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EUA bombardeiam três petroleiros iranianos após mísseis atingirem navios de guerra americanos

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Um porta-aviões e um destróier da Marinha dos Estados Unidos foram alvo de mísseis balísticos na última sexta-feira, e a resposta veio poucas horas depois: três petroleiros iranianos foram bombardeados pelas forças norte-americanas próximo à Ilha de Kharg e a Jask, no Golfo de Omã. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), dois navios‐tanque foram “permanentemente desativados” e o terceiro “completamente destruído”. Nenhum militar americano ficou ferido.

O episódio recoloca Washington e Teerã em rota de colisão dias após o fim de um cessar-fogo de 60 dias e reacende o temor de bloqueio ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta. Preços internacionais do barril já vinham oscilando desde que a trégua expirou sem avanço diplomático.

Ataques e contra-ataques no Golfo

De acordo com o Centcom, os mísseis iranianos foram disparados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) contra o porta-aviões posicionado em águas internacionais e contra o destróier de mísseis guiados que o escoltava. Os projéteis falharam em causar danos significativos, mas desencadearam a retaliação rápida autorizada pelo alto-comando americano.

Como foi a operação dos EUA?

  • Localização dos alvos – Um petroleiro foi atacado próximo à Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã; os outros dois navegavam ao largo de Jask, no Golfo de Omã.
  • Tipologia dos danos – As forças americanas informam ter atingido compartimentos de máquinas e sistemas de propulsão, tornando dois navios inoperantes e incendiando o terceiro até a perda total.
  • Ausência de vítimas – Tripulações teriam usado botes salva-vidas e foram recolhidas pela guarda-costeira iraniana; não há registro de mortos.
  • Justificativa estratégica – O Centcom classifica os navios como parte de uma “rede paralela multimilionária” que financia o IRGC e milícias aliadas na região.

Em comunicado, o almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, afirmou: “Atiraram contra dois de nossos navios; pagaram perdendo três dos deles. A frota petrolífera iraniana é limitada e vulnerável, e não hesitaremos em neutralizá-la novamente”.

O que diz Teerã?

A emissora estatal IRIB confirmou os bombardeios, relatando que o sistema de refrigeração de um dos petroleiros conteve o fogo em cerca de uma hora. Segundo a TV, um navio estava vazio e outro carregava petróleo bruto. O governo iraniano, contudo, não reconheceu de imediato o lançamento dos mísseis contra as embarcações americanas.

Escalada após o fim do cessar-fogo

O confronto direto desta semana ocorre menos de sete dias depois de Washington retomar ataques preventivos na região. No domingo anterior, caças dos EUA alvejaram dois lançadores de foguetes que, segundo a inteligência americana, seriam usados para posicionar minas navais no Estreito de Ormuz.

Giro rápido de violência

Na terça-feira, o presidente Donald Trump comunicou “um ataque muito pesado” contra alvos iranianos, garantindo, porém, que “os combates não durarão muito”. Horas depois, o Irã retaliou contra instalações americanas em Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia, sem registro de mortos.

Entre as represálias de Teerã, chama atenção a acusação de que fragmentos de míssil lançados pelos EUA teriam atingido um casamento na cidade costeira de Sirik, matando quatro civis, inclusive duas crianças. A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano classificou o episódio como “crime de guerra”. O vice-presidente americano, JD Vance, declarou-se “extremamente cético” sobre a versão iraniana, mas disse que o Pentágono abriu investigação interna.

De trégua à tempestade em poucas semanas

O armistício de 60 dias, firmado em julho, expirou no mês passado sem que negociadores encontrassem terreno comum para prorrogação. Já no dia seguinte, Washington ameaçou impor sanções “a qualquer país que facilitar negócios com o Irã”, enquanto Teerã reforçou posições navais no Golfo Pérsico.

Analistas lembram que a atual fase do conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram bombardeios de longo alcance contra instalações militares iranianas. Teerã reagiu fechando, na prática, o Estreito de Ormuz a parte do tráfego comercial, o que fez o preço do barril superar a marca dos US$ 110 nas semanas seguintes.

Impacto energético e pressão política

O novo embate eleva o risco de interrupções no fornecimento global de petróleo. Qualquer obstáculo prolongado no Estreito de Ormuz pode retirar do mercado quase 20 milhões de barris diários. Economistas alertam que, caso a rota permaneça insegura, países consumidores terão de recorrer a estoques estratégicos ou pagar mais caro por fretes que desviem por rotas mais longas.

Internamente, o presidente Trump, em campanha para as eleições de meio de mandato, sofre críticas pelo aumento dos gastos militares e pelo efeito inflacionário que a guerra tem sobre combustíveis e transporte. Legisladores democratas já defendem sessões de emergência no Congresso para debater limites orçamentários da operação no Oriente Médio.

Risco calculado?

Diplomatas europeus temem que a destruição de ativos civis, como petroleiros, dificulte qualquer futura mesa de diálogo. Para eles, a linha adotada pelos EUA — “responder três a um”, segundo o lema usado por oficiais do Pentágono — pode empurrar o Irã a atacar infraestrutura energética de aliados americanos no Golfo, alargando o conflito.

Por enquanto, os governos de Emirados, Bahrein e Kuwait reforçaram defesas aéreas e limitam tráfego de navios-tanque em águas territoriais durante a noite. Já as seguradoras marítimas elevaram prêmios de risco para embarcações com bandeira iraniana em até 40%.

Próximos passos observados de perto

Em Washington, o Conselho de Segurança Nacional acompanha imagens de satélite que indicariam movimento de mísseis de médio alcance no litoral iraniano. Especialistas ouvidos pela imprensa americana avaliam que Teerã pode buscar alvos de “baixo custo político” — navios mercantes sem carregamento estratégico de petróleo — para evitar escalada direta com forças dos EUA, mas manter pressão econômica.

No curto prazo, porém, a atenção se volta ao mar: autoridades portuárias de Omã e dos Emirados relatam aumento súbito de navios ancorados em busca de comboios escoltados, enquanto grandes empresas de energia avaliam suspender embarques se o nível de risco se mantiver.

Sem sinais de nova rodada de negociações multilaterais, a comunidade internacional encara um cenário em que qualquer incidente acidental — de destroços de míssil a manobras de patrulha — pode acender um conflito mais amplo. E, à medida que Washington e Teerã trocam avisos públicos cada vez mais duros, a fileira de petroleiros no Golfo transforma-se novamente em peça central de uma crise que desafia a diplomacia global e ameaça o equilíbrio do mercado de energia.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.