
Por Escobar
O Brasil vai decidir o próximo presidente da República no segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os dois candidatos mais votados no primeiro turno, realizado neste domingo (4), e voltam a se enfrentar nas urnas no dia 25 de outubro. Com 99,97% das urnas apuradas, Flávio somava 56,1 milhões de votos (47,04%), contra 53,8 milhões (45,15%) de Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado foi matematicamente definido às 20h57 de domingo.
Os números da apuração do primeiro turno
A apuração do primeiro turno confirmou o cenário mais apertado da história das eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização. Nos números finais, com 99,99% das urnas totalizadas, Flávio Bolsonaro alcançou 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 53.876.617 votos, ou 45,16% dos votos válidos.
A diferença entre os dois candidatos foi de 2.227.651 votos — apenas 1,87 ponto percentual separando o primeiro do segundo colocado. Como nenhum dos dois atingiu mais da metade dos votos válidos, a legislação eleitoral determina a realização do segundo turno entre os dois mais votados.
O primeiro turno mais equilibrado desde a redemocratização
A eleição de 2026 entrou para a história como o primeiro turno presidencial mais disputado desde a redemocratização do país. A marca anterior pertencia à eleição de 2022, quando Lula terminou a primeira etapa com 5,23 pontos percentuais de vantagem sobre Jair Bolsonaro — quase três vezes a diferença registrada agora.
Será a oitava vez que a Presidência da República será definida em segundo turno desde 1989. As únicas exceções ocorreram em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso venceu já no primeiro turno.
O que disse Flávio Bolsonaro após o resultado
Em coletiva de imprensa após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro afirmou que o desempenho nas urnas mostra que “o Brasil quer mudança”. O candidato do PL celebrou os quase 56 milhões de votos recebidos em todas as regiões do país.
“Eu fiquei muito feliz com a quantidade de brasileiros que foram às urnas, não se omitiram e queriam essa mudança”, declarou. Ele disse ainda que, se eleito, pretende montar “um governo moderno, com menos ministérios”, e indicou que nomearia pelo menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio também voltou a defender o fim da reeleição para a Presidência: “Eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição. Eu só preciso de um mandato para colocar o brasileiro no centro do meu governo”. Segundo ele, a campanha das próximas três semanas será voltada à apresentação de um projeto diferente para o país.
Lula fala em São Paulo na noite da apuração
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, fez um pronunciamento por volta das 21h40 em um auditório do Hotel Renaissance, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, após a confirmação do segundo turno.
A campanha petista aposta agora na mobilização da base e na busca pelos votos dos eleitores dos demais candidatos do primeiro turno para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro nas próximas três semanas.
Os outros candidatos do primeiro turno
Além dos dois finalistas, o primeiro turno teve outros nomes na disputa. Na terceira colocação apareceu Escritor Cury (Avante), com 3.443.598 votos (2,89%), seguido por Renan Santos (Missão), com 2.673.384 votos (2,25%), e Ronaldo Caiado (PSD), com 2.602.480 votos (2,19%).
Os demais candidatos ficaram abaixo de 1% dos votos válidos: Romeu Zema (Novo), com 326.115 votos (0,27%); Samara (UP), com 122.807 (0,10%); Hertz Dias (PSTU), com 43.046 (0,04%); Clariana Barão (DC), com 40.002 (0,03%); Edmilson Costa (PCB), com 22.636 (0,02%); Veterinário Grassi (Democrata), com 16.854 (0,01%); e Rui Costa Pimenta (PCO), com 15.014 votos (0,01%).
Os votos recebidos por esses candidatos no primeiro turno não são transferidos automaticamente para nenhum dos finalistas. No segundo turno, cada eleitor vota novamente, escolhendo entre Flávio Bolsonaro e Lula.
O que esperar do segundo turno em 25 de outubro
Com a disputa restrita a dois candidatos, as próximas três semanas prometem uma campanha intensa. O calendário oficial do TSE prevê o retorno da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão entre os dias 9 e 23 de outubro. Diferentemente do primeiro turno, no segundo turno o tempo de propaganda é dividido igualmente entre os dois candidatos — regra que vale tanto para a disputa presidencial quanto para as disputas estaduais.
As inserções serão veiculadas de segunda-feira a sábado, e os debates entre os candidatos também devem marcar a reta final da campanha. A expectativa é de confronto direto entre os dois projetos, com Flávio Bolsonaro tentando ampliar a vantagem construída no primeiro turno e Lula buscando virar o jogo junto ao eleitorado que votou em outros candidatos ou que se absteve.
Além da Presidência, seis estados e o Distrito Federal também terão segundo turno para governador, decidido na mesma data, 25 de outubro: Acre (Mailza Assis x Alan Rick), Amazonas (Omar Aziz x Professora Maria do Carmo), Distrito Federal (Celina Leão x Leandro Grass), Espírito Santo (Lorenzo Pazolini x Ricardo Ferraço), Rio de Janeiro (Douglas Ruas x Eduardo Paes), Rio Grande do Norte (Allyson x Cadu de Lula) e Tocantins (Professora Dorinha x Vicentinho Júnior).
Serviço — segundo turno das Eleições 2026
- Data da votação: domingo, 25 de outubro de 2026
- Disputa presidencial: Flávio Bolsonaro (PL) x Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- Propaganda eleitoral gratuita: de 9 a 23 de outubro, com tempo dividido igualmente
- Quem vota: o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos
- Onde votar: o eleitor pode consultar o local de votação pelo aplicativo e-Título ou no portal do TSE, no Autoatendimento Eleitoral
Fontes: CNN Brasil, g1 (via 98FM Curitiba), TSE, Agência Brasil.
