela disputou e venceu a eleição para a Câmara dos Deputados.
O salto de R$ 749 mil na soma do patrimônio pessoal da parlamentar aparece detalhado no sistema do TSE e passou a ser tema de conversas nos bastidores do Partido Liberal desde que a sigla homologou, em convenção realizada em 1.º de agosto, o nome de De Toni como pré-candidata à única vaga catarinense em disputa na próxima eleição para o Senado.
De R$ 651 mil para R$ 1,4 milhão: os números lado a lado
Na prestação de contas de 2022, Carol de Toni listou sete itens que totalizavam R$ 651.781,51. Eram essencialmente aplicações financeiras em produtos do Banco do Brasil, um terreno em Chapecó, um apartamento de 183,7 m² na mesma cidade e um Jeep Compass. À época, o lote estava avaliado em R$ 38 mil, enquanto o apartamento aparecia por R$ 172.058,98 – o bem mais valioso registrado então.
Quatro anos depois, a deputada manteve a propriedade do apartamento, mas informou novos aportes e variações de valor. O bem imobiliário continuou declarado pelos mesmos R$ 172.058,98, mas outros itens se somaram, elevando o total para R$ 1.394.309,50. Chamam atenção o crédito de R$ 383.459,76 classificado como “adiantamento para aumento de capital” na empresa Zancanaro Viva Park Ltda. e uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) pós-CDI de R$ 400 mil.
Declaração de 2022
- Terreno (lote 4 em Chapecó): R$ 38.000,00
- Jeep Compass: R$ 104.000,00
- Poupança Banco do Brasil: R$ 76.361,93
- LCA pós-CDI Banco do Brasil: R$ 250.000,00
- Conta corrente Banco do Brasil: R$ 7.790,34
- Conta corrente Banco do Brasil Brasília: R$ 3.570,26
- Apartamento em Chapecó (183,7 m²): R$ 172.058,98
Declaração de 2026
- Apartamento em Chapecó: R$ 172.058,98
- Aplicação Banco do Brasil: R$ 78.000,00
- Lote urbano: R$ 260.000,00
- Adiantamento para aumento de capital na Zancanaro Viva Park Ltda.: R$ 383.459,76
- Aplicação CDB Fácil Banco do Brasil: R$ 5.247,55
- Casa: R$ 38.000,00
- LCA pós-CDI Banco do Brasil: R$ 400.000,00
- Poupança Banco do Brasil: R$ 3.007,37
- Aplicação Banco do Brasil: R$ 45.035,84
- Aplicação CDB DI Banco do Brasil: R$ 7.500,00
Principais diferenças entre as duas listas
A comparação mostra três mudanças centrais. Primeiro, De Toni não incluiu o Jeep Compass na nova prestação; o veículo pode ter sido vendido ou transferido, mas não há detalhamento desse movimento nos documentos públicos. Segundo, surgiu o investimento na empresa Zancanaro Viva Park Ltda., responsável pela maior fatia de acréscimo em relação a 2022. Terceiro, a LCA praticamente dobrou de valor, saltando de R$ 250 mil para R$ 400 mil, o que comprimiu o peso relativo de outros ativos.
Além disso, a parlamentar declarou um novo lote urbano avaliado em R$ 260 mil e uma “casa” de R$ 38 mil – valor idêntico ao do antigo terreno, sugestão de que possa tratar-se do mesmo bem reclassificado, embora essa informação não esteja especificada no arquivo protocolado.
Homologação partidária e próximos passos
No encontro estadual do PL em 1.º de agosto, dirigentes confirmaram Carol de Toni como pré-candidata ao Senado. O partido ainda não definiu possíveis suplentes, mas a deputada já figura como uma das apostas do núcleo bolsonarista catarinense para a eleição de 2026. Com a confirmação, ela precisou atualizar seu cadastro de bens no sistema do TSE, passo obrigatório para filiados que pretendem disputar cargos eletivos.
Embora o primeiro turno ocorra só em 2026, a movimentação interna do PL indica estratégia de ocupar cedo espaços regionais considerados decisivos. Santa Catarina, que elege apenas um senador no próximo pleito, deve atrair protagonismo da legenda, sobretudo por concentrar base expressiva de eleitores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem De Toni é aliada próxima.
Transparência patrimonial em foco
A Lei das Eleições obriga postulantes a cargos públicos a apresentarem declaração completa de bens ao Tribunal Superior Eleitoral. Os dados integram o DivulgaCand, sistema que permite consulta pública às informações patrimoniais dos concorrentes. No caso de Carol de Toni, a documentação evidencia crescimento nominal de 114 % em quatro anos.
O patrimônio total informado ainda não considera eventuais dívidas ou compromissos financeiros, pois as prestações de contas ao TSE se concentram em bens e valores positivos. Isso significa que o aumento pode derivar tanto de aquisições quanto de valorização de ativos já existentes, como ocorre em aplicações atreladas ao CDI.
Reações dentro e fora do partido
A divulgação da nova soma gerou repercussões variadas entre correligionários. Parte do diretório catarinense avalia que o crescimento patrimonial transmite imagem de solidez financeira, ingrediente visto internamente como positivo na atração de apoiadores e doadores. Outro segmento, porém, teme suscitar críticas de adversários que poderão associar o salto a eventual conflito de interesses, ainda que não haja, nos documentos, qualquer indício de irregularidade.
Até o momento, a deputada não se pronunciou publicamente sobre a origem exata dos novos investimentos. Assessores próximos afirmam que o detalhamento será apresentado no momento oportuno, caso a imprensa ou a Justiça Eleitoral solicitem esclarecimentos adicionais.
O que permanece inalterado
Apesar das transformações, a declaração de 2026 manteve pontos já aparecidos em 2022. O apartamento em Chapecó continua listado com o mesmo valor, não havendo atualização patrimonial para essa unidade. O bem figurou como segundo item mais valioso da relação antiga e segue presente agora, embora tenha sido ultrapassado pela LCA pós-CDI e pelo aporte na Zancanaro Viva Park Ltda.
Ainda entre as repetições, o banco escolhido para a maioria das operações segue sendo o Banco do Brasil, instituição onde a deputada conserva poupança, conta corrente e diversos certificados de depósito. A permanência reforça, segundo pessoas ligadas à campanha, preferência pessoal da parlamentar e praticidade para gerenciar recursos.
Perspectiva para 2026
Com a pré-candidatura oficialmente aceita pela direção estadual do PL, Carol de Toni passará a percorrer municípios catarinenses em agendas que combinam encontros partidários, reuniões com lideranças empresariais e participação em eventos do agronegócio, setor com peso histórico na economia local. O patrimônio turbinado tende a entrar no debate eleitoral, sobretudo quando rivais discutirem capacidade de financiar a própria campanha.
O cronograma interno do partido prevê intensificar a exposição da parlamentar a partir de 2025, quando se encerram as restrições de gastos e de propaganda impostas pela legislação atual. Até lá, aliados esperam consolidar imagem de candidata viável, amparada por base eleitoral construída na Câmara dos Deputados e, agora, por patrimônio mais robusto.
Próximas atualizações no TSE
Caso avance para o registro oficial da candidatura, Carol de Toni terá de reenviar declaração de bens em data próxima ao prazo final definido pela Justiça Eleitoral. Qualquer variação ocorrida entre agosto de 2024 e o início formal da campanha precisará ser incluída. A omissão de valores ou a subavaliação de ativos pode levar à rejeição do pedido de registro, além de representar infração sujeita a investigação.
Enquanto isso, a declaração de R$ 1,4 milhão segue disponível para consulta pública no portal do TSE — documento que, a despeito da discussão política que provoca, evidencia cumprimento da obrigação legal pela deputada e oferece a eleitores, adversários e analistas um retrato financeiro atualizado da futura concorrente ao Senado por Santa Catarina.