De autoexílio nos EUA, Eduardo Bolsonaro chama Alexandre de Moraes de “tiranete” após operação contra ex-secretário do Maranhão

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Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a usar as redes sociais para atacar o ministro Alexandre de Moraes. De solo norte-americano, onde se mantém desde fevereiro de 2025, o ex-deputado chamou o magistrado do Supremo Tribunal Federal de “tiranete de beira de estrada” ao comentar a operação de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, deflagrada na terça-feira (11/8) por ordem do próprio Moraes.

O ataque verbal ocorre dois meses depois de a Primeira Turma do STF ter condenado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por tentar constranger a Corte durante o julgamento que puniu o pai dele por tentativa de golpe de Estado. Desde então, Eduardo permanece nos Estados Unidos e, à distância, tem reforçado a retórica contra o ministro responsável por parte das decisões que atingem o bolsonarismo.

Contexto do ataque virtual

A publicação no X

Na quarta-feira (12/8), Eduardo Bolsonaro acionou sua conta no X (antigo Twitter) para comentar a novidade processual que atinge Raimundo Cutrim. Na postagem, afirmou que “não é preciso dar razão” aos alertas feitos pela direita, mas que haveria necessidade de reconhecer, segundo ele, “o erro de pintar Moraes como virtuoso”. O ponto alto da mensagem foi a expressão “tiranete de beira de estrada”, dirigida diretamente ao ministro do STF.

A publicação ganhou repercussão imediata nos perfis alinhados ao ex-deputado, alimentando novas críticas à atuação de Moraes em inquéritos que correm sob sua relatoria. Em nenhum momento, porém, Eduardo detalhou os motivos da operação nem mencionou provas ou elementos concretos sobre o caso de Cutrim.

Histórico de embates

Não é a primeira vez que o parlamentar cassado se refere ao magistrado em termos agressivos. Desde 2021, quando Moraes passou a relatar investigações sobre atos antidemocráticos, Eduardo protagoniza declarações de confronto. A mais recente sentença contra ele, de coação e por unanimidade, agravou a tensão. O voto vencedor descreveu tentativa de interferência direta no julgamento que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Condenação e autoexílio do ex-deputado

Eduardo Bolsonaro foi sentenciado em junho deste ano a quatro anos e dois meses de reclusão, mais pagamento de multa, pela Primeira Turma do STF. Os ministros concluíram que o então deputado atuou para intimidar integrantes da Corte quando o colegiado analisava denúncias contra seu pai. Por se tratar de crime praticado durante o exercício do mandato, o julgamento ocorreu no Supremo.

Com o resultado, Eduardo deixou o país no mês seguinte, alegando “perseguição política”. Instalou-se nos Estados Unidos, onde mantém intensa presença digital. A defesa recorreu da condenação, mas o recurso ainda não foi analisado. Na prática, a execução provisória da pena aguarda definições sobre extradição e eventual ordem de captura internacional.

A operação contra Raimundo Cutrim

O que se sabe até agora

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências e em endereços ligados a Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão, na terça-feira (11/8). A investigação corre em sigilo. Conforme informou a assessoria do STF, a medida foi solicitada pela própria PF e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Não foram divulgados detalhes sobre o objeto da apuração nem quais possíveis crimes teriam motivado o pedido. Os agentes recolheram documentos e dispositivos eletrônicos que agora serão periciados. O processo tramita sob a relatoria de Alexandre de Moraes.

A posição da defesa

O advogado José Berilo de Freitas Leite, que representa Cutrim, afirmou não ter recebido acesso ao conteúdo integral dos autos. Ele destacou preocupação com a exposição de fonte jornalística — argumento citado porque parte das suspeitas envolve repasses de informação a profissionais de imprensa. O defensor invocou o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição, que garante o sigilo de fontes “quando necessário ao exercício profissional”.

Embora ainda sem acesso às peças processuais, a defesa sustenta que a honra e a liberdade de imprensa devem ser preservadas independentemente do desfecho da investigação. O posicionamento reforça tese frequente em casos analisados por Moraes, nos quais a fronteira entre proteção à imprensa e supostos vazamentos ilegais vira tema de debate jurídico.

Precedente envolvendo jornalista no Maranhão

A investigação de março de 2026

O episódio que levou Eduardo Bolsonaro a chamar atenção para a “escalada autoritária” ressuscitou lembranças de outra operação conduzida pela PF sob ordem de Alexandre de Moraes. Em março de 2026, o jornalista Luís Pablo Almeida também teve computadores e celulares apreendidos depois de publicar reportagens sobre o uso de veículos oficiais no governo maranhense. Assim como no caso Cutrim, PF e PGR atuaram em sintonia.

Naquela ocasião, Moraes autorizou o recolhimento de todo material eletrônico do repórter. Entidades de defesa da liberdade de imprensa protestaram, argumentando que a medida poderia comprometer o sigilo de fontes. O processo permanece em sigilo, e parte dos materiais ainda está sob guarda da Polícia Federal, à espera de análise pericial.

Repercussão política

A fala de Eduardo repercutiu rapidamente no núcleo bolsonarista. O senador Flávio Bolsonaro pediu que os demais ministros do Supremo “se posicionem” sobre a operação contra Cutrim. “Eu acho que o momento é de todo mundo se posicionar”, disse, ampliando a pressão sobre a Corte.

Enquanto opositores acusam o clã Bolsonaro de atacar instituições para deslegitimar decisões judiciais, aliados afirmam ver excessos nas investigações conduzidas por Moraes. O embate, agora potencializado pela nova ofensiva no Maranhão, reforça a polarização que marca o cenário político brasileiro desde 2019 e coloca novamente o ministro no centro de um debate sobre limites entre investigação criminal, liberdade de expressão e independência dos Poderes.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.