Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta sexta-feira (26) indica que 54% dos brasileiros veem como interferência nos assuntos internos do país a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Percepção sobre a medida
Segundo o levantamento, 39% concordam totalmente e 15% concordam em parte com a avaliação de que a mudança promovida pela administração Donald Trump representa ingerência em questões exclusivamente brasileiras. Na direção oposta, 11% discordam em parte e 24% discordam totalmente. Outros 4% não concordam nem discordam e 8% não souberam ou preferiram não responder.
Riscos para comunidades dominadas por facções
Para 56% dos entrevistados, a nova classificação pode colocar em risco moradores de áreas controladas pelo PCC e pelo CV. Já 33% discordam total ou parcialmente dessa afirmação.
Impacto sobre o PIX
A possibilidade de a decisão norte-americana ameaçar o sistema de pagamentos instantâneos PIX não preocupa a maioria: 52% discordam total ou parcialmente dessa ideia, enquanto 33% concordam em parte ou totalmente.
Segurança, economia e cooperação policial
O estudo também revela opiniões divididas sobre outros desdobramentos:
- 48% creem que a medida poderá melhorar a segurança pública; 41% discordam;
- 48% avaliam que representa ameaça aos recursos nacionais; 39% discordam;
- 47% acreditam que pode prejudicar a economia brasileira; 41% discordam;
- 43% veem chance de atrapalhar a cooperação entre forças policiais brasileiras e norte-americanas, porcentual igual ao dos que não enxergam esse impacto.
Metodologia
O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios entre 13 e 17 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Imagem: Internet
Contexto da decisão dos EUA
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi anunciada em 28 de maio e entrou em vigor em 5 de junho. A partir dela, indivíduos ou empresas que prestarem apoio financeiro, logístico ou de qualquer natureza às facções podem sofrer punições nos Estados Unidos, incluindo congelamento de bens e restrições de entrada. No Brasil, o enquadramento legal das facções permanece o de organizações criminosas.
A medida foi criticada pelo governo Lula, que alegou risco à soberania nacional ao abrir margem para eventuais ações militares estrangeiras. A oposição, por sua vez, interpretou a posição contrária do Planalto como condescendência com o crime organizado. O anúncio feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, coincidiu com visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca.
Com informações de G1