
Resumo da Notícia
- Harry Kane venceu a Bola de Ouro masculina de 2026, a primeira da carreira, após uma temporada de 73 gols em 65 jogos por Bayern de Munique e Inglaterra.
- Alexia Putellas conquistou o prêmio feminino pela terceira vez, depois de um quádruplo de títulos com o Barcelona.
- A cerimônia dos 70 anos do prêmio foi realizada no London Palladium, em Londres, com Kylian Mbappé em segundo e Lamine Yamal em terceiro no masculino.
O futebol mundial conheceu nesta segunda-feira (26) os novos donos da Bola de Ouro. O inglês Harry Kane, do Bayern de Munique, venceu o prêmio masculino de 2026, e a espanhola Alexia Putellas conquistou o troféu feminino pela terceira vez na carreira. A cerimônia, realizada no London Palladium Theatre, em Londres, marcou os 70 anos da premiação criada pela revista francesa France Football, organizada em parceria com a Uefa, e foi a primeira edição disputada fora de Paris, em homenagem ao inglês Stanley Matthews, vencedor da primeira Bola de Ouro, em 1956.
Kane, de 33 anos, subiu ao palco ovacionado pela torcida da casa e não escondeu a emoção ao receber o prêmio das mãos do ex-atacante brasileiro Ronaldo Fenômeno, segundo o relato da cerimônia. O capitão da seleção inglesa disse que vencer em Londres tornou o momento ainda mais especial e agradeceu a todos que votaram nele, em um ano que ele próprio classificou como difícil, diante de adversários de altíssimo nível. Foi o ponto mais alto de uma carreira marcada por gols, mas que até então não tinha um título individual desse peso.
A temporada que levou Kane ao topo
O que pesou a favor de Kane foi uma temporada de números raros. Segundo a CNN, o atacante marcou 73 gols em 65 partidas oficiais por clube e seleção no período avaliado pela premiação, que vai de agosto de 2025 a julho de 2026. Pelo Bayern de Munique, ele conquistou o Campeonato Alemão e a Copa da Alemanha, terminou a Bundesliga como artilheiro, com 36 gols, e ficou com a Chuteira de Ouro europeia, entregue ao maior goleador dos campeonatos nacionais do continente.
A agência Reuters destacou outro recorte dos mesmos números: só com a camisa do Bayern, Kane fez 61 gols em 51 jogos em todas as competições, na campanha mais prolífica da carreira, enquanto o clube alemão completava a dobradinha de Liga e Copa. Na Copa do Mundo de 2026, o inglês marcou seis gols e levou a Inglaterra até a semifinal, quando a equipe caiu para a Argentina e terminou em terceiro lugar. O desempenho completo, em clube e seleção, consolidou a candidatura que já era tratada como favorita antes da cerimônia.
Na votação final, Kane superou o francês Kylian Mbappé, do Real Madrid, que ficou em segundo lugar, e o espanhol Lamine Yamal, do Barcelona, em terceiro. Yamal, que já havia estado no pódio no ano anterior, consolou-se com o troféu de melhor jovem do ano, repetindo a dobradinha que o mantém como o principal nome da nova geração do futebol espanhol. A presença de Mbappé na cerimônia, mesmo sem ter conquistado títulos com o Real Madrid ou com a França na temporada, chegou a alimentar especulações sobre uma surpresa, mas o favoritismo de Kane se confirmou. O inglês ainda levou para casa o Troféu Gerd Müller, destinado ao maior artilheiro da temporada.
O prêmio também encerra um jejum histórico para o futebol inglês. Kane é o primeiro inglês a vencer a Bola de Ouro desde Michael Owen, em 2001, há 25 anos, e apenas o quinto jogador da Inglaterra a conquistar o troféu, depois de Matthews, Bobby Charlton, Kevin Keegan e Owen. Lionel Messi, que segue como o maior vencedor da história da premiação, com oito troféus, não voltou ao topo nesta edição, mas o recorde do argentino permanece intacto.
Putellas e o terceiro troféu
No feminino, Alexia Putellas, de 32 anos, confirmou o favoritismo e conquistou a Bola de Ouro pela terceira vez, depois dos títulos de 2021 e 2022. Com o novo troféu, a espanhola igualou o recorde de Aitana Bonmatí como maior vencedora do prêmio feminino, segundo o balanço da cerimônia. Bonmatí, aliás, não concorreu nesta edição por causa de uma lesão, o que abriu ainda mais o caminho para a ex-companheira de Barcelona.
A temporada que valeu o prêmio foi construída no Barcelona, onde Putellas foi capitã de um time que conquistou quatro troféus: a Liga dos Campeões feminina, a Liga F, a Copa da Rainha e a Supercopa da Espanha. No discurso no palco, a meio-campista agradeceu às indicadas e às vencedoras da noite, destacou que o número de jogadoras do Barcelona entre as nomeadas dizia muito sobre a temporada do clube e afirmou que foi uma honra ter sido capitã da equipe. Depois da temporada histórica na Catalunha, Putellas trocou o Barcelona pelo London City Lionesses, da Inglaterra, onde joga atualmente — um detalhe que deu um sabor especial à conquista em Londres, sua nova casa.
Na votação feminina, Putellas superou a polonesa Ewa Pajor, que ficou em segundo lugar, e a jamaicana Khadija Shaw, em terceiro, de acordo com a classificação final divulgada pelos organizadores. O domínio do Barcelona na temporada também apareceu nos demais prêmios da noite: o clube catalão foi eleito o melhor clube feminino do ano, e a goleira Cata Coll ficou com o troféu de melhor goleira, enquanto a jovem Vicky López venceu entre as revelações.
O destaque do futebol feminino na cerimônia reforça o crescimento da modalidade, que tem no Barcelona o seu principal polo na atualidade. A seleção espanhola, base do time catalão, também foi protagonista na noite, com a treinadora da equipe masculina e vários prêmios individuais para jogadoras e jogadores do país. Em outra frente do futebol feminino, a seleção brasileira empatou com a Argentina por 2 a 2 em amistoso disputado neste mês, em um calendário que mantém o Brasil em preparação para os próximos compromissos internacionais.
Os outros prêmios da noite
Além dos dois troféus principais, a cerimônia distribuiu outros 11 prêmios, e a Espanha foi a grande vencedora da noite, com oito das 13 estatuetas para jogadores, treinadores ou clubes espanhóis, segundo o levantamento da imprensa americana. No masculino, o Paris Saint-Germain foi eleito o melhor clube do ano, repetindo a conquista da edição anterior após vencer a Liga dos Campeões, e o espanhol Unai Simón, do Athletic Bilbao, ficou com o troféu de melhor goleiro. O técnico da seleção espanhola, Luis de la Fuente, campeão mundial com a Espanha, foi eleito o melhor treinador do ano, enquanto o espanhol Pere Romeu, do Barcelona, venceu entre as treinadoras do futebol feminino.
O Prêmio Sócrates, destinado a ações de solidariedade, ficou com o inglês Bukayo Saka, do Arsenal. A mexicana Charlyn Corral, do Pachuca, venceu o troféu de melhor atacante do ano no feminino, na mesma categoria em que Kane foi premiado no masculino. A cerimônia, que começou com cerca de 45 minutos de atraso por causa da chuva e do trânsito em Londres, reuniu os principais nomes do futebol mundial no London Palladium, em uma noite que celebrou tanto os veteranos consagrados quanto a nova geração representada por Yamal e Vicky López.
A votação da Bola de Ouro é feita por jornalistas especializados, um por país, que escolhem os dez melhores jogadores de cada lista de 30 nomes. O sistema, que privilegia a regularidade ao longo de toda a temporada e o peso dos títulos conquistados, ajuda a explicar por que Kane e Putellas, ambos campeões por seus clubes e protagonistas em suas seleções, chegaram a Londres como favoritos e confirmaram as expectativas.
O fim de semana de coroações também teve festa no Brasil: o Maringá conquistou a Série C ao vencer a Ferroviária na final, em Araraquara, no mesmo fim de semana em que o futebol europeu celebrava os seus melhores. E, na Espanha, o Real Madrid venceu o Barcelona por 2 a 1 no El Clásico, no Camp Nou, em um clássico que também mexeu com a corrida pelo título espanhol e manteve o noticiário do futebol aquecido na véspera da cerimônia londrina.
Para Kane, o prêmio coroa uma trajetória que começou no Tottenham, passou pela longa espera por títulos coletivos e encontrou no Bayern, a partir de 2023, o palco para transformar gols em taças. Para Putellas, o terceiro troféu confirma uma das carreiras mais vencedoras do futebol feminino, agora em um novo capítulo na Inglaterra. A Bola de Ouro de 2026, assim, ficou com dois jogadores que dominaram a temporada em seus continentes — e que chegam a 2027 com o status de melhores do mundo em suas categorias.
