O penúltimo dia útil de agosto foi de agendas cheias para quem disputa o Palácio do Planalto. Entrevistas, sabatinas, coletivas e atos de rua levaram os presidenciáveis a Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Gravataí, onde temas como crescimento econômico, estímulo ao pequeno negócio, combate à corrupção e a manutenção dos Correios como empresa pública pautaram a conversa com eleitores e setores produtivos.
Embora em ritmos diferentes, sete candidaturas estiveram ativas nesta segunda-feira (31). A reportagem reúne, em ordem alfabética, os principais compromissos de cada um e as mensagens que pretendem colar no eleitorado a menos de dois meses do primeiro turno.
Economia no centro dos holofotes
Augusto Cury (Avante) foca em valor agregado e crédito para empreendedores
Em Curitiba, o candidato do Avante defendeu que o Brasil deixe de ser apenas fornecedor de commodities para assumir papel de “supermercado do mundo”, exportando produtos com valor agregado. Segundo ele, a estratégia passa por reduzir custos de produção e ampliar linhas de financiamento que alcancem micro e pequenos empresários. Cury encerrou o dia em Gravataí (RS), onde inaugurou o comitê estadual de campanha.
Ronaldo Caiado (PSD) busca sintonia com indústria automotiva e construção civil
Pela manhã, Caiado participou de sabatina na rádio Jovem Pan, em São Paulo, e em seguida ouviu demandas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O presidenciável prometeu “viabilidade” para toda a cadeia produtiva e criticou a forma como a escala de trabalho 6×1 foi debatida no Congresso, alegando falta de ajuste à realidade de cada setor. À tarde, repetiu o roteiro no Sindicato da Indústria da Construção Civil paulista, onde voltou a defender previsibilidade regulatória para atrair investimentos.
Renan Santos (Missão) reage à suspensão de propaganda eleitoral
O líder do partido Missão concedeu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e enfrentou sabatina da Gazeta do Povo. Entre um compromisso e outro, convocou coletiva para criticar a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, que retirou do ar peça de TV da campanha. “Foi uma inflexão autoritária”, disse, anunciando recurso da legenda para restabelecer o material.
Romeu Zema (Novo) associa Lava Jato ao debate anticorrupção
Logo cedo, o ex-governador mineiro encontrou apoiadores em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, símbolo da operação Lava Jato. A agenda, planejada para reforçar o discurso de tolerância zero à corrupção, prosseguiu no bairro Santa Cândida, onde conversou com moradores sobre transparência na gestão pública.
Hertz Dias (PSTU) pressiona contra privatização dos Correios
Em Porto Alegre, o candidato operário dedicou o dia a panfletagens e diálogos com carteiros e profissionais da estatal. No centro da capital gaúcha, na UFRGS e em sindicatos, ele repetiu o mote: “Os Correios são patrimônio do povo e cumprem papel estratégico de integração; privatizar é rasgar esse pacto social”.
Clariana Barão (Democracia Cristã) aposta em emissoras regionais
A presidenciável foi entrevistada pela Rádio Pinel, no Rio Grande do Sul. Embora não tenha detalhado propostas públicas nesse compromisso, a estratégia da campanha é reforçar presença em veículos locais para ganhar reconhecimento em praças onde é pouco conhecida.
Wilson Grassi (Democrata) calibra comunicação interna
O dia do candidato foi reservado a ajustes de mensagem. Pela manhã, Grassi reuniu coordenação e marqueteiros; à tarde, gravou vídeos de redes sociais que serão lançados ainda nesta semana.
Quem ficou longe dos holofotes
Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) não divulgaram compromissos externos. As equipes afirmam que os postulantes focaram gravações de material de rádio e TV ou reuniões internas, mas sem previsão de agendas públicas.
Calendário apertado e prioridades divergentes
Com 40 dias até o primeiro turno, as movimentações de segunda-feira revelam prioridades distintas. No campo da economia, Caiado mira articulação com grandes indústrias, enquanto Cury escolhe o pequeno empreendedor como alvo preferencial. Zema tenta prolongar o apelo da Lava Jato, e Renan Santos reforça a narrativa de vítima de censura para mobilizar apoiadores. Já Hertz Dias se concentra nas lutas trabalhistas e na defesa de estatais, tema também caro a sindicatos.
Mesmo sem agenda pública, nomes que lideram pesquisas, como Lula, buscam manter capital político através de redes e programas eleitorais. Analistas lembram que, passadas as convenções, cada dia de rua é calculado para maximizar exposição sem arriscar desgaste.
Próximos passos
A terça-feira (1º) promete deslocar parte dos candidatos ao Nordeste, onde serão divulgados planos específicos para semiárido e infraestrutura hídrica. Em Brasília, representantes de mais de 20 partidos têm encontro marcado no Tribunal Superior Eleitoral para discutir limites do impulsionamento digital durante a campanha.
A agenda completa de cada presidenciável é divulgada diariamente pelos respectivos comitês e pode sofrer alterações de última hora, sobretudo após decisões judiciais ou mudanças no quadro sanitário local.