Nepal entra no quarto dia de buscas após enxurrada devastar vilarejos e deixar 3 mil desaparecidos

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O cenário no vale do rio Trishuli, na fronteira entre Nepal e China, continua dramático quatro dias depois do colapso de uma geleira que deu origem a uma onda de lama e água. As autoridades confirmam 750 mortos — 734 em território nepalês e 16 do lado chinês —, enquanto mais de 3 mil pessoas seguem desaparecidas.

Equipes militares e voluntários varam a madrugada em busca de sobreviventes entre escombros de casas, escolas e usinas hidrelétricas destruídas. A cada nova chuva, o nível dos rios volta a subir, interrompe operações e alimenta o temor de inundação repentina caso o lago formado no deslizamento se rompa.

Caos nas montanhas

A torrentosa enxurrada começou quando uma geleira se rompeu no alto Himalaia, arrastando rochas, árvores e lama por gargantas estreitas até atingir aldeias na região de Nuwakot e trilhas usadas por turistas. A Cruz Vermelha calcula que mais de 9 mil pessoas foram diretamente afetadas — perderam casas, plantações ou acesso a serviços básicos.

Estradas isoladas e pontes varridas

  • Duas dezenas de pontes ruíram, cortando ligações vitais entre comunidades.
  • Estradas nacionais estão cobertas por até dois metros de entulho, segundo o Departamento de Estradas do Nepal.
  • Hospitais regionais relatam falta de energia e de suprimentos médicos depois que pequenas hidrelétricas foram alagadas.

Ponto crítico: rio Trishuli

O leito do Trishuli subiu novamente na noite de sábado, forçando moradores a buscar terrenos mais altos e obrigando os socorristas a recuar. Drones do Exército detectaram novos deslizamentos na encosta, o que elevou o nível de alerta.

Operação de resgate ganha reforços

Até o momento, 7.514 pessoas foram retiradas de áreas de risco. As equipes concentram esforços em túneis de usinas hidrelétricas danificadas, onde se acredita haver centenas de trabalhadores encurralados.

Mau tempo complica buscas

Chuva intermitente e nevoeiro denso obrigaram a suspender voos de helicópteros de evacuação em vários momentos desde sexta-feira. “É o desastre de maior complexidade que enfrentamos em anos”, declarou o chanceler chinês, Wang Yi, pela TV estatal CCTV.

Necessidades técnicas específicas

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, Lok Bahadur Chhetri, afirmou que o país requer ajuda internacional em quatro frentes: resgate em túneis, testes de DNA para identificação de vítimas, armazenamento refrigerado de corpos e análise forense de restos mortais em decomposição.

Cálculo dos danos

O Ministério das Finanças nepalês estima um custo entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para reconstruir as áreas destruídas — valor equivalente a quase um quinto do PIB nacional. Vilarejos inteiros desapareceram, e a perda de infraestrutura escolar e hospitalar ameaça ampliar o impacto social nas próximas semanas.

Turismo duramente atingido

O Conselho de Turismo do Nepal informa que mais de 400 estrangeiros, muitos deles alpinistas e praticantes de trekking, seguem sem contato desde a tragédia. O sumiço dessas pessoas pressiona capitais como Nova Délhi, Pequim, Washington e Londres a cobrarem rapidez nas buscas.

Diplomacia sob pressão

Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh ofereceram enviar equipes especializadas. Inicialmente, Katmandu declarou ter capacidade própria, mas, diante de insistência diplomática, passou a aceitar apoio técnico, ainda que dispense grupos de busca completos.

O recuo ocorreu após reuniões emergenciais no Ministério das Relações Exteriores, na sexta-feira. “Nossos socorristas podem continuar, mas acolheremos peritos estrangeiros em áreas onde faltam recursos”, disse o ministro Shisir Khanal.

Ajuda financeira e desafios futuros

Os Estados Unidos anunciaram pacote de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 18,7 milhões) para assistência alimentar e kits de emergência a 10 mil famílias desabrigadas. Outros países sinalizam doações, mas o governo nepalês prioriza a liberação de rotas comerciais, solicitando a Índia e à China a reabertura antecipada de passagens bloqueadas.

Reconstrução de longo prazo

  1. Restabelecer ligações rodoviárias e pontes para garantir fluxo de mantimentos e equipes médicas.
  2. Reerguer unidades de saúde e escolas para evitar êxodo rural em massa.
  3. Reavaliar projetos hidrelétricos em zonas de risco sísmico e glaciar.

Enquanto o debate sobre prevenção ganha força, a prioridade imediata permanece salvar vidas. Com o solo encharcado e previsões de chuva para os próximos dias, cada hora perdida pode aumentar uma contagem de vítimas já trágica.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.