Brasília – A confirmação, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho provocou preocupação no núcleo político do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Decidida na quarta-feira (15) após um ano de investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a medida vinha sendo alvo de lobby do parlamentar junto ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. Aliados relatam que Flávio esperava um adiamento para anunciar ter convencido Washington a recuar, estratégia registrada inclusive em carta enviada ao governo dos EUA.
Com o plano frustrado, o senador passou a atribuir o “tarifaço” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicações nas redes sociais, Flávio sustenta que a cobrança resulta de falhas de negociação do atual governo. Ele também respondeu a uma postagem do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que classificou as políticas brasileiras como “ruins para americanos e brasileiros” e acusou Lula de não negociar de boa-fé.
Percepção do eleitorado
Levantamento da Quaest indica percepção distinta. Segundo a pesquisa:
- 51% dos entrevistados creem que a tarifa foi motivada por pedido de Flávio Bolsonaro a Trump, posição defendida por Lula;
- 30% concordam com a versão do senador, de que Lula provocou os EUA;
- 49% atribuem a medida a uma retaliação ao Pix, contra 33% que apontam declarações de Lula contra Washington. Em junho, os percentuais eram de 46% e 36%, respectivamente.
O mesmo estudo mostra que o assunto aumenta a intenção de voto em Lula e reduz a do pré-candidato do PL. Reservadamente, assessores de Flávio admitem o desgaste e defendem que o tema deixe o noticiário o quanto antes, mas avaliam que a equipe petista deve explorá-lo durante a campanha.

Imagem: Valdo Cruz
A tarifa, apesar de prever uma lista extensa de itens isentos, afeta setores de exportação brasileiros que agora calculam perdas potenciais.
Com informações de G1