Resumo da Notícia

  • Rebeca Andrade venceu a final do salto no Mundial de Roterdã neste sábado (24), com média 14,466, e se tornou tricampeã mundial do aparelho (2021, 2023 e 2026).
  • As americanas Claire Pease (14,233) e Skye Blakely (14,166) completaram o pódio, com prata e bronze.
  • É a 10ª medalha da brasileira em Mundiais (4 ouros, 4 pratas e 2 bronzes) e o primeiro pódio do Brasil nesta edição, no retorno dela após quase dois anos de pausa.

Rebeca Andrade voltou ao topo do mundo. Neste sábado (24), a brasileira conquistou a medalha de ouro na final do salto sobre a mesa no Campeonato Mundial de Ginástica Artística de 2026, em Roterdã, na Holanda, e se tornou tricampeã mundial do aparelho. Com média de 14,466 pontos, ela superou as americanas Claire Pease, prata com 14,233, e Skye Blakely, bronze com 14,166, e recolocou o Brasil no pódio de um Mundial.

A decisão foi acompanhada lance a lance no Brasil e terminou com a confirmação de um feito raro na história da ginástica. Rebeca já havia vencido o salto nos Mundiais de 2021, em Kitakyushu, no Japão, e de 2023, em Antuérpia, na Bélgica. Com o título em Roterdã, ela se tornou apenas a segunda ginasta da história a conquistar três títulos mundiais no salto — marca que antes pertencia somente à chinesa Cheng Fei — e a primeira brasileira a vencer três vezes a mesma prova em Campeonatos Mundiais.

Dois saltos acima dos 14 pontos

Rebeca entrou na final como uma das favoritas e confirmou o favoritismo com duas execuções de altíssimo nível. No primeiro salto, ela recebeu 14,400 — a segunda maior nota da competição até aquele momento. No segundo, marcou 14,133 e, com o bônus previsto na final do aparelho, fechou com a média de 14,466, assumindo a liderança isolada da disputa.

A principal concorrente era Claire Pease, dos Estados Unidos, que abriu com 14,366 no primeiro salto, mas não repetiu o mesmo nível no segundo, com dificuldades na aterrissagem, e ficou com 13,700 — média final de 14,233. Quando Pease completou sua apresentação, Rebeca já tinha pelo menos a prata garantida. Faltava apenas a mexicana Victoria Mata, que fechou a rotação com média de 13,933 e terminou em quarto lugar. A sul-coreana Yeo Seojeong, outra favorita ao pódio, caiu no segundo salto e ficou fora da disputa por medalhas.

O ouro em Roterdã tem um peso especial porque é o primeiro pódio do Brasil nesta edição do Mundial. Na final por equipes, disputada no início da semana, as brasileiras terminaram em quinto lugar — resultado que o rsonoticias.com já acompanhou quando o Brasil chegou à final por equipes do Mundial de Ginástica. Na ocasião, a equipe formada por Thaís Fidelis, Lorrane Oliveira, Flávia Saraiva e Rebeca somou 159,730 pontos.

A nota 14,466 foi a maior do dia no aparelho — e confirmou o que a classificatória já indicava. Na segunda-feira, Rebeca havia feito 14,400 no primeiro salto e 14,266 no segundo, também com o bônus de 0,2, e avançou à final com a melhor marca entre as finalistas. Na decisão, ela repetiu o primeiro salto e melhorou a execução do segundo o suficiente para segurar o ouro com folga de 0,233 sobre a prata.

O retorno após dois anos de pausa

O título coroa o retorno de Rebeca às grandes competições após quase dois anos afastada. Depois dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a ginasta fez uma pausa para cuidar da saúde física e só retomou o circuito no Campeonato Pan-Americano de 2026, no Rio de Janeiro. Em Roterdã, ela competiu no salto e na trave durante as classificatórias e a final por equipes antes de voltar ao aparelho em que é referência mundial.

Nas arquibancadas, uma presença ilustre acompanhou a vitória: a americana Simone Biles, convidada de honra do evento e afastada das competições desde Paris 2024, assistiu à final. Em entrevista ao sportv após a conquista, Rebeca celebrou o trabalho feito no retorno. “Mostra que tudo que a gente tem feito tá sendo da melhor maneira possível e tá dando certo. Tô bem feliz e orgulhosa”, declarou.

Os números da carreira de Rebeca ganham mais uma linha histórica com o ouro deste sábado. Ela chegou à décima medalha em Campeonatos Mundiais: quatro de ouro — três no salto e uma no individual geral, em 2022 —, quatro de prata e duas de bronze. Somadas às seis medalhas olímpicas, duas delas de ouro, ela segue como a atleta olímpica mais condecorada do esporte brasileiro. Levando em conta apenas provas individuais, Rebeca entrou no top 10 do quadro histórico de medalhas em Mundiais, empatada com a soviética Yelena Shushunova na nona posição.

E o Brasil ainda pode subir ao pódio de novo

A participação brasileira em Roterdã ainda não terminou. Na manhã de domingo (25), Flávia Saraiva disputa a final da trave, a partir das 9h (horário de Brasília), encerrando a participação do Brasil na competição. O Mundial chega ao fim no domingo, após as finais por aparelhos masculinas e femininas.

Para Rebeca, o ouro no salto é também um passo no caminho que ela mesma traçou: evoluir gradualmente até os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Se depender do que se viu em Roterdã, a maior ginasta da história do Brasil segue voando alto — e o tricampeonato mundial no salto é a prova mais recente disso.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.