Comitiva indiana mira R$ 20 bi em comércio com Brasil e destrava novos investimentos

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A Índia saiu do discurso e aterrissou no Brasil com uma missão clara: quase dobrar, em quatro anos, a corrente comercial entre os dois países. A meta é passar dos atuais R$ 15 bilhões para R$ 20 bilhões, esforço que mobilizou nesta semana uma delegação liderada pelo secretário de Comércio indiano, Rajesh Agrawal, e composta por representantes de 19 empresas de setores que vão do agronegócio à defesa.

Além de rodadas de negócios em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o grupo firmou com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) um memorando de entendimento que abre caminho para novas linhas tarifárias, intercâmbio de informações estratégicas e projetos conjuntos de atração de capital. O acordo, que prevê mecanismos de facilitação e solução de gargalos logísticos, é visto pelos dois governos como a peça que faltava para destravar o salto bilionário almejado.

Meta ambiciosa de R$ 20 bilhões

Mais produtos na pauta de exportação

Para sair do papel, o objetivo de R$ 20 bilhões depende de expansão tarifária. Ambos os governos analisam a inclusão de novos códigos na Tarifa Externa Comum que permitam a entrada de mercadorias ainda pouco exploradas, como bioinsumos, máquinas agrícolas e dispositivos médicos. Do lado indiano, há interesse especial em fertilizantes, enquanto o Brasil quer vender proteína animal processada, etanol de segunda geração e novos derivados de soja.

Panorama da balança atual

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2025, o intercâmbio somou US$ 15,2 bilhões – alta de 25% sobre o ano anterior. O Brasil exportou US$ 6,9 bilhões, puxado por petróleo, óleos vegetais, açúcar, minério de ferro e algodão. As importações atingiram US$ 8,3 bilhões, concentradas em fármacos, fertilizantes, polímeros e defensivos agrícolas. Esse déficit, na avaliação do MDIC, tende a diminuir se o país ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado, justamente o foco das negociações tarifárias.

Investimentos indianos em solo brasileiro

Mina de ferro no Rio Grande do Norte

O caso mais emblemático é o da Fomento, conglomerado sediado em Goa que já desembolsou mais de US$ 450 milhões na construção de uma mina de minério de ferro em Jucurutu (RN). O projeto totaliza R$ 2,5 bilhões, inclui ramal ferroviário e culminou com a vitória da empresa no leilão de parte do porto de Natal, por onde serão exportadas 2 milhões de toneladas anuais a partir de 2029. A operação deve gerar 3 mil empregos diretos e indiretos, além de colocar o Nordeste no radar global de commodities metálicas.

Novas frentes de interesse

Setores de infraestrutura, logística portuária, energias renováveis e tecnologia da informação também atraem as companhias que vieram ao país. Segundo a ApexBrasil, oito memorandos setoriais foram discutidos reservadamente, entre eles:

  • instalação de fábrica de insumos farmacêuticos em Minas Gerais;
  • parceria para produção de tratores de pequeno porte no interior de São Paulo;
  • joint venture em biocombustíveis no Mato Grosso do Sul;
  • modernização de armazéns portuários no Maranhão.

Embora ainda sem valores divulgados, esses projetos se somam a aportes já existentes de grupos como TCS, UPL e Mahindra, reforçando a Índia como um dos investidores que mais crescem no mercado brasileiro.

Vínculo político e estratégia internacional

Alinhamento Lula–Modi

A sintonia entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi fortalece o pano de fundo diplomático da aproximação. Ambos defendem maior voz do Sul Global em organismos multilaterais, cobram financiamento climático para países em desenvolvimento e pressionam por reformas na governança do comércio mundial. O relacionamento ganhou tração em fevereiro, quando Lula visitou Nova Délhi e assinou acordos em minerais críticos, transição energética e pesquisa agrícola.

Diversificação em meio a tensões tarifárias

Oficiais brasileiros reconhecem que a corrida para ampliar laços com a Ásia também responde à incerteza gerada pela política comercial dos Estados Unidos. A avaliação é que, reduzindo a dependência do mercado norte-americano, o Brasil ganha fôlego para negociar condições mais favoráveis e suporta melhor eventuais sobretaxas. Nesse xadrez, a Índia desponta como parceiro complementar: precisa de alimentos, energia limpa e minérios, enquanto oferece tecnologia, fármacos e investimentos em infraestrutura.

Próximos passos

O memorando assinado nesta semana institui um comitê Brasil–Índia que passará a se reunir trimestralmente. A primeira tarefa será mapear barreiras não tarifárias – licenças sanitárias, certificações e requisitos técnicos – que ainda emperram embarques nos dois sentidos. Também está em elaboração um programa de intercâmbio para pequenas e médias empresas, que terão acesso a missões comerciais, rodadas virtuais e linhas de crédito do BNDES e do Exim Bank of India.

Se o cronograma for mantido, os novos códigos tarifários poderão entrar em vigor já no primeiro semestre de 2026, coincidindo com a fase de instalação dos projetos industriais anunciados nesta viagem. Com isso, Brasília e Nova Délhi pretendem chegar à marca de R$ 20 bilhões até 2028, consolidando uma parceria que combina ambição econômica e convergência política inéditas na história recente dos dois países.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.