
Resumo da Notícia
- A Cedec e a Secretaria da Educação lançaram um guia prático para escolas em casos de vendaval, granizo e alagamentos
- O material de 23 páginas terá download gratuito e treinamento em 2.474 escolas da rede estadual
- O lançamento ocorre após temporais que afetaram milhares de pessoas e em meio ao avanço do El Niño
A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná (Cedec) e a Secretaria de Estado da Educação prepararam um guia prático para orientar escolas sobre como agir diante de eventos climáticos severos. O material reúne procedimentos específicos para situações de vendaval, granizo, inundações e alagamentos — tanto dentro das unidades de ensino quanto nas áreas próximas às escolas.
O lançamento está previsto para esta terça-feira (6), às 19h, durante uma transmissão ao vivo do Programa Brigadas Escolares – Defesa Civil na Escola no YouTube. O guia foi desenvolvido diante da previsão de maior influência do fenômeno El Niño sobre o Paraná nos próximos meses. Segundo a Defesa Civil, outubro e novembro exigem atenção especial devido ao risco de episódios meteorológicos severos.
O que traz o guia
O documento tem 23 páginas e poderá ser baixado gratuitamente no site da Defesa Civil (defesacivil.pr.gov.br). Ele servirá como referência para diretores, professores e demais profissionais das instituições de ensino organizarem ações preventivas e protocolos de resposta a eventos climáticos extremos.
O material orienta desde a preparação prévia — como identificar áreas de risco dentro e fora da escola — até as ações durante e após os eventos. Entre as atividades previstas estão os simulados de abandono de edificações, praticados quatro vezes por ano na rede estadual, que ensinam estudantes e servidores a deixar os prédios de maneira rápida e organizada quando houver risco.
O guia foi elaborado pela equipe do Programa Brigadas Escolares, que desde 2015 atua na preparação, prevenção, mitigação e resposta a situações adversas no ambiente escolar que possam oferecer risco a alunos, professores e demais funcionários. Nesses 11 anos, o trabalho se concentrou na capacitação de servidores sobre noções de primeiros socorros e no combate a princípios de incêndio — agora ampliado para os riscos climáticos.
Treinamento em toda a rede estadual
Com base nos novos protocolos, a rede estadual deve promover treinamentos em 2.474 colégios estaduais e escolas de educação especial entre outubro e novembro. O calendário das atividades abrange todas as unidades do estado.
“Essas cartilhas são mais uma ação que potencializa o nosso compromisso comum em assegurar o bem-estar da comunidade escolar. A preparação anual em todas as escolas é destaque de boas práticas junto à Defesa Civil Nacional, o que torna o Paraná uma referência no país”, avalia o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destaca que os treinamentos desenvolvem nos servidores e estudantes a consciência de risco, o reconhecimento de potenciais situações de emergência e ações práticas de evacuação de edifícios. “A distribuição das cartilhas fortalece o trabalho que já é realizado nas escolas e amplia o acesso de estudantes e professores às orientações de prevenção e segurança”, afirma.
O contexto: temporais recentes e El Niño
A iniciativa chega na esteira de temporais que atingiram o Paraná no fim de semana e deixaram um rastro de destruição. Segundo balanço da Defesa Civil, 1.369 casas foram danificadas e 5.370 pessoas foram afetadas em 22 municípios. A chuva e os fortes ventos derrubaram árvores e postes, destelharam imóveis e interromperam o fornecimento de energia elétrica em diferentes regiões do estado.
Laranjeiras do Sul, na região central do Paraná, foi o município mais atingido: rajadas de vento chegaram a 124 km/h, 852 casas foram danificadas e 3.429 pessoas foram afetadas. A ventania causou danos em escolas, estabelecimentos comerciais, uma unidade hospitalar e uma arena esportiva.
Os estragos afetaram diretamente a rotina escolar. Em Laranjeiras do Sul, as ocorrências prejudicaram as aulas de aproximadamente 2.730 estudantes nesta segunda-feira (5). Três colégios estaduais — Érico Veríssimo, Professor Gildo Aluísio Schuck e o Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Professora Naiana Bavaresco Souza — tiveram danos e ainda não tinham previsão para a retomada das atividades. Outras quatro escolas ficaram sem água e energia elétrica, e o transporte escolar foi suspenso em três unidades pela Secretaria Municipal de Educação.
O episódio no Paraná não foi isolado. Temporais também atingiram o Sul do Brasil, deixando centenas de milhares de clientes sem energia elétrica na região. A sequência de eventos severos reforça a avaliação dos meteorologistas de que o período exige preparação redobrada.
Por que outubro e novembro preocupam
A previsão de forte influência do El Niño nos meses de outubro e novembro no Sul do país é o principal motivo da urgência. O fenômeno tende a aumentar a frequência e a intensidade de tempestades na região, com risco elevado de vendavais, granizo e chuvas volumosas em curtos períodos.
O Paraná já convive com alertas meteorológicos recorrentes nesta época do ano. A diferença, agora, é a tentativa de transformar a resposta em rotina preventiva: em vez de improvisar quando o temporal chega, as escolas passam a ter protocolos claros, treinados e repetidos ao longo do ano.
A lógica é a mesma aplicada em outros programas de segurança: a repetição dos simulados cria memória muscular. Em uma situação real de vendaval com destelhamento ou de alagamento repentino, segundos fazem diferença — e uma comunidade escolar treinada sabe para onde ir, como se proteger e como evitar o pânico.
Cultura de prevenção nas escolas
O Programa Brigadas Escolares é apontado pela Defesa Civil Nacional como exemplo de boas práticas, o que coloca o Paraná como referência no país em preparação escolar para desastres. A Semana de Redução de Risco de Desastres, realizada anualmente nas escolas, já trabalha temas como chuvas intensas, alagamentos, enchentes, enxurradas e tempestades com atividades interativas para os estudantes.
Com o novo guia, o programa ganha um instrumento específico para o risco climático mais imediato do estado. Diretores passam a ter um documento de referência para planejar desde a poda preventiva de árvores próximas às escolas até a definição de rotas de evacuação e pontos seguros dentro das edificações.
Para os pais, a mensagem é de tranquilidade: as escolas onde os filhos estudam estarão mais preparadas para protegê-los. Para os gestores, o recado é de responsabilidade compartilhada — a segurança em eventos extremos não depende apenas da Defesa Civil, mas de cada elo da comunidade escolar treinado para agir.
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