Resumo da Notícia

  • Um memorando de inteligência de sexta-feira (23) alertou que o Irã intensificou os planos de atacar americanos no Oriente Médio, em “estágios avançados”.
  • Os EUA ordenaram a saída de funcionários não essenciais e familiares da Arábia Saudita e reduziram o efetivo de embaixadas na Jordânia, no Líbano, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
  • O Departamento de Estado atualizou neste sábado os alertas de viagem para mais de uma dezena de países da região, citando a ameaça dos houthis, aliados do Irã.

Os Estados Unidos começaram a retirar diplomatas, familiares e militares de embaixadas e bases em todo o Oriente Médio depois que a inteligência americana concluiu que os planos do Irã para atacar americanos na região chegaram a “estágios avançados”. A movimentação, descrita por autoridades como repentina, envolve postos diplomáticos em vários países do Golfo e bases militares americanas espalhadas pela região, segundo o Wall Street Journal.

O alerta que detonou a operação está em um memorando não classificado enviado na sexta-feira (23) pelo diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, ao secretário de Estado, Marco Rubio, que acumula também a função de conselheiro de Segurança Nacional. No documento, Clayton afirma que o Irã “aumentou substancialmente os esforços para atacar o pessoal dos Estados Unidos” e que os planos letais contra cidadãos americanos “alcançaram estágios avançados tanto no Oriente Médio quanto em alguns outros países”. O memorando foi revelado primeiro pelo Axios e confirmado por autoridades americanas ouvidas pela Associated Press e pela Reuters.

O que já foi retirado

A primeira medida concreta veio na quarta-feira, quando o Departamento de Estado determinou a saída de funcionários não essenciais e de seus familiares das missões diplomáticas americanas na Arábia Saudita. Nos dias seguintes, a redução se estendeu a outras quatro embaixadas da região: Jordânia, Líbano, Catar e Emirados Árabes Unidos. Essas missões passaram a operar sob o chamado Status de Operações Restritas, um regime que dá ao Departamento de Estado mais flexibilidade para ajustar o efetivo sem anunciar publicamente cada mudança — e que já vinha limitando a dotação dessas embaixadas.

Segundo a Associated Press, as quatro embaixadas seguem abertas e o pessoal não tem obrigação de deixar os países. A diferença em relação à Arábia Saudita é o grau da medida: em Riad, a ordem de saída foi explícita; nas outras capitais, a redução acontece de forma discreta, com transferências internas e ajustes de escala.

Paralelamente à movimentação diplomática, os Estados Unidos também retiraram militares de bases em todo o Oriente Médio e no Golfo Pérsico, em preparação para uma possível retomada dos combates, de acordo com autoridades familiarizadas com o planejamento ouvidas pelo Wall Street Journal. Segundo a NBC, tropas estacionadas na Jordânia, no Catar e no Kuwait estão entre as realocadas, enquanto uma presença limitada — incluindo pessoal de defesa aérea e segurança — seria mantida nas bases regionais. O Comando Central dos Estados Unidos não confirmou os deslocamentos em detalhe e disse apenas que as forças são reposicionadas regularmente para “otimizar a prontidão da missão”.

Não é a primeira retirada preventiva deste mês. Ainda em outubro, os Estados Unidos já haviam retirado aviões bombardeiros de uma base no Reino Unido por causa de informações de inteligência sobre um plano iraniano de atacar aeronaves e pessoal, conforme o próprio Wall Street Journal havia reportado.

Alertas de viagem atualizados

Neste sábado, o Departamento de Estado atualizou os alertas de viagem para mais de uma dezena de países do Golfo e do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Israel. A justificativa citada foi o aumento da ameaça representada pelos houthis do Iêmen, milícia alinhada ao Irã.

“Quando se trata do pessoal em nossas embaixadas, avaliamos constantemente novas informações sobre o ambiente de segurança”, disse uma autoridade americana à Reuters. “A ameaça de ataques dos houthis e de supostos complôs terroristas iranianos contra autoridades americanas está orientando nossas decisões sobre ajustes de pessoal em embaixadas que operam sob Status de Operações Restritas na região.”

Diplomatas ouvidos pela CNN descreveram as saídas como caóticas e frustrantes, em parte porque muitas das famílias que agora deixam a região haviam acabado de retornar aos postos depois de uma primeira ordem de evacuação durante o momento mais intenso da guerra com o Irã. Segundo esses relatos, o apoio financeiro oferecido até agora não cobre os custos de transferir famílias inteiras para fora da região pela segunda vez em poucos meses.

O contexto: uma guerra prestes a completar nove meses

A escalada acontece enquanto a guerra envolvendo o Irã se aproxima do nono mês. Os ataques iniciais entre Estados Unidos e Israel contra o Irã ocorreram em 28 de fevereiro, e desde então Teerã promete retaliação caso Washington retome os bombardeios. Nos últimos dias, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, publicou nas redes sociais uma mensagem direta aos americanos: “Da última vez que vocês quiseram ‘terminar o serviço’, o Irã emergiu ainda mais forte. Querem tentar a sorte de novo? Sejam bem-vindos. Mas cuidado: nós também temos trabalhos inacabados.”

A tensão na região tem efeitos que vão além do tabuleiro militar. O Golfo Pérsico concentra rotas por onde passa parte relevante do petróleo mundial, e qualquer interrupção no Estreito de Ormuz costuma repercutir nos preços da energia — tema que o rsonoticias.com já acompanhou em petroleiros e minas no Estreito de Ormuz. Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, o endurecimento do clima também se soma a outras medidas recentes de Washington, como a revogação de mais de 300 mil vistos desde 2025.

Por enquanto, não há anúncio oficial de novos ataques nem de fechamento de embaixadas. O que está confirmado é a retirada de pessoal, a redução das missões e o nível de alerta elevado — sinais de que Washington trata a ameaça como imediata, e não como hipótese distante. Os próximos dias devem mostrar se a movimentação é apenas preventiva ou o prelúdio de uma nova fase do conflito.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.