
Resumo da Notícia
- O Nasdaq Composite caiu 5,52% na quinta-feira (5), entrou em território de correção e puxou Wall Street para o pior pregão desde abril de 2025, em um dia de tombo das ações de inteligência artificial.
- As Sete Magníficas perderam juntas mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado em um dia, segundo cálculo da CNBC, enquanto a AFP estimou cerca de US$ 800 bilhões; a Nvidia respondeu pela maior fatia, com mais de US$ 440 bilhões evaporados.
- No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 0,82%, aos 166.191 pontos, e o dólar subiu a R$ 5,4886; no dia seguinte, a Bolsa do Japão caiu mais de 6%.
Wall Street viveu na quinta-feira (5) o seu pior pregão desde abril de 2025. O fechamento das bolsas americanas foi marcado por uma venda generalizada de ações de tecnologia, puxada pelo tombo dos papéis ligados à inteligência artificial, justamente o setor que sustentou a alta dos mercados ao longo do ano. Quando as empresas mais valiosas do mundo caem ao mesmo tempo, o efeito aparece em todos os índices — e foi o que aconteceu, com perdas fortes do início ao fim do dia.
O Nasdaq Composite, índice que concentra as empresas de tecnologia, despencou 5,52% e entrou em território de correção, expressão usada pelo mercado quando um índice fica mais de 10% abaixo do pico mais recente — no caso, o pico registrado em outubro. O S&P 500, que reúne as maiores companhias listadas nos Estados Unidos, recuou 4,36%, e o Dow Jones, índice das empresas mais tradicionais, caiu 3,44%.
A entrada em território de correção importa porque muda a leitura do pregão: não foi apenas um dia ruim isolado, e sim uma queda que, somada ao recuo desde o pico de outubro, ultrapassou a marca de 10%. E o fato de os três principais índices terem caído juntos, com percentuais dessa magnitude, mostra que a venda atravessou o mercado americano inteiro na mesma sessão.
Sete Magníficas perdem mais de US$ 1 trilhão em um dia
O tamanho do estrago aparece com clareza no desempenho das Sete Magníficas, o grupo formado por Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla, as gigantes de tecnologia que concentram uma fatia enorme do valor de Wall Street. Juntas, elas perderam mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado em um único dia, a maior perda do grupo em 2026, segundo a CNBC.
Sobre o tamanho exato da perda, há divergência entre as estimativas divulgadas. A CNBC calculou US$ 1,04 trilhão evaporados em um dia, enquanto a AFP estimou cerca de US$ 800 bilhões. Os dois números partem de metodologias e momentos de apuração diferentes, mas apontam para a mesma direção: foi uma destruição de valor em escala raramente vista em um só pregão, concentrada nas empresas que lideram a corrida da inteligência artificial.
Nvidia lidera as perdas e vira para o negativo no ano
A maior fatia da perda coube à Nvidia. A fabricante de chips, símbolo maior da expansão da inteligência artificial, viu mais de US$ 440 bilhões do seu valor de mercado evaporarem em um dia, após as ações caírem 9,26%. Com o tombo, a empresa virou para o negativo no acumulado do ano — um movimento que resume a mudança de humor do mercado, que passou a cobrar provas de que os investimentos gigantescos no setor vão se converter em retorno.
O contraste ajuda a entender o tamanho da virada: a mesma empresa que vinha de uma sequência de apostas bilionárias no setor, como o investimento da Nvidia em inteligência artificial ao lado da Meta, passou a liderar a lista de perdas justamente quando o mercado começou a questionar o ritmo dessa expansão. A preocupação não ficou restrita a ela. A Tesla caiu 10,8% no mesmo pregão, enquanto duas outras empresas ligadas a semicondutores tiveram quedas ainda mais fortes: a AMD recuou 17,39% e a Micron despencou 17,77%.
O medo com o ritmo dos data centers de IA
O motivo apontado pelo mercado para a onda de vendas foi o receio de que a expansão dos data centers de inteligência artificial desacelere nos Estados Unidos. É importante registrar: trata-se de uma leitura do mercado, de um temor que orientou as decisões de venda naquele pregão — não de um fato consumado nem de um anúncio de corte nos investimentos.
Ainda assim, o receio foi suficiente para derrubar em bloco as empresas expostas ao tema, dos chips às plataformas. O temor de uma bolha em torno da inteligência artificial não é novo, e episódios recentes em outros mercados já tinham acendido o alerta, como o tombo das ações de tecnologia na China em meio ao debate sobre uma bolha de IA. Desta vez, porém, o movimento partiu do coração de Wall Street e atingiu, de uma só vez, as sete empresas mais acompanhadas do mundo.
Reflexo no Brasil e tombo no Japão
O mau humor externo também chegou ao mercado brasileiro, ainda que em intensidade bem menor. O Ibovespa fechou a quinta-feira em queda de 0,82%, aos 166.191 pontos, e o dólar subiu a R$ 5,4886, em um dia em que o investidor local dividiu a atenção entre o terremoto em Wall Street e o cenário doméstico de juros, marcado pela decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% e interromper o ciclo de cortes.
O contágio apareceu com mais força do outro lado do mundo. No desdobramento do dia seguinte, a Bolsa do Japão caiu mais de 6%, na esteira do tombo americano — sinal de que a aversão ao risco gerada pela queda das ações de inteligência artificial se espalhou pelos principais mercados.
Vale explicar o que significa uma perda dessa ordem em valor de mercado. Não é dinheiro que saiu de uma conta de uma hora para outra: é a soma do quanto as ações dessas empresas passaram a valer menos ao fim do pregão. Ainda assim, é a medida que o mercado usa para dimensionar um tombo — e, desta vez, ela passou de US$ 1 trilhão em um dia, concentrada em sete empresas.
Para o investidor, fica a dimensão do pregão de quinta-feira: quando as Sete Magníficas tropeçam juntas, não há índice — em Nova York, em São Paulo ou em Tóquio — que passe ileso.
