
Resumo da Notícia
- A tempestade Boelo atingiu o norte do Reino Unido no domingo (25) com rajadas de até 135 km/h, deixando 82,6 mil imóveis sem energia.
- Mais de 100 voos foram cancelados nos principais aeroportos britânicos e cerca de 90 em Amsterdã; trens, balsas e estradas também foram afetados.
- Segunda tempestade com nome da temporada, Boelo chegou um dia depois da tempestade Austen e seguiu para o continente europeu.
A tempestade Boelo varreu o norte do Reino Unido no domingo (25) com ventos violentos e chuva forte, deixando dezenas de milhares de imóveis sem energia, cancelando voos e paralisando trens, balsas e estradas. Segunda tempestade com nome da temporada britânica, Boelo chegou apenas um dia depois da tempestade Austen e transformou o fim de semana em um dos mais turbulentos do outono no país.
Segundo o Met Office, o serviço meteorológico britânico, as rajadas mais fortes foram registradas na Escócia: 135 quilômetros por hora em Argyll and Bute, no oeste escocês, e 137 quilômetros por hora em Machrihanish, na mesma região. Na ilha de Stornoway, nas Hébridas Exteriores, o vento chegou a 135 quilômetros por hora, e em Capel Curig, no norte do País de Gales, a 135 quilômetros por hora. Em Snowdonia, também no País de Gales, as rajadas atingiram 133 quilômetros por hora, e nas Hébridas Interiores, 132 quilômetros por hora.
Diante da força do vento, o Met Office manteve um alerta âmbar — o segundo nível mais grave da escala britânica — para a Escócia e o norte da Inglaterra até as 21h do domingo. O órgão alertou para perigo à vida por causa de detritos carregados pelo vento e de ondas grandes na costa, e pediu que a população ficasse em casa o máximo possível. Alertas amarelos de vento cobriram ainda partes do norte da Inglaterra e do País de Gales, e um alerta amarelo de chuva valeu para a Escócia e o norte da Inglaterra, com previsão de até 80 milímetros em alguns pontos e risco de inundações.
Milhares sem luz e o trabalho para religar
O impacto mais imediato da tempestade foi na rede elétrica. De acordo com a Energy Networks Association, entidade que reúne as distribuidoras do país, 82,6 mil imóveis estavam sem energia na manhã de domingo. Ao mesmo tempo, as equipes já haviam religado cerca de 345 mil clientes desde a passagem das tempestades Austen e Boelo, em um esforço que mobilizou técnicos em condições difíceis por todo o norte do país.
Segundo a BBC, mais de 838 mil imóveis chegaram a ficar sem luz ao longo das duas tempestades, somando os cortes provocados por Austen, na sexta-feira, e por Boelo, no fim de semana. O número mostra a escala do episódio: duas tempestades em menos de 48 horas, com o solo já encharcado e a rede ainda se recuperando do primeiro golpe quando o segundo chegou.
Na Irlanda do Norte, cerca de 7 mil pessoas estavam sem energia no domingo por volta das 10h30, segundo a operadora da rede. O Departamento de Infraestrutura da região registrou aproximadamente 470 ocorrências relacionadas à tempestade no domingo, entre inundações e árvores caídas, e a empresa de transportes Translink precisou desviar ônibus por causa de detritos e impor restrições ao serviço ferroviário.
O cenário de quedas de energia por tempestades não é exclusivo do Reino Unido. No Brasil, temporais deixaram 310 mil clientes sem energia no Sul do país, em um episódio que também combinou vendaval e chuva forte. A diferença, no caso britânico, foi a sequência de duas tempestades em dois dias, o que multiplicou o trabalho das equipes de reparo.
Aeroportos, trens, balsas e estradas
O transporte foi um dos setores mais atingidos por Boelo. Mais de 100 voos foram cancelados nos aeroportos de Heathrow, Gatwick, Manchester, Edimburgo e Glasgow, deixando passageiros retidos e forçando mudanças de horário nas companhias British Airways e easyJet. Alguns voos precisaram ser desviados ao tentar pousar no aeroporto de Leeds Bradford, e o aeroporto agradeceu a paciência dos clientes, afirmando que as equipes trabalhavam em condições muito difíceis para atender os passageiros da melhor forma possível.
Na Irlanda do Norte, as companhias cancelaram cerca de 40 voos no aeroporto internacional de Belfast ao longo do fim de semana, e aproximadamente 15 voos foram cancelados apenas no domingo, de acordo com a agência AFP. As travessias de balsa entre Belfast e a Escócia e a Inglaterra também foram suspensas. A ponte Foyle, em Londonderry, ficou fechada no sábado por causa do vento e só foi reaberta no domingo à noite, provocando congestionamentos na cidade.
Na Escócia, a Network Rail Scotland, responsável pela malha ferroviária, suspendeu várias linhas depois que uma estação de Glasgow ficou inundada e árvores derrubadas bloquearam os trilhos. A empresa divulgou imagens dos estragos, incluindo inundação na estação de Dalmarnock, um bueiro alagado em Craigendoran, árvores caídas em Partick e danos nos cabos aéreos em Bishopton. Estradas também foram fechadas em vários pontos por causa de árvores sobre a pista e de alagamentos.
Um dos pontos mais afetados pelas inundações foi a cidade de Largs, em North Ayrshire, na costa oeste da Escócia, onde a água invadiu ruas e comércios. Um restaurante tailandês da cidade divulgou um vídeo da cozinha tomada pela água e anunciou que ficaria fechado por tempo indeterminado por causa dos danos. Em Londres, o vento derrubou um andaime na Streatham High Road, no sul da capital: duas pessoas ficaram presas sob a estrutura até serem resgatadas por passantes e foram levadas ao hospital.
Vítimas e o alerta das autoridades
A polícia da Escócia confirmou a morte de um homem de 60 anos atingido por uma árvore caída em uma estrada secundária em Mid Kelton, na região de Dumfries and Galloway, por volta das 10h30 do domingo. O homem foi declarado morto no local, sem circunstâncias suspeitas, segundo o comunicado policial. A BBC relatou ainda outra morte em Londres, quando uma árvore caiu sobre um carro em Finchley, no norte da capital.
O Met Office reforçou ao longo do domingo que a população deveria evitar atividades ao ar livre e áreas costeiras, citando o risco contínuo de queda de detritos e de inundações mesmo depois que o pico do vento passou. Os alertas âmbar expiraram às 21h do domingo na Escócia e no norte da Inglaterra, mas os alertas amarelos seguiram valendo para partes do norte da Inglaterra e do País de Gales, com o vento mais forte se deslocando para o leste do país.
Boelo segue para o continente
Depois de atravessar o Reino Unido, Boelo seguiu para o continente europeu e provocou transtornos em vários países. Na França, cerca de 59 mil imóveis estavam sem energia no domingo, depois de um pico de 290 mil durante a passagem da tempestade Austen, segundo a distribuidora Enedis, que mobilizou 2 mil técnicos e 600 operários para restabelecer a rede. Na França, um homem ficou ferido pela queda de uma árvore arrancada pelo vento, e na Bélgica foram quatro feridos pelo mesmo motivo.
Na Alemanha, a tempestade Austen — rebatizada de Luise no país — provocou cortes de energia em Friburgo e em municípios vizinhos, afetando 10 mil residências e alterando o funcionamento do hospital universitário local, segundo a empresa Badenova. Também houve o desabamento de um andaime na Alemanha, com dois feridos graves.
O aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, um dos mais movimentados da Europa, cancelou cerca de 90 voos no domingo por causa dos ventos fortes provocados por Boelo, de acordo com o painel de partidas do aeroporto. O número chegou a aproximadamente 100 cancelamentos ao longo do dia, entre partidas e chegadas afetadas, e a tempestade ainda causou transtornos no transporte da Dinamarca, da Noruega e da Suécia.
A segunda tempestade em dois dias
Boelo é a segunda tempestade com nome da temporada 2026/2027 no Reino Unido e chegou logo depois da primeira, a tempestade Austen, que atingiu o sudoeste do país na sexta-feira (23) com rajadas de até 122 quilômetros por hora nas ilhas Scilly. A sequência rápida entre as duas tempestades é o que explica parte da gravidade dos estragos: com o solo saturado pela chuva de Austen e a rede elétrica ainda em recuperação, Boelo encontrou um terreno mais vulnerável a inundações, quedas de árvores e interrupções de energia.
O episódio britânico se soma a uma temporada de eventos extremos em outras partes do mundo. No Pacífico, o supertufão Champi se tornou a tempestade mais forte de 2026, e as previsões apontam para um pico do El Niño entre outubro e dezembro de 2026, fenômeno que costuma alterar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta. No caso de Boelo, porém, o que pesou foi a combinação de vento extremo, chuva intensa e mar agitado em um intervalo curto — uma receita conhecida para danos em infraestrutura, transporte e fornecimento de energia.
Até a noite de domingo, as equipes de energia e de transporte seguiam trabalhando para restabelecer o fornecimento e liberar as vias bloqueadas, enquanto as autoridades monitoravam o deslocamento da tempestade pelo continente e a possibilidade de mais instabilidade no início da semana. Para os moradores das regiões atingidas, o recado das autoridades foi direto: evitar deslocamentos desnecessários, ficar longe da costa e acompanhar os alertas oficiais até que a situação se normalize.
