O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento de 86 páginas em que solicita o adiamento, por 180 dias, da aplicação de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras. O pedido foi protocolado na quarta-feira (1º), último dia para envio de contribuições à investigação conduzida pelos norte-americanos.
Argumento eleitoral
No texto, Flávio afirma que a pressão tarifária norte-americana tem beneficiado politicamente o presidente Lula. Segundo o senador, pesquisas indicam crescimento da popularidade do governo justamente nos períodos em que as barreiras comerciais ficaram mais evidentes. Para ele, adiar a taxação evitaria que o Planalto transformasse a medida em capital eleitoral nas eleições presidenciais de outubro.
Encontros em Washington
O parlamentar se apresenta como pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto e lembra ter se reunido recentemente com o presidente dos EUA, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir o tema. A nova rodada de tarifas decorre da investigação Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura práticas brasileiras em áreas como comércio digital (PIX), etanol, desmatamento, propriedade intelectual, tarifas e corrupção.
Proposta de cronograma
Flávio sugere suspender a cobrança por 180 dias, prorrogáveis por mais 90 caso haja avanço nas negociações. Se não houver acordo de “boa-fé”, as tarifas seriam automaticamente reativadas. O senador acrescenta que, em caso de vitória da oposição, o presidente eleito nomearia de imediato um negociador para conduzir o diálogo.
Críticas e alternativas
O documento também sustenta que tarifas “cegas” penalizariam consumidores e empresas americanas, lembrando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e são os maiores investidores estrangeiros no país. Entre as alternativas, Flávio cita sanções financeiras e restrições de visto baseadas na Lei Magnitsky, direcionadas a agentes específicos em vez de todo o setor produtivo brasileiro.
Resposta do governo brasileiro
No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores enviou ao USTR um posicionamento oficial. Assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o documento afirma que não há provas de práticas discriminatórias ou barreiras impostas pelo Brasil às empresas norte-americanas.
Imagem: Internet
Contexto político
Lula atribui as ameaças tarifárias a articulações da família Bolsonaro, em especial do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em julho de 2025, quando Washington elevou a tarifa para 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo agradeceu publicamente a Trump, declaração que o petista classificou como “traição à pátria”.
Negociações em andamento
Paralelamente, o governo brasileiro mantém um grupo de trabalho formado por políticos, diplomatas e economistas que já participou de quatro rodadas de conversas com representantes dos EUA. A reunião mais recente ocorreu nesta quinta-feira (2), enquanto o USTR avalia se impõe as novas tarifas ainda neste mês.
Com informações de G1