Resumo da Notícia

  • A Comissão Disciplinar da Conmebol rejeitou integralmente o protesto do Flamengo contra a escalação de Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores.
  • O Rubro-Negro pedia os pontos da partida de volta e medidas cautelares; o zagueiro jogou amparado por uma liminar da Corte Arbitral do Esporte (CAS).
  • Com a decisão, o Estudiantes está confirmado na final contra o Palmeiras, no dia 28 de novembro, no Estádio Centenario, em Montevidéu.
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A Comissão Disciplinar da Conmebol rejeitou integralmente, nesta quarta-feira (28), o protesto apresentado pelo Flamengo contra a escalação do zagueiro Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal da Copa Libertadores. Segundo a Placar, a decisão também negou o pedido de medidas cautelares feito pelo clube carioca e manteve o resultado conquistado em campo: o time argentino está confirmado na final da competição, contra o Palmeiras, no dia 28 de novembro, no Estádio Centenario, em Montevidéu, no Uruguai.

Quem anunciou o desfecho foi o próprio Estudiantes, em comunicado divulgado nas redes sociais. De acordo com a Gazeta Esportiva, o clube de La Plata informou que a Comissão Disciplinar resolveu rejeitar por completo a reclamação rubro-negra sobre a suposta escalação irregular de Rojo, assim como a solicitação de medidas cautelares. A nota terminou em tom de comemoração, com um recado direto à torcida: “Nos vemos no dia 28, família!”.

O que o Flamengo pedia

O Flamengo questionava a regularidade da participação de Rojo na partida de volta da semifinal, disputada no Maracanã. Na reclamação formal, o clube pedia que o Estudiantes fosse punido com a perda dos pontos do confronto — nos casos de escalação irregular, o Código Disciplinar da Conmebol prevê que a equipe infratora seja declarada perdedora por 3 a 0 — e solicitava ainda medidas cautelares relacionadas ao caso, segundo a Placar.

Para sustentar o protesto, a diretoria rubro-negra se apoiou em precedentes da própria Conmebol em episódios de jogadores escalados de forma irregular. Entre os casos citados estão o do Santos, em 2018, eliminado nas oitavas de final após escalar o meia Carlos Sánchez, e o da Chapecoense, que perdeu os pontos na fase de grupos pela escalação do zagueiro Luiz Otávio, conforme registrou o portal Rolando a Bola. Nenhum dos argumentos, porém, convenceu a Comissão Disciplinar.

Como o caso começou

A polêmica nasceu fora de campo, semanas antes da semifinal. Marcos Rojo, de 36 anos, rescindiu o contrato com o Racing e foi contratado pelo Estudiantes no início de outubro, já com a janela de transferências da Argentina fechada, para reforçar a equipe na reta decisiva da Libertadores. Segundo a Gazeta Esportiva, o clube argentino tentou incluir o defensor na lista de inscritos da competição na vaga do lesionado Gabriel Neves, mas a Conmebol entendeu que o pedido não atendia aos critérios do regulamento e negou a inscrição.

Sem o aval da confederação, o Estudiantes levou o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS). De acordo com o 365Scores, o tribunal concedeu, em 21 de outubro, uma medida cautelar que permitiu a inscrição provisória do zagueiro para o jogo de volta da semifinal. A autorização, no entanto, tinha caráter liminar: ela não representava uma decisão definitiva sobre a regularidade da inscrição nem afastava eventuais consequências de um julgamento futuro desfavorável ao clube argentino.

A semifinal em campo

Enquanto o bastidor fervia, a vaga foi decidida no gramado. Sem Rojo no jogo de ida, os dois confrontos da semifinal terminaram empatados por 0 a 0. Na volta, no Maracanã, no dia 22 de outubro, Rojo foi titular amparado pela liminar do CAS. O Estudiantes resistiu mesmo com um jogador a menos em parte da partida e, segundo a Reuters, venceu a disputa de pênaltis por 3 a 2 sobre o então campeão, com o goleiro Fernando Muslera como personagem central da classificação argentina.

O Rubro-Negro chegou àquela semifinal já desfalcado: o meia Arrascaeta havia sido operado e ficou fora da reta final da Libertadores, o que aumentou o peso da eliminação para o clube carioca. Do outro lado da chave, o Palmeiras garantiu a outra vaga na decisão ao eliminar o Fluminense também nos pênaltis, resultado que manteve viva, até a definição do caso Rojo, a possibilidade de uma final entre dois clubes brasileiros — cenário que a competição já perseguia desde as quartas, quando se desenhou a chance de semifinais 100% brasileiras pela primeira vez.

A confiança do Estudiantes e o que ainda falta decidir

Do lado argentino, o discurso sempre foi de tranquilidade. O presidente do Estudiantes, Juan Sebastián Verón, afirmou à Rádio La Red, na terça-feira, que o clube buscou orientação jurídica desde o primeiro momento, com o advogado Ariel Reck, e que nunca houve risco real de ficar fora da final. “Marcos jogou habilitado pelo TAS”, resumiu o dirigente, segundo o jornal Olé. Verón admitiu, porém, que o clube ainda aguarda a resolução definitiva da Corte Arbitral do Esporte, que pode sair antes ou depois da final.

É justamente esse ponto que mantém o caso tecnicamente aberto. A decisão desta quarta encerra a disputa na esfera disciplinar da Conmebol, mas não substitui o julgamento de mérito no CAS, que trata da habilitação do jogador. Para o Flamengo, restam dois caminhos: recorrer à Comissão de Apelações da própria Conmebol, dentro do prazo de sete dias e mediante o pagamento de uma taxa de 3 mil dólares, e aguardar o andamento do processo na Corte Arbitral do Esporte, de tramitação mais longa, de acordo com a Gazeta Esportiva. A expectativa no Rio era tão grande que, segundo a imprensa argentina, o clube chegou a pedir ao elenco que não iniciasse o período de férias enquanto houvesse chance de o recurso prosperar.

Com o martelo batido em Luque, a Libertadores de 2026 volta a ser assunto de campo. Palmeiras e Estudiantes decidem o título no dia 28 de novembro, no Estádio Centenario, em Montevidéu, e a Conmebol já discute com os dois finalistas os preparativos para a abertura da venda de ingressos. Para o Estudiantes, tetracampeão continental, é a chance de voltar ao topo da América. Para o Palmeiras, a oportunidade de conquistar a América mais uma vez — agora, sem nenhuma dúvida sobre quem estará do outro lado.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.